27/01/2018 09h

O Outro Lado: filha não lembrar da mãe não é o único erro da novela

O Outro Lado do Paraíso vinha muito bem até recentemente, tirando um escorregão aqui, outro ali.

R7
 
 
Adriana teve amnésia seletiva? Reprodução/GloboAdriana teve amnésia seletiva?
Reprodução/Globo

Agora que já foi tudo revelado, que a mãe encontrou a filha e que quase tudo está em pratos limpos, a gente precisa falar sobre o que está acontecendo nessa novela.

Primeiro que é inconcebível uma filha não lembrar de sua mãe, como é o caso de Elizabeth/Duda (Glória Pires) e Adriana (Julia Dalavia). A resposta a isso dada na novela foi que a moça, que era advogada Duda sem desconfiar de nada, não tinha como acreditar que aquela ali na sua frente era sua mãe. É até possível engolir esse argumento, forçando muito, mas entende-se. Agora o que não dá é Adriana nem sequer questionar nada com ninguém, não comentar, não ligar para o pai e dizer que está defendendo uma pessoa que lembra muito sua mãe.

Mas, se a gente parar para pensar bem, realmente é complicado aceitar a situação toda. Pense: Adriana tinha uns 10, 11 anos quando sua mãe "morreu". Idade suficiente para ter uma ótima lembrança. Fora isso, havia fotos, vídeos e coisas do tipo. É impossível esquecer. Isso foi um furo grande explicado de maneira tosca.

Mas não é só isso que vem complicando a vida em O Outro Lado do Paraíso. Por algum motivo, possivelmente pesquisa feita com o público, o estilo da trama vem mudando. Inicialmente, e durante um bom tempo, o jeitão era bem sombrio, mais sério e com personagens com sangue nos olhos. Nesses últimos vinte, 25 dias, as coisas estão mudando. Está rolando uma certa amenizada no tom mais pesado que havia e que era o que tornava a história interessante. Veja só um exemplo: a relação de Sofia (Marieta Severo) e sua filha, Lívia (Grazi Massafera). As duas tinham um péssimo relacionamento desde sempre, se detestavam e ficavam o tempo todo discutindo. Soltavam muitas farpas e o clima pesava frequentemente entre elas. De uns tempos para cá viraram as melhores amigas. São confidentes e ficam falando sobre suas vidas amorosas. Sim, claro que tem um motivo para isso, afinal ambas gostam do mesmo homem mas não sabem disso. Mas sabe quando a coisa não cola? Não tem como assim, do nada, mãe e filha se tornarem BFFs. Não aconteceu nada para justificar isso e é uma forçada básica de roteiro mesmo.

Esse tipo de situação está se espalhando por quase toda a trama e chega até o pastelão do casal gay que tem de lidar com a ex-mulher de um deles. O autor Walcyr Carrasco parece não saber muito bem escrever humor e isso resulta em cenas fracas, como é o caso aqui.

O Outro Lado do Paraíso vinha muito bem até recentemente, tirando um escorregão aqui, outro ali. Mas agora a coisa está dando uma descambada para o lado mais popularesco, o que é uma pena.

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