28/12/2017 05h

Dois pesos e duas medidas: sempre por Edilson José Alves

Como diz o gaúcho "pelo barulho da carruagem já sei o que tem dentro".

Divulgação (TP)
 
 

É impressionante como se usa dois pesos e duas medidas no Brasil ao se fazer julgamento de questões tão relevantes. Um dos enroscados na operação lava-jato, Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, revelou durante delação premiada que no ano de 1997 recebeu propina de uma empresa multinacional. Neste ano, Fernando Henrique Cardoso comandava o país. Nestor Cerveró é outro ‘sujo de lama’, que admitiu propina na mesma gestão. Propinas chegaram entre os anos de 1999 e 2001 para compra de turbinas para usinas termoelétricas. Delcídio do Amaral que foi diretor de gás da Petrobrás durante o governo FHC teria recebido US$ 500 milhões também de propinas de contratos com termoelétricas. O próprio FHC admite no seu livro de memórias que ouviu falar de corrupção durante a sua gestão em 1996, mas diz que não combateu porque precisa aprovar a nova lei do petróleo.

São relatos fortes, contundentes, mas parece estar longe de convencer aqueles detentores do poder de julgar e condenar se necessário for. Não se trata de querer ou não desenterrar ‘defuntos’, mas o fato presente é a voracidade muito clara no país de se condenar os políticos filiados em legendas de esquerda. O PT é o principal alvo. Figuras ilustres de outros governos, inclusive do atual, agora apelidado de ‘quadrilhão’ conseguem sair imunes de chuvas de balas de todos os calibres.

Na sua edição desta quarta-feira, dia 27, a Folha de São Paulo trás em sua edição impressa uma reportagem mostrando o estaleiro de Cingapura Keppel Fels, um dos maiores do mundo, informando ter pago propina durante o governo de FHC para a construção da plataforma P-48 para a Petrobras. O suborno teria custado a bagatela de R$ 994 mil, portanto menos de R$ 1 milhão, valor insignificante diante do tamanho dos roubos praticados pelos membros do nosso atual ‘quadrilhão’.

Como diz o gaúcho "pelo barulho da carruagem já sei o que tem dentro". Mas, mesmo sabendo como todo mundo sempre soube, a carruagem brasileira sempre esteve carregada de propinas, de subornos cujos valores são inimagináveis para nós, pobres viventes. Não se trata de querer sujar ou manchar a imagem de tucanos ou periquitos. Claro que não. O objetivo de se colocar uma discussão como essa em pauta é para tentar achar algo explicável para tanta perseguição aos defensores de políticas esquerdistas, aos movimentos sociais e direitos trabalhistas adquiridos.

Não se trata de defesa, até porque anos após FHC se verificaram denúncias e mais denúncias de subornos, propinas, corrupção brava na Petrobras. Só precisamos esclarecimentos sobre os motivos que o poder judiciário julga uns com todo o rigor da lei e livram outros tão facilmente. Passou da hora do povo abrir os olhos e cobrar punição igual para todos, somente para alguns não é justiça. Estamos vivendo uma crise não apenas econômica, mas ética e moral.

Todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido, já dizia Ulysses Guimarães ao promulgar a constituição de 1988. E a sociedade deve exercer o seu papel, cobrando pelo menos o mínimo dos seus representantes, que é ter honestidade no exercício do cargo público, seja no executivo, legislativo e, principalmente, no judiciário.

*Jornalista

edilsonreporter@hotmail.com

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