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domingo, 18 de outubro, 2026

16 dias de ativismo contra violência de gênero começaram sábado (25)

27/11/2017 09h

Data marca o Dia Internacional para Eliminação da Violência a Mulheres; relatório do Pnud e da ONU Mulheres mostra que América Latina e Caribe é região mais violenta do mundo para mulheres

Rádio Onu

Deste sábado, 25 de novembro, Dia Internacional para Eliminação da Violência a Mulheres, e até o Dia dos Direitos Humanos, em 10 de dezembro, a ONU marca 16 dias de ativismo contra a violência de gênero.

O período busca mobilizar ação para acabar com a violência a mulheres e meninas em todo o mundo.

Não esquecer ninguém

Neste ano, os 16 dias de ativismo serão marcados com o tema geral de “não deixar ninguém para trás”, ou “não esquecer de ninguém”, princípio central da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Como em anos anteriores, a cor laranja estará presente em todas as atividades. Marcos e prédios famosos serão iluminados de laranja para chamar atenção global à questão da violência a mulheres e meninas.

Estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminada de laranja como parte dos 16 dias de ativismo para acabar cm a violência a mulheres. Foto: Unic Rio/Celio Duraes

Em um evento comemorando a data na quarta-feira, na sede da ONU, o secretário-geral, António Guterres, disse que é hora de promover a ação coletiva da comunidade internacional para acabar com a violência contra mulheres e meninas para sempre.

América Latina e Caribe

Também na quarta-feira, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, e a ONU Mulheres lançaram um relatório que faz um alerta: apesar de políticas para erradicar a violência de gênero, a América Latina e Caribe é a região mais violenta do mundo para mulheres.

O documento foi lançado no Parlatino, o parlamento regional, no Panamá, com mais de 120 legisladores. Segundo o relatório, o número de países com políticas nacionais de proteção às mulheres aumentou de 24, ou 74%, em 2013 para 31, ou 94%, em 2016. No entanto, a região continua sendo a mais violenta do mundo para as mulheres.

Em Nova Iorque, a ONU News conversou com a chefe da comunicação do Pnud na América Latina e Caribe, Carolina Azevedo.

“Isso é um dado muito importante do relatório porque ele faz um chamado, não adianta ter as políticas. O compromisso tem que ir da política à ação, por isso que ele foi lançado junto a parlamentares de toda a região. Ele fala isso, apesar dos avanços nas políticas nacionais, os dados são muito fortes. De acordo com o Observatório de equidade de gênero da região, o número de homicídios contra as mulheres, chamados femicídios ou feminicídios, está aumentando, na verdade. Duas de cada cinco mortes são resultado de violência doméstica”.

Além disso, o relatório afirma ainda que quase 30% das mulheres já foram vítimas de violência por parte de seu companheiro, e 10,7% foram vítimas de violência sexual que não do companheiro, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

Recomendações

“Para enfrentar o problema, o relatório recomenda abordar os problemas de proteção às mulheres num âmbito político mais alto, com mais investimento, enfoque mais integral, maior cooperação e mais cooperação entre as diferentes partes dos governos, no âmbito nacional, regional e também no âmbito local”.

O relatório defende: a criação de pactos sociais entre governos, setor privado e sociedade civil; planos nacionais em nível local e políticas com foco multidimensional; fortalecimento das ações de compensação às vítimas, especialmente aquelas que fortaleçam seu empoderamento econômico; e o trabalho com os homens, especialmente os jovens, para integrá-los como parceiros na luta para pôr fim à violência contra as mulheres.

Na entrevista à ONU News, a chefe da Comunicação do Pnud para América Latina e Caribe falou ainda sobre a questão da participação das mulheres nos Parlamentos.

“Isso é um dado empírico: quando você tem mais mulheres no Parlamento, as questões das mulheres são abordadas num âmbito mais elevado. A América Latina e o Caribe como um todo não estão tão mal se você comparar com outras regiões do mundo, é mais ou menos uns 23%, mas você tem disparidade entre os países. Por exemplo, o Brasil, é um dos países do mundo com menos proporção de mulheres no Parlamento”.

O lançamento do relatório do Pnud e da ONU Mulheres é parte da campanha “UNA-SE pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, que reúne vários organismos das Nações Unidas.

16 dias de ativismo contra violência de gênero começaram sábado (25)

16 dias de ativismo contra violência de gênero começaram sábado (25)