Corretoras e casas de câmbio sofrem impacto da crise provocada pelo novo coronavírus; veja como elas estão atravessando a turbulência
O novo coronavírus vem abalando as economias do mundo todo desde o começo do ano. Porteiras fechadas, dólar nas alturas, pontos turísticos interditados e a exigência de isolamento social afetaram, principalmente, o setor de turismo.
E nem só hotéis, pousadas, agências de viagem e companhias aéreas foram impactadas pela mudança de comportamento forçada pela necessidade segurança sanitária. As casas de câmbio também estão sofrendo bastante desde que a crise foi desencadeada no Brasil.
As vendas de moeda estrangeira nessas entidades chegaram a cair 90% no pior momento da crise, entre abril e maio, quando boa parte dos países decretou a paralisação das atividades econômicas e a restrição severa para a locomoção terrestre.
Passado o susto inicial, foi possível dar algum respiro. Quando os turistas tiveram suas viagens canceladas, aproveitaram a alta do dólar para vender o que já haviam comprado, já que o conversor de moeda mostrava um bom ganho.
Mas as tímidas negociações não foram suficientes para recuperar o movimento do período pré-pandêmico.
À beira do colapso
Enquanto outros negócios ligados ao turismo tiveram acesso às linhas de crédito especiais para escapar da crise, as corretoras e casas de câmbio precisam remar sozinhas para sobreviver. De acordo com a Associação Brasileira de Casas de Câmbio (Abracam), no começo da pandemia o impacto na venda de dólar turismo foi avassalador: houve redução de até 95%.
A situação só não está pior porque as casas de câmbio ainda fazem envios de dinheiro para o exterior. Ainda há muitas famílias com filhos morando fora cujas remessas garantem um pequeno fôlego para essas empresas do setor.
O cenário é bastante preocupante porque as perspectivas de melhora são remotas. Com os casos da doença ainda bastante altos no Brasil, muitos países se recusam a receber brasileiros.
E o caminho inverso também não está como nos anos anteriores. Turistas estrangeiros, que poderiam ser a salvação nesse momento caótico, ainda estão temerosos de visitarem o país por conta da pandemia.
O Brasil registra mais de cinco milhões de casos e mais de 154 mil mortes pela Covid-19. Mesmo com o número de mortes caindo há algumas semanas, ele ainda é maior do que o de alguns países da União Europeia que enfrentam a segunda onda da doença.
Corretoras conseguem um respiro
Para as corretoras de valores a situação não é muito diferente. No entanto, há um fator que as coloca em um lugar mais privilegiado do que as casas de câmbio: as transferências internacionais.
Com o mercado inundado por dólares e o real consideravelmente mais barato, os investidores internacionais estão aproveitando para procurar as corretoras locais em busca de garantir as melhores taxas e evitar as oscilações.
O setor imobiliário é o que mais está movimentando os serviços de transferências internacionais nas corretoras brasileiras. Muitos estrangeiros aproveitam para comprar ações de construtoras, contribuindo para o bom desempenho do setor imobiliário durante a pandemia.
Previsões
O cenário futuro vai depender do ritmo de reabertura dos principais países procurados pelo turista brasileiro, como os Estados Unidos. No entanto, os profissionais do setor acreditam que uma vez que as fronteiras estejam liberadas a recuperação será rápida porque há uma grande demanda reprimida.
Os brasileiros ainda estão limitados quanto aos destinos internacionais. Embora já estejam abertas as fronteiras de mais de 60 países, a lista é dominada por aqueles pouco explorados como Eslovênia, Albânia e Kosovo.
Vale lembrar que mesmo com as fronteiras abertas, alguns desses países ainda exigem documentações que comprovem o bom estado de saúde do visitante. Outros determinaram 14 dias de quarentena obrigatória antes de o turista poder circular livremente pelas ruas.

