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sábado, 17 de outubro, 2026

O assassinato do rei e os direitos dos animais

11/08/2015 15h

Em muitos países do continente africano, a caça é liberada fora das áreas de proteção, havendo, inclusive, reservas específicas para a prática

Andre mansur

O caso do leão Cecil, que foi morto em caça esportiva no Zimbábue, gerou revolta coletiva na internet em todo o mundo. O dentista americano Walter Palmer, autor da ação, já tinha no histórico caçadas indevidas, tendo sido submetido ao pagamento de multa. Mas dessa vez, a brincadeira foi com um animal monitorado em uma área de proteção, cuja rotina servia de objeto de estudo para grandes biólogos em importantes pesquisas. Além de ser um exemplar de grande utilidade para a ciência, Cecil era o animal da espécie mais fotografado e visitado por turistas. Um verdadeiro rei da selva, com muita pompa e admiração.

Em muitos países do continente africano, a caça é liberada fora das áreas de proteção, havendo, inclusive, reservas específicas para a prática, as quais promovem a procriação de animais selvagens em cativeiro para que, quando adultos, atuem como presas. No caso de Cecil, o animal foi atraído para fora da área protegida, e então, foi abatido.

Indignados, americanos iniciaram uma campanha solicitando a extradição do dentista para o Zimbábue, a fim de que seja julgado de acordo com as leis do país onde o suposto crime aconteceu. Não se pode afirmar que a ação de Palmer foi de fato criminosa, em vista de ter ocorrido em uma área permitida para caça. Porém o caçador tinha apenas o visto de turista, e nenhuma autorização para prática de caça a animais selvagens.

Consta na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, artigo 3o:

a) Nenhum animal deverá ser maltratado e submetido a atos cruéis.

b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.

Eis então a pergunta: Em que ponto a morte de um animal se torna necessária quando os fins vão além da alimentação humana (com todo o respeito e compreensão aos leitores veganos!)? Há quem defenda a caça esportiva em prol da movimentação financeira gerada, além de, supostamente, promover um controle da espécie, quando, em alguns casos, o animal oferece risco a outros grupos de semelhantes. Em tese, a caça esportiva em si já fere os direitos do animais decretados em âmbito universal pela ONU, mas perde força quando a regência interna de um país abre espaço para a ação. Em relação ao leão Cecil, o animal passou horas agonizando, até ser morto com tiros na cabeça, tudo para que fosse exibido como um troféu.

No Brasil a caça de animais também é proibida, e como no Zimbábue, existem reservas específicas que proporcionam a atividade de maneira limitada. Mesmo assim, o caçador deve portar o documento que o licencia para a prática, que deve ser monitorada. A pena para o descumprimento da lei vai de 3 meses a 1 ano de prisão.

Daniella Mota

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