27/01/2018 06h20

Detran vai rescindir contrato milionário com empresa investigada pelo Gaeco

Contrato foi firmado por um ano e MPE considera o trabalho desnecessário.

Correio do Estado
 
 
Agente do Gaeco em operação desencadeada no Detran, ano passado - Foto: Valdenir Rezende / Correio do EstadoAgente do Gaeco em operação desencadeada no Detran, ano passado - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

Contrato entre o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS) e a empresa Master Case Digital Business será cancelado por conta de a empresa ser alvo de investigação do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Informação foi repassada ontem pelo diretor-presidente do Detran, Roberto Hashioka.

Contrato com a empresa foi firmado em setembro do ano passado por R$ 6,04 milhões, no mesmo dia em que a empresa foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pelo Gaeco, durante a Operação Vírus, realizada em agosto do ano passado. O contrato foi assinado com validade de um ano.

"A antiga empresa fazia registro de gravame para o departamento de trânsito. Nós vamos rescindir o contrato porque ela está sendo investigada", disse Hashioka.

A empresa foi contratada para fazer o mesmo serviço que a Pirâmide Informática fez por seis meses até março de 2017. O contrato com esta empresa, que também foi alvo de investigação, foi rescindido e a Master Case contratada. Ministério Público Estadual (MPE) considera o contrato desnecessário, porque o trabalho tem de ser validado por servidores.

A finalidade do contrato tem um nome complexo: "implantação, manutenção e operacionalização de sistema computacional integrado ao do Detran, para a guarda e recuperação de contratos de financiamento de alienação fiduciária, arrendamento mercantil, reserva de domínio ou penhor com serviços de conferência de contratos, provendo interoperabilidade e operação segura".

OPERAÇÃO VÍRUS

O Gaeco deflagrou a Operação Antivírus no dia 29 de agosto de 2017, com o objetivo de dar cumprimento a nove mandados de prisão preventiva, três mandados de prisão temporária e 29 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo juiz Mário José Esbalqueiro Júnior, da comarca de Campo Grande.

Investigação que teve operação desencadeada Gaeco, apontou que o Detran no Estado servia para prática de corrupção ativa e passiva, fraude em licitação e é alvo de atuação de organização criminosa que também pratica lavagem de dinheiro desde 2015.

Toda a cúpula do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul foi presa na época, após cumprimento de mandados de prisão preventiva.

Segundo o MPE, os envolvidos são investigados por formar uma organização criminosa que fraudava licitações em contratos celebrados entre empresas da área de tecnologia da informação e informática com o governo do Estado.

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