22/06/2017 00h02

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Correio do Estado
 
 
Pedro Chaves. Foto: SenadoPedro Chaves. Foto: Senado

Nesta quarta-feira, dia 21 de junho de 2017, celebramos os cem anos de existência de Wilson Barbosa Martins, um homem inteligente, honrado, corajoso e um dos mais importantes protagonistas da história de Mato Grosso do Sul.

A trajetória pessoal, profissional e política do dr. Wilson é notável. Formado advogado pela Universidade de São Paulo, voltou à terra natal, Campo Grande, para exercer o seu ofício e participar ativamente da política, sendo inclusive um dos fundadores da União Democrática Nacional (UDN), no antigo Mato Grosso, em 1945.

Pela UDN, foi eleito prefeito de Campo Grande, em 1958, e Deputado Federal, também por Mato Grosso, em 1962. Com a Revolução de 1964 e a criação de um sistema bipartidário pelo regime militar, ele se engajou no Movimento Democrático Brasileiro, ao lado seu irmão Plínio Martins, que também se tornou Prefeito de Campo Grande no período de 1966/1969.

Pelo MDB, o dr. Wilson foi reeleito Deputado Federal em 1966. Em 1968, enfrentou um dos maiores desafios de sua carreira, ao escolher a defesa das liberdades democráticas num país subjugado por um regime de exceção.

No Plenário da Câmara, em novembro de 1968, se posicionou contra a cassação dos deputados Márcio Moreira Alves e Henrique Alves, conclamando o Plenário à resistência. Com firmeza, colocou-se contra a subordinação do Legislativo à vontade da ditadura.

A Câmara terminou por não autorizar a instauração de processo contra os dois deputados. Menos de um mês depois, os militares baixaram o Ato Institucional nº 5, fecharam o Congresso e suspenderam os direitos políticos de diversos parlamentares. Na lista dos cassados estava o deputado Wilson Martins.

Fora do parlamento, ele retomou a vida de advogado. Sua luta pela democracia passou, então, do Plenário da Câmara para a barra dos tribunais, onde se dedicou a defender presos políticos. Muitos encontraram na solidariedade de Wilson Barbosa Martins o caminho para sair do cárcere. Não por acaso, ele foi um dos fundadores da seccional da OAB no Mato Grosso do Sul, sendo eleito seu primeiro presidente e ocupando esse posto entre 1979 e 1981.

Com a abertura política, tornou-se o primeiro Governador eleito do Mato Grosso do Sul, em 1983. Nessa posição apoiou o movimento das "Diretas Já!". Em 1986, elegeu-se Senador e participou da Assembleia Nacional Constituinte. Ali, colocou-se a favor do voto aos 16 anos, do mandado de segurança coletivo e da soberania popular, mantendo a coerência com seus ideais democráticos.

Em 1994, voltou à governadoria do Estado, em uma vitória acachapante logo no primeiro turno, com 20 pontos percentuais de vantagem sobre o segundo colocado. Quatro anos mais tarde, aos 81 anos, encerrou sua carreira política.

O político Dr. Wilson deixou a ribalta, para mais tarde ser substituído pelo Dr. Wilson escritor. Em 2010, lançou a autobiografia Memória – Janela da História. Nesse mesmo ano, foi eleito para a Academia Sul-mato-grossense de Letras, ocupando a vaga que pertencera à sua esposa, a poetisa Nelly Martins.

Dr.Wilson e meu pai, Pedro Chaves dos Santos, foram grandes amigos. Morávamos perto da sua casa, na Rua 15 de novembro, onde até hoje ele reside. Também continuo privando da sua amizade e guardo as melhores recordações dos debates que travamos sobre os caminhos da educação em Mato Grosso do Sul.

Eu não tenho a menor dúvida que, diante da estatura política, moral e humana do Dr. Wilson, todas as homenagens parecem ínfimas. Quaisquer elogios dirigidos ao seu centenário de nascimento serão insuficientes para dimensionar sua grandeza.

Talvez o mais acertado seja parabenizar o Mato Grosso do Sul e o Brasil. Dar os parabéns ao Estado e ao País, por terem podido contar com um Wilson Barbosa Martins para abrilhantar a sua história recente.

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