28/11/2017 08h50

Ex-funcionária que assinou plano de voo da Chapecoense renova pedido de refúgio no Brasil

Celia Castedo Monasterio foi à sede da PF em Corumbá (MS) nesta segunda-feira (27) e disse que tem medo do que podem fazer com ela na Bolívia.

G1 MS
 
 
Celia Castedo Monasterio durante renovação do pedido de refúgio no balcão da Polícia Federal em Corumbá (MS) (Foto: Ricardo Mello/TV Morena)Celia Castedo Monasterio durante renovação do pedido de refúgio no balcão da Polícia Federal em Corumbá (MS) (Foto: Ricardo Mello/TV Morena)

ex-funcionária da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares de Navegação Aérea da Bolívia (Aasana) Celia Castedo Monasterio, que assinou o plano de voo da Chapecoense do avião da LaMia que caiu na Colômbia em novembro de 2016, renovou pedido de refúgio no Brasil nesta segunda-feira (27).

Celia chegou à sede da Polícia Federal (PF) em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, por volta das 15h (de MS) acompanhada por um irmão de Santa Cruz De La Sierra (Bolívia). Com a renovação do pedido, tem direito a mais um ano no Brasil. Ela disse que vai tirar toda documentação brasileira, inclusive Carteira de Trabalho, e vai procurar emprego.

Com esse documento da renovação do pedido de refúgio, ela não pode ser presa pelo processo do avião enquanto estiver em território brasileiro. Mesmo se por acaso a Bolívia lançá-la na lista vermelha da Interpol, não pode ser presa antes do Comitê Nacional para Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, responder se vai aceitar ou não o refúgio dela.

A ex-funcionária da Aasana só renovou o pedido porque o Conare ainda não respondeu. Celia também agradeceu muito as autoridades brasileiras porque, segundo ela, só no Brasil conseguiu contar a verdade para as autoridades e apresentar os documentos. Ela tem medo do que podem fazer com ela na Bolívia e tem medo inclusive de ser sequestrada no Brasil e levada para Bolívia.

O desastre aéreo ocorreu na madrugada de 29 de novembro de 2016 e causou a morte de 71 pessoas e deixou outras 6 feridas. O avião caiu perto do aeroporto de Medellín, onde deveria aterrissar. Relatório preliminar divulgado pela autoridade de aviação civil colombiana apontou falta de combustível.

Áudios divulgados pelo jornal de notícias "El Deber", da Bolívia, sugerem que a venezuelana Loredana Albacete Di Bartolomé e o pai dela, o ex-senador Ricardo Alberto Albacete Vidal, controlavam a LaMia, empresa responsável pelo voo da Chapecoense.

No papel, a LaMia pertence a Miguel Quiroga, que era o piloto do avião e morreu no acidente, e a Marco Antonio Rocha, que está foragido. Os diálogos divulgados agora reforçam os indícios apontados pelo Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF-SC) e divulgados pelo G1 de que a LaMia não pertence de fato aos donos. Os procuradores do MPF-SC encontraram documentos que apontam que a negociação do fretamento da aeronave com a Chapecoense teve a participação de Loredana Albacete.

 

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