01/11/2017 07h50

Outubro nada rosa e novembro nada azul. A saúde pública agoniza e as mulheres morrem nas filas do SUS

O descaso com a CONSTITUIÇÃO FEDERAL é total.

Divulgação (TP)
 
 

A saúde cada vez mais privatizada é para os ricos. Planos de saúde lucram como nunca! A vida e a saúde das mulheres, das crianças e do povo pobre não é nada para o governo. Outubro Rosa e Novembro Azul são marketing que o governo usa para enganar a população, fingir que se preocupa com a prevenção do câncer nas mulheres e homens e fazer campanha para aumentar o lucro dos planos de saúde e das clínicas privadas. Nos hospitais públicos não há tratamento para todos que necessitam enfrentar um câncer.

O Congresso Nacional faz Leis e as modifica conforme a propina que recebem a maioria dos deputados e senadores para ser reeleito (a) e tudo se manter como está.

O descaso com a CONSTITUIÇÃO FEDERAL é total. Vale a negociata com os grupos econômicos financeiros, da indústria, da área da saúde e da educação principalmente multís e fundos estrangeiros tão bem representados no governo por Temer e sua quadrilha. Nem se dão ao trabalho de fazer lobby. As necessidades da população são pisoteadas.

Em 2016 aprovaram a PEC 55 proposta por Temer congelando os investimentos públicos em EDUCAÇÃO, SAÚDE E ASSISTÊNCIA SOCIAL por 20 anos. Nas campanhas dizem que tudo isso é prioridade e depois se ajoelham vergonhosamente para os financiadores.

As traições se avolumam. Campanhas eleitorais baseadas em marketing e corrupção resultaram no maior estelionato eleitoral que já vivemos. Traem o voto que recebem e depois dizem por ai que são as pessoas que precisam aprender a votar.

A Agência Nacional de Saúde – ANS que deveria fiscalizar apenas assegura que os Planos de Saúde Privados registraram em 2013 o lucro de 111 bilhões de reais. Nas eleições de 2014, as empresas Amil, Bradesco Saúde, Qualicorp e grupo Unimed Saúde doaram juntas, em torno de 52 milhões de reais, contribuindo para a candidatura de 131 parlamentares, um deles o Cunha, então Presidente da Câmara que contou com a contribuição de membros da própria ANS para a formulação da Medida Provisória (MP) 627 que anistiava a dívida dos planos de saúde ao SUS em 2 bilhões de reais. Os Planos de Saúde privados permanecem devendo ao SUS.

Enquanto isso, outras LEIS tentam assegurar direitos para a população com câncer e algumas tratam especialmente das mulheres, mas tudo fica no papel. Nas Campanhas OUTUBRO ROSA nada ou muito pouco é divulgado. O centro é "sensibilizar" as mulheres a aderir à prevenção. Afinal o problema central é a baixa adesão das mulheres. Vejam só!

A Lei 11.6648 – Garantia a mamografia a partir de 40 anos e nas duas mamas. Em 2013, a Portaria 1253 do Ministério da Saúde (Alexandre Padilha) alterou de 40 anos para 50 e estabeleceu o exame em apenas uma mama. Para derrubar essa aberração o Projeto de Lei 1442 14 foi aprovado na Câmara e está parado desde 2015 no SENADO, o mesmo que aprovou o congelamento das verbas para a saúde pública por 20 anos em tempo recorde. Ano passado foram realizadas 2.730.000 mamografias e 8.570.000 mulheres ficaram nas filas do SUS. E somos nós as culpadas por não prevenir e tratar o câncer precocemente¿ Planos de Saúde

Privados aplaudem! O acesso à saúde pública estará cada vez mais difícil. Quem pode adere á Saúde Privada. Quem não pode morre. A Lei 12.80213 – Reconstrução imediata de Mamas no mesmo ato cirúrgico salvo se o quadro clínico não oferecer condições e a mulher não optar pela reconstrução.

Apenas 20% das 92,5 mil mulheres entre os anos 2008 a 2015 tiveram a mama reconstruída. Falta estrutura e qualificação dos médicos para o procedimento. A estimativa é que 10hs de ocupação de uma sala de cirurgia pode garantir de 4 a 5 procedimentos de retirada e só 2 de reconstrução portanto se falta a estrutura para a retirada imaginem para a reconstrução! E, nesses casos, a auto-estima não é resolvida com uma peruca evidentemente. Planos de Saúde aplaudem! Quer fazer reconstrução da mama¿ Faça um plano de saúde!

A Lei 12.73212 – A Lei dos 60 dias (dois meses) – estabelece que a partir da data do exame o início do tratamento (seja cirurgia, radioterapia ou quimioterapia) deve ocorrer após 60 dias em qualquer tipo de câncer. No entanto, a espera tem sido em média de 180 dias (6 meses). Planos de Saúde aplaudem! Descobriu que tem câncer¿ está agoniada e quer se tratar ¿ quanto antes começar mais chance de cura¿ Faça um ao Plano de Saúde Privado. Tudo será um paraíso!

O SISCAN – Sistema de Informação do Câncer para o SUS e estabelecimentos privados que atuam de forma complementar aos SUS (2013) deveria estar instalado em todo o sistema de saúde para o controle dos procedimentos e a efetiva aplicação da Lei dos 60 dias. Pouco mais de 1100 Unidades de Saúde de vários tipos possuem o SISCAN em funcionamento. O Brasil tem hoje 40 mil Unidades Básicas de Saúde, porta de entrada para todos os tratamentos, incluindo o câncer.

Temos ainda 1.158 Unidades Básicas de Saúde construídas ao preço de R$ 1 bilhão e não inauguradas. Como será o custeio com as verbas públicas para a saúde congeladas por 20 anos¿ Os prédios estão deteriorando.

A peregrinação é cruel. O INCA estimou que em 2017 teríamos 57.120 novos casos de câncer sendo que 20.8% de mama. O crescimento da doença permanece em média em 2% ao ano e a mortalidade em 11.000 mulheres principalmente no RJ, RGS, DF e SP. Absolutamente nada é ROSA!

Gláucia Morelli

Presidente CMB

Fontes: FEMAMA- Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à

Saúde da Mama; SP-TV; INCA-Instituto Nacional do Câncer; Sociedade Brasileira

de Mastologia.

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