03/02/2015 07h40
De 171 exames realizados em animais no mês passado, 33% deles deram positivo para a doença, segundo estatísticas do CCZ
Douradosagora
O número de casos de leishmaniose em Dourados coloca em alerta a população para redobrar os cuidados com a limpeza nos terrenos e residências. De 171 exames realizados no teste rápido em cães no mês de janeiro pelo Centro de Controle e Zoonoses (CCZ) 57 deram positivos, sendo encaminhados ao laboratório Central (Lacen), em Campo Grande, para uma segunda confirmação. Nenhum humano foi diagnosticado com a doença em 2015, mas no ano passado oito adquiriram e foram curados. Em 2013 uma pessoa morreu.
De acordo com estatísticas do CCZ, de 3.207 exames realizados em cães no ano passado, 657 deram positivo. Os bairros que concentraram a maioria dos casos em animais foram Jardim Água Boa, Izidro Pedroso, Vila Industrial, Jardim Colibri, BNH 4º Plano e Santo André. Já as oito pessoas que contraíram leishmaniose moravam na Vila Valderez, Vila São Braz, Jardim Independência, Jardim Santa Maria, Altos do Indaiá, Jardim dos Estados, Jardim Rasslem e Jardim Cuiabazinho.
A coordenadora do CCZ, a bióloga Rosana Alexandre da Silva, alerta a população a sempre manter os quintais limpos, para ajudar no combate de doenças como leishmaniose, dengue, chigunguia, além de evitar animais peçonhentos e roedores. De acordo com ela, as principais maneiras de combater a proliferação dos agentes causadores das doença, que é o mosquito, é evitar a criação de porcos e galinhas em áreas urbanas; e manter a casa e o quintal limpo livres da matéria orgânica, recolhendo folhas de árvores, fezes de animais, resto de madeira e fruta. Todo esse lixo deve ser embalado e fechado em sacos plásticos.
Sintomas
Os principais sintomas da doença nos cães são um maior crescimento das unhas, lesões em pontos das orelhas, lesões cutâneas e emagrecimento. Nos humanos, as primeiras características são lesões ulcerativas externas. Sem o tratamento correto a leishmaniose pode levar à morte. Não existe raça mais propícia a ter a doença, o risco é por igual e a melhor solução para combater é a prevenção.
A vacina contra leishmaniose, disponível apenas para venda em clínicas particulares, também é uma das principais formas de evitar a contaminação dos cães. Ela é dividida em três doses a cada 21 dias e uma anualmente que garantem a imunidade, mas antes disso é preciso se certificar que o animal não já esteja infectado. A reportagem entrou em contato com algumas clínicas em Dourados e encontrou o preço da dose da vacina a partir de R$ 100.
A bióloga explica que um cão pode ficar infectado com a doença por vários anos sem apresentar sinais clínicos. “A única forma de detectar a doença é através de exame laboratorial”, diz Rosana da Silva. O CCZ faz o exame de forma gratuita. Diagnosticado a doença no cão, uma contraprova é feita no Laboratório Central (Lacen) em Campo Grande.
Eutanásia
A palavra cura ainda é complexa quando se fala em animais infectados com leishmaniose. Embora exista tratamentos no mercado, o Ministério da Saúde, segundo Rosana, indica a eutanásia como a principal solução. “Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a leishmaniose visceral não eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos cães, no entanto, no Brasil o homem não tem importância como reservatório, ao contrário do cão que é o principal reservatório do parasito em área urbana. Portanto, nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém os mesmos ainda continuarão como fontes de infecção para o vetor, e, portanto um risco para saúde da população humana e canina”, explica a bióloga coordenadora do CCZ.


