27/05/2015 05h50

Basta de notícias ruins! por Waldir Guerra

Você, eu e o povo todo estamos cansados de notícias ruins. Todos nós queremos decisões políticas sérias e responsáveis para que o país volte a prosperar logo.

Divulgação (TP)
 
 

Você está cansado de escutar e ler notícias a respeito das roubalheiras em todos os governos deste país, do federal ao municipal. Eu também. Não suporto mais jornais de TV que começam com crimes de mortes, continua com desastres, aqui e no mundo todo e acabam desnudando mais uma roubalheira na Petrobras. Só notícia ruim; dá desânimo na gente.

Nessa semana nada de desastres, acidentes, roubos e roubalheiras; minha atenção está nas discussões do Orçamento da União. Afinal, ali está a solução da parte mais grave da atual crise do governo da presidente Dilma. Ou o ministro Joaquim Levy consegue aprovar os cortes nas despesas do governo em 70 bilhões de reais para este ano, ou a vaca morre dentro do brejo – onde ela está agora.

O ministro Levy meio que ameaçou ao dizer que se o Congresso não aprovar as medidas de corte nos gastos, o governo terá como única alternativa cobrar mais impostos da população – será que ele fala a verdade? Duvido, pois temos uma das maiores cargas tributárias do planeta.

Preste atenção neste detalhe importante! O Orçamento da União tem apenas 10% (dez por cento) dos seus valores disponíveis para gastos discricionários do governo. O restante, 90%, são despesas obrigatórias e definidas por fórmulas legais, ou seja: 90% dos impostos arrecadados já estão comprometidos. Isso acontece porque ao longo dos anos corporações bem articuladas foram carimbando as verbas orçamentárias.

Isso me faz lembrar uma administração petista em Dourados que em oito anos de governo aumentou de três mil para mais de seis mil os funcionários municipais – concursos públicos efetivaram a maioria deles. Hoje a atual administração está engessada dizem.

O caso mais emblemático é o do Estado do Rio Grande do Sul, depois da administração de Tarso Genro, com sua arrecadação de impostos nem consegue pagar toda a folha dos seus funcionários públicos. Nada lhe sobra para consertar estradas e muito menos construir novas. Saúde e Segurança Pública daquele jeito, aos trancos e barrancos. Parece que a prioridade das administrações petistas é criar empregos públicos.

Agora leio no Jornal Valor Econômico que desde janeiro até hoje o Brasil tem 500 mil novos desempregados – minha nossa, meio milhão de pessoas desempregadas! E com a vaca ainda no brejo! Sim, mas se funcionários de empresas privadas podem ser demitidos, funcionários públicos também poderiam ser demitidos quando a crise é demasiado grande; como agora, por exemplo. Até porque a demanda por serviços públicos torna-se menor. Sem esquecer a enorme quantidade de sinecuras que servem como instrumento de poder dos governantes que as concedem em troca de favores políticos.

É difícil explicar, complicado para executar, mas o Ministro da Fazenda precisa encontrar um meio de cortar os gastos dentro desses tais 90% das despesas obrigatórias do Orçamento da União e não no aumento de impostos. Tirar 70 bilhões de um Orçamento que, arredondando os números, passa dos dois trilhões de reais, não é um corte assim tão grande. Seriam menos de 4% do total.

O povo sabe que a vontade do vice, Michel Temer, hoje coordenador político do governo é reduzir o número dos ministérios pela metade. Está aí outra solução: começar esse trabalho agora e não esperar para depois da saída da atual presidente.

Você, eu e o povo todo estamos cansados de notícias ruins. Todos nós queremos decisões políticas sérias e responsáveis para que o país volte a prosperar logo.

  • Membro da Academia Douradense de Letras; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. E-mail: wguerra@terra.com.br

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