Em terra de Saci, todo chute é uma voadora; em um universo digital, todo folclore é a garantia do saber de um povo.
A palavra folclore tem origem inglesa e é uma união das palavras folk, que em português significa povo, popular, e lore, cultura, saber. O folclore é dinâmico, é criado dia a dia pelo povo, é o conhecimento popular que se renova. Promover o folclore garante o saber de um povo.
O 7º Encontro do Folclore de Amambai, realizado pela Associação Cultural Amambaiense, referenda toda esta importância do saber do povo.
A iniciativa acontece nos dias 2 e 3 de setembro, na Estação Cultura, sede da entidade, uma organização não governamental formada por pessoas dispostas a doar seus tempos em prol da cultura.
A diversificada programação consta de atividades lúdicas, oficina de fotografia Lambe Lambe, torneio de truco, música, muita música, palestras e manifestações culturais da região fronteiriça do estado de Mato Grosso do Sul.

Dilcelia Gabardo Eicke é a presidente da Associação Cultural Amambaiense. Ela fala sobre o Encontro do Folclore: É um grandioso evento que busca reviver tradições e culturas, é a oportunidade de apresentar para esta geração tão envolvida com tecnologia as cantigas, histórias e contos de nossos pais e avós. “As brincadeiras e travessuras do Saci, as pegadas de rumo estranho do Curupira, a mula sem cabeça, o boitatá, o encanto da Iara! Jogos como sortija, brincadeiras e danças também alegram nosso evento! Por que não recordar, apresentar e divertir-se com Toro Candil?
Quer cultura e tradição mais rica e regional que esta? Isso é o Encontro do folclore.”, instiga Dilce.
Erva Mate
Duas palestras abordam o cultivo de erva mate no estado de MS, período importante para o desenvolvimento da região. Abdo Mariano, um dos palestrantes, vivenciou a vida nos ervais. “Antigamente, a erva mate era produzida pela mão de obra principalmente de indígenas e paraguaios. O mineiro, como era chamado este trabalhador, saía do seu ranchinho muito de madrugada e ia até o erval num local previamente escolhido e ali ele cortava os galhos dessa árvore, desfolhava e arrumava no raído que seria transportado por ele na suas costas até o local da ranchada, ali ele largava o raído que era pesado pelo capataz e anotado o peso numa livreta”, conta Abdo. Destaca que o mineiro tinha a função de colher e transportar o seu raído, que chegava a pesar até 300 kg.

A Sortija
É a festa mais tradicional em Amambai, com sua origem em meados dos anos 60, onde era realizada no dia 8 de dezembro, em homenagem ao dia de Virgem de Caacupê, a padroeira dos povos paraguaios.
A brincadeira discorre da seguinte maneira: cavaleiros disputam uma corrida em que se deve alcançar o arco enfeitado, onde se encontram as sortijas (argolas finas, em espanhol). De posse de uma vareta, com aproximadamente 50 centímetros, cada cavaleiro tenta pegar do arco o máximo de argolas possível. A cada argola conquistada, um lenço colorido é amarrado aos apetrechos do cavalo. Ao final da disputa, declarava-se vencedor o cavaleiro que possuir maior número de lenços coloridos amarrados ao arreio do cavalo.

Brincadeiras nada digitais
Pandorga, bolita, bola de meia, trompo araçá, roda no arame, pula corda, bambolê, telefone de lata e pernas de pau e de lata farão a diversão da gurizada e, por que não, dos adultos. Brincadeiras tradicionais que estão perdendo espaço para os eletrônicos e digitais.

No domingo, 3, as 8h, sete gaiteiros estarão reunidos no Espaço Cultura.
Conheça a programação
Dia 2 de Setembro / Sábado
*9h
Oficina de Fotografia Lambe Lambe
Com Cássia Xavier, Gustavo Falqueiro e Maurício Sapata
Vagas limitadas
Inscrições: (67) 3481-2676
*10h
Festival de pandorgas
Bolita
Bola de meia
Texto: Viviane Viaut


