27/02/2018 12h10

Erro do piloto ou manutenção irregular podem ter causado acidente de avião

Polícia Civil investiga o caso e fez simulação dos fatos no Aeroporto Teruel

Correio do Estado
 
 
Delegada fala sobre investigações no aeroporto Teruel. - Foto: Valdenir RezendeDelegada fala sobre investigações no aeroporto Teruel. - Foto: Valdenir Rezende

A Polícia Civil fez nesta terça-feira a simulação dos fatos envolvendo acidente com avião Beechcraft modelo Baron 55, prefixo LSS, ocorrido em março de 2015, no aeroporto Teruel, em Campo Grande. O trem de pouso foi recolhido bruscamente, fazendo com que a aeronave "aterrissasse de barriga". As suspeitas são de erro do piloto ou manutenção irregular.

A investigação é conduzida pela delegada Ana Cláudia Medina, da Delegacia Especializada de Combate do Crime Organizado (Deco), responsável pela Operação Ícaro, que desde 2015 investiga o uso de peças clandestinas, reparos inadequados e o funcionamento de oficinas sem homologação da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) em Mato Grosso do Sul.

Segundo Medina, o acidente ocorreu durante voo teste, ocasião em que dois pilotos checavam as condições da aeronave depois de manutenção. No retorno, ao se aproximarem do solo, um dos pilotos teria acionado e travado o trem de pouso, porém, as rodas se recolheram subitamente. "Algumas testemunhas disseram que o acidente foi erro do piloto e outras falaram sobre manutenção irregular. Como havia esta dúvida, iniciamos o inquérito", explicou a delegada.

Após o acidente, a aeronave foi desmontada para novos reparos e acabou interditada pela Anac. Em dezembro do ano passado, foi apreendida pela Deco durante a Operação Vastum, quarta fase da Ícaro, sob suspeita de ter recebido peças clandestinas. Por este motivo, a polícia emprega na simulação outra aeronave modelo Baron 55, com o mesmo ano de fabricação e em condições de uso, apreendida na Operação Narcos, terceira fase da Ícaro deflagrada em agosto.

"Foi necessário fazer a simulação neste outro Baron, porque o avião em questão não poderia ser transportado. Queremos entender a dinâmica de funcionamento do trem de pouso para termos uma ideia melhor do que ocorreu. O trabalho é feito por nosso perito técnico e será comparado com relatório do Cenipa [Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos ligado ao Comandante da Aeronáutica]", completou Medina, lembrando que, se for preciso, pode solicitar novos laudos.

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