Tragédia

Especialistas dizem que Flamengo 'assumiu risco' e Prefeitura foi omissa em tragédia no Ninho do Urubu

Entrevistados pelo Jornal Nacional afirmam que dirigentes do clube foram irresponsáveis e Prefeitura foi omissa ao permitir funcionamento do CT.

12/02/2019 06h10 G1

 
Fotos: Reprodução da TVFotos: Reprodução da TV

Especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional afirmaram que o Flamengo assumiu o risco de uma tragédia ao manter abertoEspecialistas ouvidos pelo Jornal Nacional afirmaram que o Flamengo assumiu o risco de uma tragédia ao manter aberto um local interditado. Ainda segundo os entrevistados, a Prefeitura do Rio foi omissa por não garantir a interdição do Centro de Treinamento.

O espaço era usado normalmente, mesmo depois de ter sido interditado pela prefeitura no dia 20 de outubro de 2017. O clube descumpria diariamente a determinação durante mais de um ano. Nesta segunda-feira (11), os atletas profissionais usaram as instalações do Ninho do Urubu normalmente.

Especialistas em direito e engenharia foram ouvidos pelo Jornal Nacional para entender as responsabilidades do clube e do poder público na tragédia.

Em relação ao Flamengo, o clube manteve o dormitório dos jovens num aglomerado de contêineres onde, de acordo com o projeto de construção, deveria haver uma lavanderia, um estacionamento e um prédio administrativo.

No sábado (9), o diretor-executivo do clube, Reinaldo Belotti, afirmou que a falta de documentação não tem relação com a tragédia.

"Na realidade, isso não tem nada a ver com o acidente que ocorreu. Nós temos algumas providências a serem tomadas para tornar o CT plenamente legalizada, estamos trabalhando arduamente nisso", disse

 
Profissionais do Flamengo treinam a onde aconteceu a tragédia.Profissionais do Flamengo treinam a onde aconteceu a tragédia.

"A verificação in loco das instalações deveria ter acusado a existência daqueles contêineres e o seu uso irregular. O que poderia de alguma forma ter auxiliado as autoridades e o próprio clube a evitar essa tragédia", disse Gustavo Binenbjom.

A Prefeitura do Rio, que interditou o CT exatamente por falta do certificado do Corpo de Bombeiros, já tinha aplicado 31 multas ao clube por não fechar as portas do Ninho do Urubu. No entanto, afirmou que não tem poder de fazer valer a sua própria determinação de interdição.

"O que a prefeitura não fez é o que ela faz comumente com bares, restaurantes que funcionam em descumprimento de normas, por exemplo, de vigilância sanitária. É convocar a Guarda Municipal ou o auxílio da força policial e adotar medidas concretas que impedissem o acesso das pessoas ao centro de treinamento do Flamengo. Ao não agir assim, me parece que a prefeitura tem uma responsabilidade grave por omissão", disse o jurista.

A NHJ do Brasil, empresa que forneceu os contêineres, também não apresentou explicações sobre quem projetou a estrutura dos dormitórios e se ela foi originalmente criada para ser um dormitório.

 

"Na minha opinião, a pergunta mais importante é: quem projetou aquela instalação? Quais os documentos de projeto dessa instalação? Porque aí muitas respostas surgirão. Pela documentação e também pelos projetistas, que vão explicar como eles criaram uma situação como aquela de confinamento, sem portas de emergência e sem recursos de alarme para um dormitório", disse Portela.

"O que salta aos olhos é que a irresponsabilidade dos dirigentes do clube associada à omissão da Prefeitura decretaram a morte desses meninos", disse o jurista Gustavo Binenbjom.

O Corpo de Bombeiros declarou que, ao negar o certificado de aprovação, não é obrigatório citar todas as irregularidades encontradas. Segundo a corporação, a legislação determina que basta apontar as pendências inicialmente observadas, para evitar que os projetos e obras sejam feitos com base apenas no trabalho do Corpo de Bombeiros.

A NHJ do Brasil declarou que está colaborando para a apuração dos fatos e que a equipe técnica está à disposição do Flamengo para ajudar a entender as causas do incêndio. A empresa não divulgou os nomes dos profissionais envolvidos no projeto.

A Prefeitura do Rio e o Flamengo não se pronunciaram sobre o caso.

 

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