04/12/2017 17h40

Ponta Porã: "Na solidão, pedi a Nossa Senhora uma companhia e ela me mandou um anjo de 4 patas". Conheça a história do Perdido

Perdido é o cachorro que mora no estádio Aral Moreira em Ponta Porã

Por: Dora Nunes
 
 
Foto: Tião Prado-PontaporainformaFoto: Tião Prado-Pontaporainforma

Poderia ser mais uma história de abandono de animal. Mais um número. Mais uma estatística. Mas a história de Perdido vem para trazer reflexão de como a união pode melhorar a vida de alguém, seja pessoa ou animal.

Perdido é um cachorro que mora no estádio Aral Moreira em Ponta Porã. Hoje tem um lar, comida, carinho, amor e atenção, mas não deixa de lado a sua natureza aventureira e de liberdade total, sem muros, sem cercas, sem coleira.

 
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Hélio Aguillar de Anastácio de Souza, de 46 anos, natural de Rio Verde (MS), mora em Ponta Porã há 39 anos e há 11 anos é funcionário da prefeitura, sendo que faz 03 anos que desenvolve suas atividades funcionais do estádio Aral Moreira.

Era época de carnaval e Hélio estava sozinho, devido ao recesso do feriado e, em meio a solidão, fez uma oração a Nossa Senhora Aparecida pedindo que lhe enviasse uma companhia. Naquela noite ainda viu chegar o amanhecer sozinho.

No outro dia, apareceu um cachorrinho pequeno e sarnento, momento em que Hélio o jogou para fora do estádio, porem, determinado, o cachorrinho novamente entrou no estádio. Esse sai e entra se repetiu e na terceira vez, o pequeno abandonado rosnou para Hélio que naquele momento decidiu criá-lo, admirando sua altivez naquele corpo magro e cheio de feridas. E ali teve início uma grande amizade entre um ser humano e um animal. Entre um ser racional e um considerado não racional.

 
Foto: Tião Prado-PontaporainformaFoto: Tião Prado-Pontaporainforma

Quando os outros funcionários retornaram do feriado, Hélio apresentou o mais novo membro da equipe e sensibilizados, todos começaram a ajudar com ração. Como o cachorrinho apresentava algumas feridas e estava magro, fizeram uma "vaquinha" para leva-lo a uma consulta veterinária.

Já era chegada a hora de dar um nome ao animal. Foi quando Hélio decidiu colocar o nome de "Perdido", já que foi jogado no portão do estádio.

Foi descoberto que Perdido tem um problema de pele, passando por 3 veterinários, foi constatado que além de albino tem uma espécie de alergia quando em contato com grama. Ressalva que a casa do Perdido é o estádio onde tem muita grama e mesmo com a medicação, Perdido, que tem 4 anos, não consegue se livrar do vermelhão que toma conta do seu corpinho, mas fora essa questão, ele é saudável, alegre, companheiro e um amigão, de acordo com seus companheiros do estádio Aral Moreira.

Perdido é daqueles que sabe reconhecer quem lhe faz o bem. Aqueles que levam comida ele já marcou seus carros e quando chegam no estádio, tem um guarda fiel que cuida dos seus carros com verdadeiro esmero. Mas, quando algum carro desconhecido adentra no local, Perdido corre até Hélio, late, e esse é seu aviso que alguém estranho está na área.

 
Foto: Tião Prado-PontaporainformaFoto: Tião Prado-Pontaporainforma

Como é de bem com a vida, Perdido gosta de esporte e nos dias que tem jogos, ele se adapta e recebe a todos muito bem. Não há relatos de que o cachorro tenha mordido ou ferido alguém que estivesse assistindo ou participando dos jogos. Mas há relatos do extremo cuidado que Perdido tem com aqueles que ama. Hélio conta que tempos atrás, Perdido mordeu um amigo que chegou e lhe deu um tapa nas costas.

Na visão de Perdido, Hélio foi agredido e o amigo levou umas mordidas. "O Perdido me defendeu", conta Hélio, todo orgulhoso do amigo guarda-costas.

Perdido é tão perdido que já foi até resgatado pela ONG Irmandade das Patinhas, porem, Hélio entrou em contato com a Irmandade, contou a história do Perdido e ele foi devolvido no estádio, tomado banho e com as unhas feitas.

O cachorro, além de protetor, amigão, é daqueles que gosta de visitar os amigos na hora do almoço. "O perdido vai almoçar na casa do Ademar, quando tem churrasco no bar aqui perto, ele é o primeiro a chegar, come costela, carne", contou Hélio à reportagem do Pontaporainforma. Perdido é um "bom vivant".

 
Foto: Tião Prado-PontaporainformaFoto: Tião Prado-Pontaporainforma

Wander Márcio, que muito se emocionou ao falar do cachorro, lembrou que é um dos que mais ajuda a cuidar do Perdido e relata que há tempos atrás perdeu uma cachorrinha que amava muito, e desde que conheceu Perdido a afinidade surgiu e um entende o outro. " O Perdido é a prova viva de que o cachorro é o melhor amigo do homem. Perdido é um xodó no estádio, todos o amam e se preocupam com ele", enfatizou Wander Márcio.

Geneci Bezerra também ajuda na criação do Perdido desde que chegou no estádio, sendo a primeira pessoa que o levou ao medico veterinário para fazer exames . Perdido perdeu todos os pêlos. Geneci lembrou de um fato curioso, pois um dia que estava com sua filha, ainda pequena, no estádio, ela começou a descer de barriga, escorregando pela grama e o cachorro observando começou a imitar a criança, colocando as perninhas para trás e descendo de barriga pela grama, igual a menina fazia.

Jerferson Cerqueira, mais conhecido como Viola, também acompanha as aventuras de Perdido e conta que o cachorro o protege. "Quando o Perdido percebe que vou para minha casa e corre na frente, observa, se tudo estiver tranquilo ele volta, mas se vê algo de errado ele começa a latir, ai eu já fico prevenido", afirmou.

Paulinho Vieira acompanha a vida do Perdido de perto lembrando que é um animal que trouxe união entre as pessoas que frequentam o estádio Aral Moreira. "Perdido é um membro da equipe, onde todos se preocupam com seu bem estar e sua alimentação".

 
Foto: Tião Prado-PontaporainformaFoto: Tião Prado-Pontaporainforma

Muitas pessoas já consideraram o cachorro como abandonado e tentaram leva-lo embora, mas ele foge, reconhecendo o estádio como seu lar, onde tem o seu quartinho para os momentos de descanso depois de um dia exaustivo, além de muito amor e atenção de várias pessoas que são seus donos. Perdido é um cachorro livre, gosta de viver a vida do seu jeito. É um amigão, companheiro de todas as horas. Querido e amado por todos que o conhecem. É protetor, é bonachão, gosta de um bom churrasco como todo fronteiriço e acompanha os amigos na roda de tereré, debaixo das sombras das árvores do estádio Aral Moreira que é para onde volta toda noite, depois de suas aventuras diárias.

O que se pede é para que os motoristas e motociclistas se atentem ao trânsito ao avistar um animal. Se atentem ao avistar o Perdido nas imediações do estádio Aral Moreira, da escola Marly Cavallheiro, do horto florestal, pois apesar de ser um anjo de 04 patas que veio para trazer alegria para muitas pessoas, Perdido veio sem asas e não consegue voar.

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