29/09/2017 17h20

Artigo: Setembro Azul

Christian Riveros Avelar, Licenciado em História e Carla Caballero Fernandes, Pedagoga, Graduando Letras Libra

Divulgação
 

O mês de Setembro e lembrado por inúmeros acontecimentos, no Brasil para os patriotas nosso sete de Setembro, dia do grito da independência, para os que acompanham as estações é o inicio da primavera, mas existe uma comunidade esquecida e muitas das vezes marginalizada entre os demais, é a comunidade surda/deficientes auditivos, para eles o mês de Setembro é azul para recordar sua história de lutas e conquistas, a comunidade surda teve seus altos e baixos na comunidade mundial com algumas culturas os respeitando e outras praticamente os desprezando a ponto de querer eliminar todo individuo surdo. Surdos na História: No Egito Antigo, os surdos eram adorados, como se fossem deuses, serviam de mediadores entre os deuses e os Faraós, sendo temidos e respeitados pela população.

Na época do povo Hebreu, na Lei Hebraica, aparecem pela primeira vez, referencias aos surdos. Na antiguidade os chineses lançavam os surdos ao mar, os gauleses os sacrificavam ao deus Teutates, em Esparta eram lançados do alto dos rochedos. Na Grécia, os surdos eram encarados como ser incompetente, Aristóteles, ensinava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem, não eram capazes de raciocinar, Essa crença comum na época, fazia com que, na Grécia, os surdos não recebessem educação secular, e até condenados a morte.

Vemos que a comunidade surda sofreu muito nos tempos antigos, quando chegamos nos tempos modernos vemos uma certa mudança escolas principalmente na frança começam a surgir para ensinar a linguagem de sinais mas ainda assim com severo preconceito; No século XVIII surgem duas linhas de pensamento, o Gestualismo (método Francês), e o Oralismo ( método Alemão); a grande maioria dos surdos defendia o gestualismo enquanto que apenas os ouvintes apoiavam o oralismo.

Contudo a comunidade surda ainda sofreria ainda mais, em 1880 ocorreu o congresso de Milão, que mais uma vez trouxe trevas sobre o surdo, onde ouvintes decidiram excluir a língua gestual do ensino dos surdos, substituindo-a pelo oralismo ( o comitê era composto apenas de ouvintes). Em conseqüência, disso, o oralismo foi a técnica preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do século XX.

A comunidade surda ainda teria um ataque gigantesco pelos ouvintes, no período do nazismo, nas batalhas as pessoas com deficiência deviam usar uma faixa de cor azul fixada no braço, assim eram identificados e mortos pelos nazistas, que não reconheciam o potencial de pessoas com deficiência e classificam-nas como incapazes.

Com isso a luta da comunidade surda não parou e assim em 1951 foi estabelecida a Federação Mundial de Surdos que representa aproximadamente 70 milhões de pessoas surdas em 127 países; no XIII congresso mundial da federação mundial de surdos, em 1999 na Austrália o azul foi escolhido pelo Dr. PaddyLaddy que é surdo é ativista da causa de pessoas surdas, para lembrar o período da Segunda Guerra Mundial, também a data de 30 de setembro foi escolhida como dia internacional do surdo lembrando o episodio triste do congresso de Milão, e no Brasil temos a data comemorativa o dia 26 de Setembro onde a primeira escola para surdos foi criada com nome de Imperial Instituto dos Surdos Mudos ( atual Instituto Nacional de Educação dos Surdos – INES).

Sabemos que essa luta não está apenas em setembro.Foi no dia 24 de abril de 2002 que a Libras foi reconhecida como a segunda língua oficial do Brasil pela lei Nº 10.436, ela reconhece como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados, é uma língua de natureza visual-motora, ao contrário do que muitos imaginam, as línguas de sinais não são simplesmente compostas de mímicas e gestos soltos.Com estrutura gramatical própria, as línguas de sinais não são universais, pois cada país possui a sua própria, que sofre as influências da cultura nacional. Constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil, como qualquer outro idioma, ela também possui expressões que diferem de região para região (os regionalismos), o que a ratifica ainda mais como língua.São línguas com estruturas gramaticais próprias.

Não cabendo em apenas um mês as lutas e conquistas. Todos os dias os surdos enfrentam situações diferentes de exclusão e preconceito, passando despercebidos pelos ouvintes como se fossem invisíveis. A deficiência não está na surdez, mas nas pessoas que se recusam escutar a voz dos surdos. A deficiência está nas escolas – que não contratam intérpretes de Libras para seus alunos – e nas universidades, que não disponibilizam as aulas online em formato acessível.

A deficiência está nas empresas, que evitam contratar surdos por conta das dificuldades de comunicação e não cumprem a Lei de Cotas.

A deficiência está nos sites da internet, que estão offline para a comunidade surda por só estarem disponíveis em português. A deficiência está na cultura, onde o surdo vai assistir um filme sem legendas.

A deficiência está tudo o que a gente faz que impede as pessoas surdas de aprenderem, consumirem e se divertirem.

Quebrar as barreiras da acessibilidade exige que a gente quebre os nossos preconceitos e se aproxime mais da comunidade surda. A gente só vai acabar com esse paradigma de exclusão quando nos mexermos, vestirmos de azul e formos atrás de mais informação e conhecimento. Quando ouvirmos a voz dos surdos. Destacamos em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, com trabalho e uma história de amor e responsabilidade com a comunidade surda a Escola Estadual Adê Marques, localizada na Rua Tiradentes, 845, centro, é considerada pólo no trabalho de inclusão dos surdos conta com uma equipe de intérpretes preparado a atender, sobe a direção da licenciada em Ciências Biológicas Ana Paula Escarmanhani, a escola vem desempenhado e sendo um grande aliado da comunidade surda em Ponta Porã. Não apenas uma mês mas a cada instante venhamos aprender e não somente ouvir mas estar pronto para dar o sinal de positivo a está comunidade, hoje para um novo amanha.

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