Morte no trânsito

Caso Rafael: Júri que seria em Ponta Porã foi transferido para Dourados a pedido da Defensoria

Júri Popular acontece dia 07 de agosto às 13h30, no Fórum de Dourados

12/07/2018 09h20 - Por: Dora Nunes

 
Rafael foi vítima de atropelamento no ano de 2015. Tinha apenas 19 anosRafael foi vítima de atropelamento no ano de 2015. Tinha apenas 19 anos

Na noite de 09 de junho de 2015, um grave acidente ceifou a vida de um garoto de apenas 19 anos. Um menino que tinha sonhos, tinha pai, tinha mãe, irmãos, amigos e era muito amado.

Arnaldo Rafael Mendes Espíndola, de 19 anos e seu colega Gean Marcos Cabreira Sanabria, de 20 anos, seguiam em uma moto de origem estrangeira pela Rua Calógeras em Ponta Porã, quando em frente ao campo de futebol sintético Bola Cheia, foram atingidos por um veículo Saveiro, também de cor preta, conduzido por Ozéias Barros Ferreira de 34 anos.

No acidente, as vítimas foram arremessadas contra o para-brisa do carro. Ozéias fugiu sem prestar socorro. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital Regional da cidade, onde Rafael Mendes faleceu e Gean ficou internado devido aos ferimentos graves, se recuperou e agora aguarda ansioso pelo julgamento e pela justiça.

O pai do jovem Rafael, Artêmio Givago Betfuer Espíndola, contou que seu filho foi arrastado por cerca de 35 metros e durante a fuga de Ozéias, a vítima ainda foi atropelada pelo carro.

 
Moto ficou destruída com o impactoMoto ficou destruída com o impacto

"No momento em que foram atropelados, o Gean contou que o Rafael teve que parar a moto no estacionamento, pois havia carros dos esportistas estacionados no local e o motorista do carro vinha na contra mão. Diferentemente do Gean, meu filho, Rafael, ficou de frente do Saveiro, sendo arrastado após o atropelamento e o motorista, na ânsia de fugir e sair do flagrante, passou em cima do meu filho", afirmou Artêmio, lembrando que esse fato é horrível e dolorido de ser lembrado.

"O que dói é que o Ozéias sabia que ali havia uma pessoa que poderia ser socorrida, mas ao invés de socorrer, acelerou ainda mais para poder fugir e se esconder em uma residência no bairro São João", lembrou desolado o pai de Rafael.

De acordo com informação dada por Artêmio Espíndola, o motorista Ozéias se apresentou com um advogado somente 3 dias depois do acidente, livrando-se do flagrante e sendo solto para responder ao crime em liberdade.

 

Ainda com o coração em frangalhos pela morte brutal e prematura de Rafael, na data de 09 de julho de 2015, familiares e amigos juntamente com vítimas de acidente de trânsito ocorridos em Ponta Porã, fizeram uma manifestação na Câmara de Vereadores da cidade, com o tema: "Imprudência não é acidente. É crime", evento que contou com um grande número de pessoas.

Foi criada uma página no facebook intitulada "Justiça no Caso Rafael Mendes", onde os familiares e amigos postam suas mensagens de saudades e onde várias notícias de acidentes não considerados acidentes são postados diariamente.

A publicação que mais chama a atenção é: "A notícia foi devastadora, a pior que poderíamos receber. Você nos foi tirado, levaram um pedaço de nós, levaram seus sonhos, sua alegria, seu sorriso. E, hoje a nossa maior lembrança são fotos e vídeos, mas não podemos tê-lo mais aqui para desejar um bom-dia, para abraçarmos e dizer o quanto te amamos. Não podemos e não vamos nos conformar com a injustiça. Não esquecemos do caso, não esquecemos do Rafa. Um motorista embriagado dirigia há 130km/h em via pública, atingindo em cheio o Rafa. Depois, o arrastou por 30m. Não satisfeito, fugiu. Hoje cobramos a justiça, queremos que ele pague pelo que fez. Nos ajude, compartilhe esse post, não podemos esquecer e deixar a impunidade prevalecer.

NaoFoiAcidente #Justica" .

Essa foi uma forma que a família encontrou de lutar por justiça e amenizar a dor da perda que é eterna.

 

Devido as manifestações e clamor popular, o juiz acatou a denúncia feita pelo Ministério Público e em março de 2016, 9 meses após atropelar , matar Rafael e ferir Gean, é que Ozéias foi preso.

Em 03 de novembro de 2016, os vereadores de Ponta Porã aprovaram a criação da Escola Pública Municipal de Educação de Trânsito Rafael Mendes Espíndola, nome cedido pela família do jovem, uma das inúmeras vítimas do trânsito. A escola tem como atribuições promover, de acordo com as Normas Brasileiras de Trânsito, cursos referentes à educação no trânsito destinado aos alunos das redes pública e particular além do público em geral. Também a capacitação, aperfeiçoamento e atualização dos servidores que atuam no trânsito.

 
Promotor-público-Gabriel-Rodrigues-assina-termo-doando-kit-multímidia-por-parte-do-MPEPromotor-público-Gabriel-Rodrigues-assina-termo-doando-kit-multímidia-por-parte-do-MPE

A redação do site Pontaporainforma conversou com o advogado da família de Rafael, Dr Carlos Bordão, que informou que a Defensoria Pública pediu o "desaforamento" do Tribunal do Júri, ou seja, que ao invés do julgamento ocorrer em Ponta Porã que foi onde aconteceu o acidente, que fosse para a cidade de Dourados, alegando motivo de comoção, visto que as pessoas que iriam compor o júri em Ponta Porã poderiam ter algum sentimento em relação ao caso. Assim, a defesa de Ozéias alegou que em Dourados o corpo do júri seria mais imparcial, onde o pedido acabou sendo acatado pelo juiz de Ponta Porã e o caso será julgado em Dourados. "Mas os elementos de prova que existem nos autos, mesmo sendo em Dourados, acredito que será pela procedência da denúncia e condenação por homicídio doloso, onde se teve a intenção de produzir o dano e óbito do querido Rafael", afirmou o advogado.

De acordo com Bordão, a acusação se baseia na perícia que deixou claro que Ozéias assumiu o risco de produzir o dano, visto estar em situação de embriaguez, em alta velocidade e a forma como conduzia o veículo, somando-se às provas testemunhais.

Para homicídio doloso, a pena começa com 06 anos e vai até 20 anos e a dosimetria é concedida pelo juiz, onde o papel do júri é decidir se o acusado é inocente ou culpado.

 
Advogado Carlos Bordão Foto: Tião Prado - PontaporainformaAdvogado Carlos Bordão

Foto: Tião Prado - Pontaporainforma

O que a sociedade pontaporanense espera é que se faça justiça no caso Rafael, servindo de exemplo a todos os outros casos que já aconteceram ou que ainda pode acontecer no trânsito, lembrando sempre que muitas vezes não é acidente e sim, crime, pois houve intenção, consciência e vontade de ocasionar o dano.

A família de Rafael pede que quem puder se faça presente no dia do julgamento do homem que ceifou a vida de um garoto de 19 anos. O julgamento acontece dia 07 de agosto no Fórum localizado na Avenida Presidente Vargas, 210, Jardim América, na cidade de Dourados. "Pedimos que quem puder compareça e nos apoie nessa busca pela justiça", finalizou Artêmio, pai de Rafael.

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