05/12/2017 06h

PGR denuncia Geddel Vieira Lima por organização criminosa e lavagem de dinheiro

Geddel era um dos principais aliados do presidente Michel Temer até novembro de 2016.

Congresso em Foco
 
 
Geddel chefiava Secretaria de Governo de Temer até ser envolvido em denúncias. Foto: Valter Campanato/Agência BrasilGeddel chefiava Secretaria de Governo de Temer até ser envolvido em denúncias.
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou nesta segunda-feira (4) o ex-ministro Geddel Vieira Lima, um dos membros do chamado "quadrilhão do PMDB", por organização criminosa e lavagem de dinheiro. A acusação é referente ao montante encontrado em um apartamento atribuído a Geddel em Salvador (BA), onde foram encontrados malas e caixas recheadas de dinheiro vivo, em um total de R$ 51 milhões, no que viria a se constatar como a maior quantia apreendida na história da Polícia Federal. O "bunker de Geddel", como o local passou a ser chamado na imprensa a partir de setembro, estremeceu o governo Michel Temer, que já estava às voltas com denúncias da PGR.

Geddel era um dos principais aliados do presidente Michel Temer até novembro de 2016, quando deixou a Secretaria de Governo sob acusações de acusado de pressionar o ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, para que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) autorizasse a construção de um residencial em área nobre tombada em Salvador. Naquela ocasião, Geddel, que tinha adquirido um apartamento no prédio, era o sexto ministro a deixar o governo em seis meses de gestão peemedebista.

Além de Geddel, que era chamado de "suíno" pelo artista Renato Russo (1960-1996), também foram denunciados o irmão de Geddel, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA); a mãe de ambos, Marluce Vieira Lima; o ex-assessor parlamentar Job Ribeiro, que prestava serviços a Lúcio e agora cobra parte dos salários que lhe era confiscada; o ex-diretor da Defesa Civil de Salvador Gustavo Ferraz; e um dos sócios da empresa Cosbat Luiz Fernando Costa Filho.

A Polícia Federal conclui na última semana as investigações sobre o esquema de corrupção e a participação de cada um dos suspeitos. No documento, a PF elenca as razões que a levam a crer que o dinheiro tem origem ilícita e esconde malfeitos.

"Não é crível que uma pessoa dispusesse da absurda quantia se não houvesse o propósito de ocultar a sua existência. Nem que duas figuras públicas com a inteligência do parlamentar Lúcio Vieira Lima e seu irmão Geddel, além de sua mãe, deixassem de auferir rendas se este valor estivesse devidamente declarado e formalmente inserido no sistema financeiro nacional", diz trecho da conclusão do inquérito.

Origem

A partir do inquérito, a PGR indica quatro fontes que teriam abastecido o bunker do ex-ministro, onde foram encontradas suas digitais, as de Job Ribeiro e as de Gustavo Ferraz: dinheiro irregularmente movimentados por peemedebistas; repasses de Lúcio Funaro, apontado como operador do PMDB em esquemas ilícitos; propina da Odebrecht, empresa-pivô do escândalo de corrupção descoberta pela PF na Petrobras; e apropriação indevida de salários de assessores, como foi o caso de Job.

Ainda segundo a PF, Geddel é o dono do dinheiro, mas o apartamento foi cedido pelo irmão Lúcio, que tem diminuído sua atuação parlamentar desde que as denúncias vieram à tona. Já Job tenta fechar delação premiada e obteve da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a permissão para deixar a cadeia e, uma vez livre, reunir provas que deem sustentação às suas declarações. Entre outras coisas, o ex-assessor disse que cumpriu ordens como contar o dinheiro, destruir parte de documentos incriminatórios e até dar fim a provas utilizando vaso sanitário.

Desde a descoberta do bunker, mantém-se no radar do governo a possibilidade de que Geddel firme acordo de delação premiada com o Ministério Público, o que atingiria Temer e outros membros da cúpula peemedebista. Mas, mesmo depois de meses de prisão, o ex-ministro jamais falou sobre o montante encontrado em Salvador ou deu qualquer declaração sobre as inúmeras investigações que têm a cúpula do governo como alvo. Além de Geddel, Temer e Lúcio, outros peemedebistas estão na mira da Operação Lava Jato, como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) – homem forte de Temer no Congresso e um dos parlamentares mais enrolados na Justiça.

Mas, além da origem ilícita do dinheiro do bunker, relatório encomendado pela PF ao Banco Central indica que quase todas as cédulas de dólar e real rastreadas vieram de cofres do Banco do Brasil em São Paulo, entre 2012 e 2015. Mas, fisicamente, não se sabe de qual agência, especificamente, o dinheiro era retirado, o que continua sob investigação.

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