03/01/2018 05h20

Ouro de Ofir passa para o TJ-MS e investigados pela PF seguem presos

O delegado, que é o responsável pelas investigações do caso, ainda afirma que, provavelmente, o MPE irá denuncias os investigados.

Campograndenews
 
 
Celso Araújo chegando, em novembro, à sede da PF, ao ser preso (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Celso Araújo chegando, em novembro, à sede da PF, ao ser preso (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

A Operação Ouro de Ofir, que investiga um grupo de criminosos que teria feito pelo menos 25 mil vítimas em golpes prometendo rendimentos financeiros enormes para elas, segue desde o fim de dezembro do ano passado nas mãos da Justiça Estadual e não mais da Justiça Federal. Os investigados seguem presos.

No caso, foi decidido durante o plantão judiciário que não houve crime contra o Sistema Financeiro Nacional e, assim, o processo foi desmembrado e arquivado. A parte considerada passível de prosseguimento de investigação foi enviada à esfera estadual, por ora, nas mãos do TJ-MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

A decisão foi tomada em 22 de dezembro pelo juiz federal plantonista, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Roberto Polini. O MPF (Ministério Público Federal) também se manifestou pelo arquivamento. O suposto crime contra o sistema financeiro era o que mantinha o processo na esfera federal.

"Determino o arquivamento do presente apuratório quanto aos delitos contra o Sistema Financeiro Nacional. Não havendo interesse da União, para o processamento e julgamento do feito, e determinando o desmembramento dos autos, mediante extração de cópia integral, rementendo-se os autos desmembrados à Justiça Estadual de Campo Grande", frisa o juiz.

De acordo com o delegado da PF (Polícia Federal), Guilherme Farias, os autos já foram repassados para o MPE-MS (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul). "Fui hoje à Promotoria e em breve deve ser feita a denúncia, pois como os réus estão presos, os prazos são curtos", comenta.

O delegado, que é o responsável pelas investigações do caso, ainda afirma que, provavelmente, o MPE irá denuncias os investigados por estelionato, crimes de falsidade - incluindo de documentos - e organização criminosa.

"Acreditamos [Polícia Federal] que houve sim crimes contra o sistema financeiro, mas a decisão do juiz federal plantonista não foi essa e o caso foi repassado à Justiça Estadual", completa Guilherme, acrescenta que ainda há outro inquérito relativo a Ouro de Ofir apurando outros fatos cometidos pelo grupo suspeito.

Liberdade negada - Quatro mandados de prisão foram expedidos contra investigados na Ouro de Ofir. Um deles, Ricardo Machado Neves, segue foragido, enquanto Celso Eder Gonzaga Araújo - dono da empresa Company Assessoria Empresarial, usada como fachada -, o tio dele, Anderson Flores de Araújo, e Sidnei dos Anjos Peró, seguem presos.

O advogado de Anderson e Celso, que já tinha tentado a liberdade da dupla na Justiça Federal, entrou com pedido de habeas corpus na esfera estadual. Eles estão detidos em Campo Grande desde o dia 21 de novembro e, segundo a defesa, não há fundamento na manutenção da prisão preventiva de ambos.

Porém, conforme o desembargador que analisou o pedido, Romero Osme Dias Lopes, os argumentos apresentados pela defesa não são suficientes, por ora, para revogar a prisão preventiva decretada com Celso e Anderson.

"Os autos em questão ainda estão pendentes de digitalização, em vários volumes, os quais vieram enviados pela Justiça Federal, não se sabendo, nem ao menos, se o declínio da competência será aceita pela Justiça Estadual, tudo a ser analisado pelo juízo competente", destaca o desembargador ao indeferir o pedido.

 
Escritório da Company, empresa que seria fachada para crimes, sendo alvo de operação (Foto: Liniker Ribeiro/Arquivo)Escritório da Company, empresa que seria fachada para crimes, sendo alvo de operação (Foto: Liniker Ribeiro/Arquivo)

Ouro de Ofir – A operação Ouro de Ofir investiga um dos maiores golpes na história do Brasil, fazendo pelo menos 25 mil vítimas em todos os Estados. A frente dos negócio estava a Company, empresa que teria como a principal atividade a negociação de custas de ajuda em um processo que se arrastaria há 60 anos.

Celso alega ser herdeiro de uma mina de ouro explorada na época do Brasil Império e que lhe daria direito a uma gorda comissão. Da bolada, 60% seriam da sua família, e 40% para quem ajudasse a pagar a recuperação dos valores - algo atribuído, conforme o esquema, a uma corte internacional.

Ele se encarregou em tentar dar veracidade à história, apresentando-se como cônsul honorário da Guiné-Bissau (na África), como comerciário, administrador e empresário de sucesso.

Em paralelo, sua organização foi dividida entre operadores do esquema, que iam desde organizadores, responsáveis em realizar contratos e corretores – que propagandeavam o esquema, principalmente, via aplicativos de mensagens.

Com isso, o grupo capitaneada por Celso angariou apoios mínimos de R$ 1 mil, prometendo multiplicar e muito o "investimento". Pequenos empresários, trabalhadores e até fiéis de igrejas (estes motivados pelo discurso de "bênção financeira") foram seduzidos pela proposta.

A PF, na operação, apontou que a renda do investigado era pouco superior a R$ 20 mil, mas as movimentações financeiras em apenas uma conta bancária de Celso Éder chegaram a R$ 3,4 milhões. Entre 1º de junho e 5 de setembro, apontaram-se 455 depósitos bancários no total de R$ 1,7 milhão.

Baixos valores, perto dos mais de R$ 3,9 bilhões por ele informado como seu patrimônio, identificados em uma Letra do Tesouro Nacional. Declaração que a PF qualificou como ilegal, já que era usada apenas para provar valores e tentar convencer potenciais vítimas, explicou à época ao Campo Grande News o delegado federal Cleo Mazzoti.

As informações não foram suficientes para demover eventuais vítimas ou participantes do golpe, que apontaram uma "trama do governo federal" para desestabilizar o grupo e dizer que a liberação do dinheiro começaria. E evitar o balde de água fria em pessoas que, sem receber o dinheiro, fizeram planos de adquirir carros de luxo e mansões.

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