14/12/2017 06h40

Oi perde R$ 663 milhões em valor de mercado após novo plano de recuperação

Operadora apresentou novo plano com condições mais favoráveis a credores e que permite troca da dívida por até 75% do capital.

G1
 
 

s ações da Oi fecharam em queda de mais de 20% nesta quarta-feira (13) após a direção da operadora ter apresentado uma nova versão do plano de recuperação judicial com termos mais favoráveis para credores.

O papel OIBR3 terminou a sessão em queda de 22,9%, a R$ 3,77. Já o OIBR4 caiu 12,47%, a R$ 3,65. O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 1,22%.

Com o tombo no valor das ações, a Oi perdeu em um único dia R$ 663 milhões em valor de mercado, segundo dados da provedora de informações financeiras Economatica, passando de R$ 3,19 bilhões no fechamento da véspera para R$ 2,53 bilhões nesta quarta.

Até a véspera, as ações da Oi acumulavam valorização de quase 300% desde o pedido de recuperação judicial. Agora, os ganhos acumulados em valor de mercado estão em R$ 1,7 bilhão, 212% acima dos R$ 809 milhões registrados no dia 20 de junho de 2016.

O novo plano de recuperação, protocolado na véspera na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, prevê que os detentores de títulos terão permissão para negociar sua dívida por até 75% do capital da operadora, permitindo que a Oi seja efetivamente adquirida pelos credores.

ENTENDA A CRISE DA OI E OS TERMOS DO NOVO PLANO

A versão anterior do plano, aprovada pelo conselho de administração da OI e preparada antes do empresário Nelson Tanure e o acionista português Pharol serem barrados pelo juiz da recuperação da empresa de participarem de sua elaboração, limitava a troca de dívida a 25% e foi fortemente criticado pelos detentores de títulos.

A Oi informou que o novo plano conta com o apoio de um grupo de bondholders que se comprometeu "a prontamente fornecer ou obter compromissos firmes de garantia" para aportar até R$ 4 bilhões no caixa da empresa.

A companhia informou ainda que firmou acordos de confidencialidade com representantes dos principais grupos de credores da empresa, que se comprometeram com operações de aumento de capital.

O avanço nas negociações foi possível após a Justiça nomear o novo presidente da Oi, Eurico Teles, como o responsável para conduzir e concluir o plano, reduzindo o poder do conselho de administração da operadora, controlado atualmente pelos acionistas liderados pelo empresário Nelson Tanure no encaminhamento das negociações.

Uma fonte próxima a um dos grupos de credores disse ao G1 que o novo plano passou a ser visto como "aceitável", em uma mudança significativa ante o quadro pessimista dos últimos meses. Procurado pela reportagem, o fundo de investimentos Société Mondiale, de Tanure, não comentou.

Na avaliação de analistas do Itaú BBA, o novo plano também tem melhores chances de aprovação que os anteriores. "Nossos cálculos ainda sugerem significativo desconto para os credores, mas tendemos a acreditar que este plano é mais provável de ser aceito por causa da maior participação na empresa em troca pelos bônus", escreveram em relatório.

A Oi protagoniza o maior pedido de recuperação judicial da história, com dívidas de R$ 64 bilhões a serem negociadas. A complexidade do processo se deve também à importância da empresa. A Oi é a maior operadora em telefonia fixa do país e a quarta em telefonia móvel, com cerca de 70 milhões de clientes.

 

Hoje, o principal acionista individual da Oi é a Pharol SGPS, a antiga Portugal Telecom, por meio da subsidiária Bratel. Durante o processo de recuperação, da operadora, porém, cresceu a influência do Société Mondiale, dde Tanure, que aumentou a sua participação acionária, passou a ter mais influência no conselho de administração e passou a liderar o grupo de acionistas que detém juntos cerca de 30% da operadora.

A recuperação tem sido marcada por uma queda de braço e troca de acusações entre credores e atuais acionistas. De um lado, detentores de títulos da dívida da Oi acusavam acionistas minoritários de agir em interesse próprio em detrimento dos melhores interesses para a empresa. Do outro lado, o grupo de Tanure acusa os chamados "fundos abutres" de querer tomar o controle da companhia sem desembolsar praticamente nada por isso.

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