Os europeus têm os níveis mais baixos de confiança nas vacinas
20/07/2019 11h10 – DN
Os brasileiros estão entre as pessoas que mais acreditam na importância da vacinação no mundo, segundo uma recente pesquisa divulgada pela Wellcome Trust. No estudo, o primeiro a nível global sobre o tema, 97% dos brasileiros disseram concordar com a importância de que as crianças sejam vacinadas. Os europeus têm os níveis mais baixos de confiança nas vacinas e, globalmente, 79% das pessoas acreditam que as vacinas são seguras, enquanto 84% disseram que elas são eficazes
O estudo constatou que as pessoas que vivem em países de alta renda têm menor confiança nas vacinas, um resultado que coincide com a ascensão do movimento anti-vacina, formado por grupos de pessoas que se recusam a acreditar nos benefícios da vacinação ou consideram a prática perigosa.
“Ainda que as evidências científicas da eficiência e segurança das vacinas sejam abundantes e estejam ao alcance da maioria das pessoas, existem muitos grupos que questionam os programas de vacinação e optam por não vacinarem seus filhos”, conta Lucas Coppi, coordenador do site cantinhodospapais.com.br
A chamada “hesitação vacinal” foi classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma das maiores ameaças à saúde mundial.
A França tem os níveis mais baixos de confiança: um terço dos franceses (33%) não acredita que a imunização seja segura, de acordo com a pesquisa que consultou mais de 140 mil pessoas em 144 países.
No extremo oposto da França, Bangladesh e Ruanda têm os mais altos níveis de confiança, com quase 100% em ambos os países, onde as pessoas acreditam que as vacinas são seguras, eficazes e que é importante que as crianças sejam vacinadas
Os níveis mais baixos de confiança, a nível global, em relação às vacinas ocorreram na Europa Ocidental, onde mais de um quinto (22%) das pessoas não concordam que as vacinas são seguras, e na Europa Oriental, onde 17% não as consideram eficazes.
Estima-se que 169 milhões de crianças não receberam a primeira dose de vacina contra o sarampo entre 2010 e 2017, de acordo com um relatório da ONU divulgado em abril. Só nos Estados Unidos, o número de casos dessa doença ultrapassa mil somente neste ano, segundo os últimos dados oficiais.
Uma das possíveis causas dos baixos índices em países desenvolvidos é o chamado “efeito complacência”: como as doenças já estão quase erradicadas nestes países, a necessidade de vacinação pode parecer menos necessária e mais perigosa. E, em caso de doença, as riscos de morte são baixos, já que os sistemas de saúde são de qualidade.
O contrário acontece nos países com altos índices de confiança: como esses são lugares onde há mais doenças infecciosas, as pessoas sabem o que pode acontecer se não forem vacinadas.
Diferença de gênero
O relatório também encontrou uma lacuna global de gênero: 49% dos homens disseram conhecer “algo” ou “suficiente” sobre ciência, em comparação com 38% das mulheres. O hiato de gênero foi registrado mesmo quando homens e mulheres relataram o mesmo nível de desempenho científico e foi maior na região norte da Europa.
A Wellcome disse esperar que suas descobertas dêem aos governos uma base para monitorar como as atitudes mudam em cada país e ajudar a desenvolver novas políticas, particularmente em relação à vacinação, já que os recentes surtos de sarampo mostram que a imunidade coletiva não pode mais ser tida como garantida.


