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Douradense lança hoje livro sobre os segredos da guerra do Paraguai

01/08/2014 14h30

Fatos inéditos a respeito do conflito que envolveu quatro nações estão em livro que será lançado nesta sexta-feira, dia 1º de agosto

Douradosagora

Depois de dez anos de pesquisas, a historiadora Maria Teresa Garritano Dourado relata detalhes ainda desconhecidos sobre uma guerra que marcou gerações na América Latina. As revelações a respeito do conflito que envolveu quatro nações estão no livro ‘A História Esquecida da Guerra do Paraguai – Fome, doenças e penalidades’, que será lançado nesta sexta-feira, às 20h, na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) – Unidade I.

Segundo Maria Teresa, a obra discute fatos fundamentais ocorridos durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), que no dia 1º de março deste ano completou 150 anos. “A fome, a doença e os crimes que os soldados enfrentaram durante todos os anos da Guerra, se tornaram comuns em detrimento dos problemas das lutas de um campo de batalha. São verdades que ficaram escondidas no tempo”, explica.

De acordo com a autora, o que está sendo proposto é um novo olhar. “É uma análise vista através da História Social e que procura dar visibilidade aos soldados e marinheiros imperiais, maioria absoluta dos contingentes do Exército e da Marinha e que estavam despreparados”.

A História Esquecida da Guerra do Paraguai resgata personagens que praticamente foram colocados à margem da sociedade. “Na capital do Império do Brasil e em outros portos das duas capitais aliadas, Buenos Aires e Montevidéu, soldados recém-convocados, feridos e doentes transitavam sem qualquer orientação sobre cuidados sanitários e vacinação, disseminando doenças a milhares de outros soldados e civis, nos campos de batalhas e nas cidades para onde eram levados para tratamento”, relata um dos trechos do livro.

Com base em estudos aprofundados de documentos encontrados no Arquivo da Marinha, no Rio de Janeiro, em Cuiabá, Campo Grande, Assunção e Montevidéu, Maria Teresa traz à tona alguns acontecimentos desconhecidos e até mesmo ignorados. Um desses momentos é a Coluna do tenente João de Oliveira Mello. O oficial, com 27 anos de idade, saiu de Corumbá até Cuiabá, acompanhando mais de 300 fugitivos da guerra. “A Coluna Mello era formada por mulheres, crianças e velhos”, destaca a pesquisadora. Ela ressalta que as fontes documentais encontradas no Arquivo da Marinha, registram a presença de ajudantes de marinheiro, com apenas 12 anos.

A obra, impressa pela Editora UFMS, é fruto da tese de doutorado da professora aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e bolsista de Desenvolvimento Científico Regional (DCR), da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect). A publicação do livro está sendo realizada através de recursos do Fundo de Investimentos Culturais de MS (FIC) e da Fundação de Cultura.

“Meu grande sonho enquanto professora é ver esse assunto inserido nos livros didáticos e paradidáticos do ensino fundamental e médio”, deseja a professora Maria Tereza. No próximo ano ela pretende publicar um material de apoio, “com linguagem apropriada para o público mais jovem”.

Foto: Hedio Fazan