14/12/2017 17h10

Mulheres expõem medo constante de abuso sexual dentro dos ônibus.

5,2 milhões de brasileiras foram vítimas dentro de transporte público.

Mídia Max
 
 

Ele se sentou ao meu lado, não fez nada, mas me senti muito mal, desconfortável, com medo, então me levantei e fui me sentar ao lado de uma senhora". Esse relato é de uma usuária de transporte coletivo, sobre uma recente situação que ela enfrentou dentro do ônibus no caminho para o trabalho. Ela é apenas uma entre tantas mulheres que não foram vítimas, mas que vivem escoltadas pelo constante medo de "ser a próxima".

A auxiliar de limpeza Elizabet Vilhalva, de 40 anos, diz que a reação foi provocada pela insegurança de simplesmente não ter a garantia de que a própria dignidade sexual não será violada a qualquer segundo. Ela tem consciência de que aquele homem poderia não tentar nenhum ato de abuso. Mas ela não tinha certeza. "Não tem como identificar", lamenta. E é disso que gera o medo.

No último dia 12, mais uma mulher foi vítima de abuso sexual dentro do transporte coletivo de Campo Grande. Um homem de 34 anos foi preso após se masturbar ao lado dentro do ônibus. No mês passado, uma jovem relatou no Facebook outra situação de abuso pela qual ela passou, e teve muitas declarações de outras mulheres que também foram vítimas da mesma pessoa.

E assim, a rotina dentro dos ônibus segue. Como também seguem as estatísticas de violência sexual contra as mulheres. Segundo uma pesquisa divulgada no início deste ano pelo Datafolha, 40% das mulheres brasileiras acima de 16 anos já sofreram algum tipo de abuso, sendo que 5,2 milhões foram vítimas de abuso físico em transporte público. Dentro deste quadro, 17% eram jovens e 12% negras.

Os números amedrontam ao mesmo tempo que indignam. "Fico alerta o tempo todo dentro do ônibus. Às vezes, só de alguém esbarrar em mim sem querer já fico tensa, pensando no que pode ser", desabafa a professora Sirlei Prado, 39 anos, que também precisa utilizar o transporte público todos os dias para ir para o trabalho. Até quando as mulheres terão que colocar todos homens na mira da desconfiança por simplesmente não saber quando o desrespeito e o machismo a tornarão a próxima vítima? Quando é que o direito de ir e vir, com a integridade sexual preservada, será igual para elas?

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