Estudos recentes sugerem que a melhora na dieta e as intervenções nutricionais podem ajudar a reduzir o risco, ou até mesmo impedir a progressão, de certos transtornos psiquiátricos
29/07/2019 11h30 – DN
Nutrientes dietéticos são essenciais para o bom funcionamento do cérebro e têm um profundo impacto na saúde mental. É cada vez maior o número de pesquisas apontando para o efeito prejudicial de dietas não saudáveis e deficiências nutricionais, e para a importância de uma dieta saudável – juntamente com suplementos nutricionais caso necessário – para manter e promover a saúde mental.
Estudos recentes sugerem que a melhora na dieta e as intervenções nutricionais podem ajudar a reduzir o risco, ou até mesmo impedir a progressão, de certos transtornos psiquiátricos. Outros estudos clínicos apóiam o uso de certos nutrientes, que influenciam uma gama de atividades neuroquímicas benéficas para o tratamento de transtornos mentais.
Entre os medicamentos nutricionais indicados para certos transtornos psiquiátricos estão ácidos graxos, ômega 3, zinco, magnésio, vitamina D e vitaminas B (incluindo ácido fólico). Outros compostos naturais, como aminoácidos, antioxidantes à base de plantas e microbióticos (derivados de alimentos fermentados) também são conhecidos por influenciar a saúde do cérebro.
Ômega 3
As gorduras poliinsaturadas (em particular os ácidos graxos ômega-3) têm um papel vital na manutenção da estrutura e função neuronal adequadas. Tomar suplementos de ômega-3 pode ser benéfico para tratar sintomas de depressão , depressão bipolar e transtorno de estresse pós-traumático. As gorduras ômega-3 podem ser encontradas em nozes, sementes e ostras, embora as maiores quantidades estejam presentes em peixes oleosos, como sardinha, salmão (especialmente o salmão real), anchovas e cavala.
Vitaminas B e folato
O corpo humano precisa de vitamina B para realizar certos processos celulares e metabólicos. Ela também desempenha um papel crítico na produção de uma série de substâncias químicas cerebrais. A deficiência de folato (B9) tem sido relatada em populações deprimidas e entre pessoas que respondem mal a antidepressivos.
Vários estudos avaliaram o efeito antidepressivo do ácido fólico (a forma sintética do folato) com medicação antidepressiva. Alguns mostram resultados positivos no aumento das taxas de resposta antidepressiva ou no início da resposta a esses medicamentos. O folato é encontrado em abundância em vegetais verdes folhosos, legumes, grãos integrais e nozes.
Aminoácidos
Os aminoácidos são os blocos de construção para a criação de proteínas, a partir das quais se formam os circuitos cerebrais e alguns aminoácidos dão origem a substâncias químicas moduladoras do humor. O triptofano, por exemplo, é necessário para criar a serotonina. Outro exemplo é a cisteína, um aminoácido à base de enxofre que pode se transformar em glutationa – o antioxidante mais poderoso do corpo. Os aminoácidos são encontrados em qualquer fonte de proteína, principalmente carnes, frutos do mar, ovos, nozes e legumes.
Minerais
Minerais, especialmente o zinco, o magnésio e o ferro, têm papéis importantes na função neurológica. O zinco é um elemento envolvido em muitas reações químicas do cérebro. É também um elemento fundamental que auxilia a função imunológica adequada. Sua deficiência tem sido associada ao aumento dos sintomas depressivos, e há evidências de que a suplementação de zinco melhora o humor em pessoas com depressão.
O magnésio também está envolvido em muitas reações químicas cerebrais e sua deficiência tem sido associada a sintomas depressivos e ansiosos. Já a deficiência de ferro está associada à ansiedade e a sintomas depressivos, bem como a problemas de desenvolvimento. Isto se deve, em parte, devido ao seu papel no transporte de oxigênio para o cérebro.
O zinco pode ser encontrado em carnes magras, ostras, grãos integrais, sementes de abóbora e nozes, enquanto o magnésio é abundante em nozes, legumes, grãos integrais, verduras e soja. Grandes quantidades de ferro podem ser encontradas em carnes não processadas e carnes orgânicas, como fígado, e em quantidades modestas em grãos, nozes e verduras, como o espinafre.


