28/02/2018 08h40

São Paulo teve uma prisão em flagrante por tráfico a cada 13 minutos em 2017

Foram 40.876 flagrantes no ano passado no estado, um aumento de 11,5% em em relação a 2016.

G1
 
 
Mais de 40 mil pessoas foram presas em flagrante em 2017 por tráfico de drogas em São Paulo.Mais de 40 mil pessoas foram presas em flagrante em 2017 por tráfico de drogas em São Paulo.

estado de São Paulo registrou 40.876 prisões em flagrante por tráfico de drogas em 2017, apontam dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) obtidos com exclusividade pela GloboNews por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O montante representa média de uma prisão em flagrante de suspeitos de tráfico de drogas a cada 13 minutos.

De acordo com o levantamento, isso representa um aumento de 11,58% na comparação com as 36.632 prisões em flagrante por tráfico contabilizadas em 2016. Ao todo, 83,75% das prisões por tráfico de drogas em todo o estado realizadas em 2017 foram em flagrante.

Entre janeiro e novembro de 2017, houve um total de 48.807 prisões por tráfico no estado sendo que 7.931 delas se deram após a Justiça expedir uma ordem de prisão.

"Esse dado representa claramente ou que a polícia está trabalhando com mais eficiência ou que cresceu o número de traficantes", diz o jurista Edilson Mougenot. "Representa sobretudo o discurso da impunidade que cresceu e produziu novos traficantes. Eu acredito que ambos os fenômenos aconteçam. A polícia está sendo mais cobrada e o número de traficantes continua crescendo, que a punição não está vindo ainda adequadamente a ponto de coibir o crime."

No ano passado, quase 135 mil pessoas foram presas em flagrante no estado de São Paulo contabilizando todos os tipos de crime. As prisões em flagrantes por tráfico de drogas representam 30,57% do total.

 

Avaliação

Para o Instituto Sou da Paz, os números precisam ser avaliados com cautela. Bruno Langeani, gerente da área de Justiça e Segurança Pública do órgão, diz que é preciso chegar aos grandes traficantes.

Ele defende que as audiências de custódia sejam de fato usadas para separar criminosos de pessoas que cometeram infrações menores.

"Não faz sentido a sociedade gastar recursos para manter essa pessoa presa provisóriamente enquanto nem se sabe se ela é culpada ou não", disse. "Os que apresentam risco para a sociedade, os que cometeram crime violento, esses sim precisariam responder ao processo presos.

Em nota, a SSP diz que "as prisões por tráfico de drogas demonstram as ações das polícias na repressão a esse tipo de crime, com emprego de inteligência, tecnologia e cooperação entre as polícias Civil e Militar".

"O trabalho policial possibilitou que, em 2017, fossem apreendidas mais de 200 toneladas de drogas, 26% a mais que em 2016, e que fossem retiradas das ruas mais de 15 mil armas de fogo", diz a nota.

O Ministério Público do Estado de São Paulo disse que tem atuado nas audiências de custódia sempre dentro dos parâmetros atinentes à legalidade. "O crime de tráfico de entorpecentes é grave, equiparado a hediondo por disposição legal e, via de regra, é braço representativo do crime organizado. Sendo assim, a política institucional é de combate intransigente à essa atividade, excetuando-se, se o caso, as hipóteses em que não se verifica a necessidade de prisão provisória."

Os integrantes do Tribunal de Justiça de São Paulo não se manifestam nem se posicionam sobre comentários relativos a decisões judiciais. Para tanto, há os recursos pertinentes que podem e devem ser utilizados pelas partes quando não existe concordância com o resultado.

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