19/02/2018 14h20

Mais desmatado que a Amazônia, Cerrado sofre com perda de espécies exclusivas

Dados de 2012 registram que foram derrubados 6,4 mil quilômetros quadrados de mata na Amazônia, contra 7,4 mil quilômetros quadrados de mata no Cerrado

 

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, onde abriga centenas de espécies de animais e plantas que só existem lá. Mas, de acordo informações do Ministério do Meio Ambiente, aproximadamente 20% da flora exclusiva já desapareceram, e cerca de 130 espécies de animais da região também correm o risco de sumir de vez. "Mais do que a Amazônia ou a Mata Atlântica, o Cerrado sofre perdas significativas de biodiversidade devido, principalmente, ao avanço da agropecuária", diz o Biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS).

Dados de 2012 registram que foram derrubados 6,4 mil quilômetros quadrados de mata na Amazônia, contra 7,4 mil quilômetros quadrados de mata no Cerrado. E estima-se que as lavouras e as pastagens já tomaram aproximadamente 45% da área de domínio do Cerrado (que se estende do Mato Grosso do Sul a Rondônia e Tocantins, além de Goiás a Minas Gerais e parte da Bahia). "O Cerrado já ocupou 25% do território nacional, mas este número já caiu para 22%. E se nada for feito para frear essa destruição, muito do espaço e consequentemente da riqueza natural vão se perder também", alerta o Biólogo.

No ano passado, na data em que se comemora o Dia do Cerrado (11 de setembro, um manifesto assinado por 40 organizações ambientalistas do mundo todo, intitulado "Nas mãos do mercado, o futuro do Cerrado: é preciso interromper o desmatamento", alertava para a necessidade da atividade agropecuária ser realizada de forma responsável e sustentável, como expandir a produção apenas em terras já desmatadas. Além de cobrar também o governo brasileiro a garantia de que a lei de preservação ambiental e compromissos internacionais assumidos sejam cumpridos, por meio de instrumentos e políticas públicas eficazes.

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