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sábado, 17 de outubro, 2026

Para a polícia, agora, Gabriela está morta

15/04/2015 13h10

Até ossada ser achada ao lado de materiais da menina, delegado suspeitava que ela fugira com namorado

Jornal A Cidade

Agora, 25 dias depois do desaparecimento de Gabriela da Silva, de 12 anos e de uma ossada humana ser encontrada ao lado dos materiais escolares e de uma blusa da adolescente, a Polícia Civil de Ribeirão Preto trabalha publicamente com a hipótese de ela ter sido assassinada.

Para confirmar que os ossos são da menina, desaparecida desde o último dia 17 de março, a polícia aguarda exame de DNA dos restos mortais – o que pode levar até 30 dias.

Antes do corpo ser encontrado, na tarde de domingo, o delegado Cláudio Sales Júnior, da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e responsável pelo caso, sustentava a tese de que a menina havia fugido com o namorado, apesar de a família refutar essa hipótese.

Em ao menos duas entrevistas ao A Cidade, o delegado foi contundente ao afirmar que não se tratava de um caso de desaparecimento. “É um caso de uma pessoa que não quer ser encontrada”, afirmou nos dias 21 e 27 de março, dizendo estar embasado em um depoimento da mãe.

Segundo o delegado, agora o “suspeito natural” do crime é o padrasto da garota, o pedreiro Salustiano da Conceição, de 34 anos, que nega a acusação.

O A Cidade apurou que, em depoimentos aos policiais, a mãe de Gabriela, Liliane Aparecida, de 30 anos, relatou que era agredida com frequência pelo companheiro, que seria usuário de cocaína. A filha, segundo ela, não gostava do padrasto.

Ontem à tarde, o casal foi ouvido novamente. Ambos disseram pela primeira vez, segundo o delegado, que um homem os estaria ameaçando e foi visto no bairro onde moram, no Jardim Progresso, dias antes de Gabriela desaparecer.

“A colaboração do casal vem à conta-gotas e repleta de contradições, o que tem atrapalhado nosso trabalho de investigação”, diz o delegado. “Mas não descartamos nenhuma hipótese, iremos investigar tudo”, ressalta.

No domingo, após atestar que a mochila e as roupas encontradas ao lado da ossada eram de Gabriela, Liliane relatou aos policiais que o companheiro, há cerca de seis meses, teria acariciado as nádegas da filha. Ele nega.

A ossada foi achada num canavial na rodovia Mario Donegá em estado avançado de decomposição. A menina teria sido morta logo após o desaparecimento.

‘Gabriela não gostava dele’
A relação de Gabriela com o padrasto, segundo a mãe da garota, não era boa.

Pouco antes de ela desaparecer, ambos tiveram uma discussão sobre se a menina teria um namorado. Por conta disso, ela avançou no padrasto e tentou até enforcá-lo. “Ela não gostava dele”, diz Liliane Aparecida, mãe da garota

O principal motivo é que o padrasto agredia constantemente a mãe e Gabriela tentava defendê-la. A jovem, segundo ela, jamais sofreu agressões.

Cerca de dez dias antes do desaparecimento da garota, a mãe e os dois filhos do casal se mudaram da casa onde viviam com Salustiano, justamente devido às brigas.

Porém, de acordo com Liliane, o companheiro comprava tudo o que a garota precisava. “A sapatilha que ela usava quando desapareceu foi um presente dele”, afirma.

Apesar de informar aos policiais que a filha teria sido assediada pelo companheiro, Liliane acredita que ela não sofreu abusos. “Teria me contado, com certeza”, diz.

A mãe também afirma não desconfiar que Salustiano tenha assassinado Gabriela.

Padrasto diz ser inocente e quer pegar assassino
Ao saber na noite de domingo que a ossada de Gabriela teria sido encontrada, Salustiano da Conceição teve uma crise de choro e, inclusive, vomitou.

Para se acalmar, teve que tomar remédios. “Você vai tomar conta de seu irmãozinho aí no céu”, dizia o padrasto, de acordo com a mãe da menina, em referência a um filho do casal, que morreu há dois anos por problemas de saúde.

Salustiano nega ter matado a garota e quer a prisão do criminoso. “Eu sei que minha consciência está tranquila, mas quem foi capaz de fazer isso com uma garotinha pode matar de novo”.

O padrasto também nega ter assediado sexualmente a garota. “Jamais faria isso, é como uma filha para mim”. Ele diz ter medo de ser espancado devido à suspeita de que teria assassinado a jovem. “Estão espalhando muitos boatos.”

Foto: Arquivo pessoal