Tratamento é realizado

Conheça mais sobre os sinais e sintomas da Hanseníase

A doença tem cura e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS em unidade de saúde do país.

12/01/2019 07h40 - Blog da Saúde

 

Hanseníase é uma doença crônica, transmissível, tem preferência pela pele e nervos periféricos, podendo cursar com surtos reacionais intercorrentes, o que lhe confere alto poder de causar incapacidades e deformidades físicas, principais responsáveis pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas.

A transmissão se dá de uma pessoa doente sem tratamento, para outra, após um contato próximo e prolongado.

A doença tem cura e o tratamento é gratuito e ofertado pelo SUS em unidade de saúde do país.

O Ministério da Saúde (MS) promove em parceria aos estados e municípios, ações de vigilância, atenção e controle da hanseníase, bem como de educação em saúde, com o objetivo de alertar a população sobre os sinais e sintomas da doença e incentivar a procura pelos serviços de saúde, além de mobilizar os profissionais de saúde à busca ativa de casos e investigação dos contatos, especialmente os de convivência domiciliar (grupo com maior risco de adoecimento).

As ações de busca ativa têm como foco o diagnóstico precoce da doença, o tratamento oportuno e a prevenção das incapacidades físicas.

O MS recomenda que as pessoas procurem o serviço de saúde ao aparecimento de manchas em qualquer parte do corpo, principalmente, se essa mancha apresentar alteração de sensibilidade, o que configura um dos sinais sugestivos da doença.

Na última década, o Brasil apresentou uma redução de 34,09 % no número de casos novos, passando de 39.047 mil diagnosticados no ano de 2008, para 26,8 mil em 2017.

De forma semelhante, observa-se também a queda de 36,2% da taxa de detecção geral do país (de 20,29/100 mil hab. em 2008 para 12,94/100 mil hab. em 2017).

Do total de casos novos registrados, 1,6 mil (6,72%) foram diagnosticados em menores de 15 anos, sinalizando focos de infecção ativos e transmissão recente, e 7,2 mil iniciaram tratamento com alguma incapacidade.

No mês em que é celebrado o Dia Mundial de Luta Contra à Hanseníase (janeiro roxo) - cor definida em 2015 para simbolização do enfrentamento à doença no país -, no intuito de alertar a população a respeito da doença, o Blog da Saúde entrevistou a Coordenadora Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação do Ministério da Saúde, Carmelita Ribeiro Filha.

Confira a entrevista:

  • Blog da Saúde: O que é a Hanseníase?

Carmelita Filha: É uma doença dermatoneurológica, que tem manifestação na pele, como a presença de manchas com alteração de sensibilidade.

A parte neurológica vem do comprometimento dos nervos periféricos, responsáveis pela sensibilidade e motricidade. Por isso, a hanseníase é a única doença dermatológica que tem alteração de sensibilidade na pele.

  • Blog da Saúde: Mesmo sem sintomas, eu posso procurar a Atenção Básica?

Carmelita Filha: Se algum amigo ou parente da família teve a doença, é ideal que todos procurem, mesmo que não tenha nenhum sinal ou sintoma.

  • Blog da Saúde: E como funciona o tratamento?

Carmelita Filha: Quando o paciente tem o diagnóstico de hanseníase, ele recebe todas as informações e inicia o tratamento imediatamente. A primeira dose é dada diretamente na unidade de saúde.

Funciona assim: todo mês o paciente tem que ir à Unidade para tomar uma dose supervisionada do remédio, ou seja, na frente do profissional de saúde, e pegar o resto da medicação para ser tomada durante 28 dias, todos os dias.

Concluindo o uso da cartela que possui em casa, o paciente volta à Unidade, toma a medicação supervisionada, e leva nova cartela da medicação, até o fim do tratamento quando ela está curada.

Caso apesente algum problema com o uso da medicação, é na Unidade que ele deve pedir orientação.

  • Blog da Saúde: Hanseníase mata?

Carmelita Filha: Não mata, mas traz deformidades físicas se não for tratada de forma adequada e precocemente.

  • Blog da Saúde: Por que as pessoas que possuem a doença são estigmatizadas?

Carmelita Filha: O principal fator são as sequelas, pois a hanseníase poderá causar deformidade física. A pessoa que tem o tipo multibacilar, que é o tipo que transmite, quando tem o diagnóstico tardio, tem mais chance de ter uma incapacidade física.

A micobactéria pode acometer os nervos periféricos dos olhos, mãos e pés. As pessoas que estão curadas, não transmitem mais, mas são estigmatizadas pela aparência, e a gente não deve discriminar o próximo pelo que está vendo.

É uma pessoa como qualquer outra, apesar de alguns casos apresentarem algum tipo de sequela decorrente da doença. Assim, devemos evitar a discriminação com qualquer pessoa que tenha qualquer tipo de deficiência física.