24/10/2014 10h40
“A sauna já deixamos de fazer a muitos anos. Hoje 99% dos nossos atletas só fazem banheira. Dessa forma o atleta fica menos desgastado”, completou.
ESPN
Em agosto, os holofotes se voltaram para o desafiante do cinturão e ex-campeão do peso-galo, Renan Barão. Na revanche contra TJ Dillashaw para recuperar o título, o brasileiro passou mal e desmaiou enquanto fazia banheira com álcool para perder peso e bater a balança na pesagem oficial do UFC 177.
O problema reacendeu a polêmica no mundo do MMA e volta à pauta essa semana. Afinal de contras, um companheiro de Barão tem uma missão para lá de importante no próximo sábado, mas, antes, precisa vencer a balança. José Aldo tenta manter o único cinturão do Brasil diante de Chad Mendes e aposta em uma técnica parecida com a do colega, mas com um diferença importante: nada de álcool na banheira.
“Não fazemos a banheira com álcool. A gente faz uma banheira normal, de água quente com creme ou sal grosso somente. No caso do Barão, estávamos usando às vezes com álcool, outras não. Como tinha esse tipo de álcool em Sacramento (EUA), que tem uma destilação muito grande, acabamos usando. Aqui no Brasil a gente nem tem esse álcool”, diz Dedé Pederneiras, treinador de Aldo e Barão.
“A sauna já deixamos de fazer a muitos anos. Hoje 99% dos nossos atletas só fazem banheira. Dessa forma o atleta fica menos desgastado”, completou.
Ainda de acordo com o técnico, Aldo é um atleta que precisa perder pouco peso: algo em torno de 8 kg. Na categoria peso-pena a balança não pode ultrapassar 65,8 kg, e o peso do manauara normalmente fica entre 74 e 75 kg. Para a luta, esse valor ainda é um pouco menor.
Ele é um atleta que luta em torno de 73 kg no máximo. Ou seja, seis, sete quilos a mais. É assim que gosta de lutar e se sente bem. Ele reclama muito de fazer a perda de peso. Mas por que não gosta, já que não tem dificuldade nenhuma para perder” revelou Dedé.
A entrevista exclusiva para o ESPN.com.br com Dedé e o parceiro de lutas e também treinador de José Aldo, Marlon Sandro, aconteceu 24 horas antes da pesagem oficial da luta, no hotel que a equipe está concentrada. Segundo os técnicos, o brasileiro precisava perder 3,5 kg até esta sexta-feira.
“Faltando 24 horas para a pesagem oficial faltam 3,5 kg para bater os 65,8 kg que a categoria exige. A preparação começou uma semana antes. Dia após dia, ele tem que bater uma quantidade de perda de peso para estar certinho na hora da pesagem”, disse Dedé.
Marlon Sandro credita o problema sofrido por Barão ao excesso de lutas que o atleta vinha precisando fazer, sem dar o descanso necessário ao corpo. Problema que José Aldo não tem enfrentado.
“Sempre fizemos banheira. O que aconteceu com o Barão foi uma fatalidade, que poderia acontecer com qualquer um. Acho que um agravante com o Barão é que ele estava tendo uma luta em cima da outra e às vezes o corpo reclama. E foi o que aconteceu com ele. Por isso que, depois de tudo que aconteceu, ele parou. Deu uma descansada. O Aldo não teve esse problema de fazer uma luta em cima da outra, então está indo bem na perda de peso. Está tudo tranquilo com ele”, analisou Marlon.
“Lógico que temos que precaver, não pode remediar. É melhor prevenir. Mas estamos mais cautelosos com certas coisas que comemos, com o que vamos beber, com os suplementos, essas coisas. Não que seja restrito, mas estamos mais cautelosos. Está tudo mais controlado. Esse cuidado não é só com o Aldo, mas com todos os lutadores da equipe. Lógico que cada um reage de uma forma. Tem coisas que acontecem que vem para o bem da equipe, das pessoas. Só assim podemos ver o que realmente tem que fazer”, completou.
Dedé segue a mesma linha e também acredita que o problema com Barão tenha sido uma fatalidade, exemplificando com números a questão.
“A gente acredita que tenha sido uma fatalidade. Na academia já treinamos atletas para lutarem 870 vezes e foi a primeira vez que aconteceu isso conosco. Por isso acreditamos que foi uma fatalidade. O Aldo já fez 25 lutas, sempre fizemos do mesmo jeito e nunca deu problema. O Barão tinha lutado 30 vezes e nunca tinha dado problema. Assim como todos os outros nossos atletas nunca tiveram nenhum problema”, argumentou Pederneiras.
Após uma semana sacrificante e de muita fome os lutadores geralmente comemoram suas vitórias – ou amargam a derrota – comendo. Marlon revelou que Aldo já disse que vai direto para uma churrascaria ou pizzaria, após a luta.
“A semana antes da luta é muito sacrificante por causa da perda de peso. Nessa preparação final o pior não nem ficar sem comida, é ficar sem beber. Então evitamos até de beber na frente dele. Depois que bate peso, aí é tranquilo. Pode comer bastante carboidrato, peito de frango. Mas a melhor parte é depois da luta. O Aldo já está falando que quando acabar quer ir para uma churrascaria ou pizzaria. Nessa hora a gente mete o pé na jaca mesmo. Depois da luta pode tudo” finalizou aos risos o fiel escudeiro e amigo de José Aldo, Marlon Sandro.


