Mercosul

Em comunicado, países do Mercosul pedem que Venezuela estabeleça canais de acesso para ajuda humanitária

Comunicado foi divulgado nesta segunda-feira, após encontro de cúpula dos países que integram o bloco. Venezuela, suspensa do Mercosul desde 2016, nega crise humanitária.

19/06/2018 09h - G1

 
Presidentes dos países do Mercosul, durante encontro no Paraguai (Foto: Cesar Itiberê/PR)Presidentes dos países do Mercosul, durante encontro no Paraguai (Foto: Cesar Itiberê/PR)

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (18), os países que integram o Mercosul pediram para a Venezuela coordenar com a comunidade internacional a criação de "canais para o acesso de ajuda humanitária". A ação tem o objetivo de "paliar a crise social e migratória" na Venezuela.

O comunicado foi divulgado no site do Ministério das Relações Exteriores (MRE) após reunião de cúpula do Mercosul, realizada nesta segunda no Paraguai.

O presidente Michel Temer participou do encontro no qual o presidente uruguaio Tabaré Vázquez assumiu pelo próximo semestre o comando rotativo do bloco. O Mercosul é composto por Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai.

A Venezuela, que passa por uma crise econômica, social e política, está suspensa do bloco desde dezembro de 2016 por descumprir obrigações com as quais se comprometeu em 2012. No ano passado, o país governado por Nicolás Maduro recebeu uma nova sanção por "ruptura da ordem democrática".

O governo da Venezuela nega que haja uma crise humanitária no país, por isso vem recusando ofertas de ajuda.

No comunicado desta segunda, os países do Mercosul abordaram a "Situação Humanitária e Migratória na Venezuela". A mensagem afirmou que o bloco incentiva o governo venezuelano "a coordenar com a comunidade internacional o estabelecimento de canais para o acesso de ajuda humanitária para paliar a crise social e migratória que vive o país".

O texto também registrou que a Venezuela deveria "estabelecer um sistema para o intercâmbio de informação epidemiológica com os países da região".

O texto ainda citou a "deterioração das condições de vida na Venezuela" e a necessidade de "respostas integrais em matéria migratória e de refúgio".

Imigrantes

No encontro de cúpula do Mercosul, Temer disse que o Brasil não tem "poupado esforços" para receber os imigrantes venezuelanos.

"No Brasil, nós temos recebido milhares e milhares de migrantes venezuelanos que buscam uma vida melhor. E não temos poupado esforços para construir condições físicas e jurídicas que permitam o acolhimento solidário de quem foge de uma crise humanitária", disse.

Temer deve ir nesta terça (19) pela manhã a Roraima, principal porta de entrada dos venezuelanos no Brasil. Milhares de imigrantes cruzaram a fronteira entre os dois países pelo município brasileiro de Pacaraima.

O presidente vai visitar abrigos e outras instalações construídas para lidar com a chegada de venezuelanos ao país.

Em fevereiro, Temer assinou decreto que reconheceu situação de "vulnerabilidade" em Roraima e uma medida provisória que previu as ações de assistência emergenciais para imigrantes venezuelanos no estado.

Entre as ações adotadas, está levar imigrantes para outros estados do país, nos quais haja oferta de empregos. Em maio, a Casa Civil informou que 48,6 mil venezuelanos solicitaram refúgio ou residência no Brasil desde o ano passado.

Veja a íntegra do comunicado do Mercosul

Os Estados Partes do Mercosul, em face da crise humanitária e migratória que afeta a irmã República Bolivariana da Venezuela e a região:

Considerando o crescimento dos fluxos migratórios de venezuelanos que buscam novas oportunidades na região frente à deterioração das condições de vida na Venezuela, salientaram a necessidade de coordenar esforços a fim de dar respostas integrais em matéria migratória e de refúgio, de forma consistente com a dignidade e a preservação dos direitos fundamentais dos migrantes.

Exortam o Governo da Venezuela a coordenar com a comunidade internacional o estabelecimento de canais para o acesso de ajuda humanitária para paliar a crise social e migratória que vive o país. Alentam, ainda, a estabelecer um sistema para o intercâmbio de informação epidemiológica com os países da região.

Reiteram sua vontade e seu compromisso de apoiar e acompanhar o povo irmão venezuelano nos esforços que demande a mitigação da crise migratória, humanitária e social que atravessa atualmente.

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