20 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

Saúde pagou R$ 193 mi por máscaras antecipadas e não comprovou recebimento


source
Prédio do Ministério da Saúde
Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Prédio do Ministério da Saúde


O Ministério da Saúde gastou R$ 193,4 milhões na compra antecipada de máscaras durante o auge da pandemia, mas não comprovou o recebimento dos produtos. O pagamento foi feito a uma empresa intermediária que fornecia máscaras chinesas.

Segundo informações da Folha de S. Paulo, a falta de comprovação da entrega foi apontada em um relatório de auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU). Os registros indicam que o documento foi concluído no dia 4 de agosto e inserido no sistema no dia 22 de setembro.

A publicação pontua que as máscaras foram compradas pelo governo federal em abril do ano passado, auge da primeira onda da pandemia de Covid-19. No total, o contrato foi de R$ 691,7 milhões, assinado com a Global Base Development HK Limited, de Hong Kong, e com a 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora, empresa brasileira que representou a Global Base no negócio.

Leia Também

Por meio desse acordo se previa a aquisição de 200 milhões de máscaras cirúrgicas e 40 milhões de máscaras KN95. Foi desse segundo modelo, inclusive, que saíram as máscaras impróprias para profissionais de saúde, posteriormente destinadas para uso comum.

Uma auditoria da CGU identificou 15 lançamentos sem documentos que confirmem o recebimento das máscaras, o que impediu a conclusão sobre baixas contábeis que chegam a R$ 193,4 milhões. Já a 356 Distribuidora, responsável por representar a Global Base, disse ao jornal que os produtos foram entregues ao governo. “Todos os procedimentos foram realizados de acordo com critérios definidos pelo próprio Ministério da Saúde. A documentação comprovando a entrega da mercadoria segundo as exigências do ministério está devidamente armazenada pela 356 Distribuidora”, frisou.

Por parte da Saúde, o contrato foi assinado por Roberto Ferreira Dias, que ocupava o cargo de diretor do Departamento de Logística na pasta. Ele foi demitido após se tornar suspeito de ter cobrado propina para intermediar um contrato de compra de vacinas.