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domingo, 18 de outubro, 2026

Redes sociais inflamam ira palestina e onda de violência

11/10/2015 08h

A Polícia abriu uma nova unidade de cibersegurança em árabe para vigiar as redes

EFE

Os vídeos e imagens que percorrem as redes sociais, além de mostrar uma realidade nunca vista, inflamam os ânimos palestinos e alimentam uma onda de violência que entrou neste sábado em seu décimo dia consecutivo e na qual já morreram quatro israelenses e 20 palestinos.

Esta semana, Israel exigiu de Facebook e YouTube que não permitam a divulgação de vídeos que, segundo o porta-voz das Relações Exteriores, Emmanuel Nahson, “exortam a atacar israelenses” ou incitem o “ódio” em relação aos judeus e ao “derramamento de sangue”.

Além disso, a Polícia abriu uma nova unidade de cibersegurança em árabe para vigiar as redes, após comprovar que vários autores de ataques tinham anunciado lá suas intenções, segundo a agência “Maan”.

“A influência das redes sociais sobre o que está acontecendo é enorme. Todos estamos conectados, acompanhando o que acontece na hora”, explicou à Agência Efe Samer, um palestino que acrescenta que “logo após a publicação de vídeos dos ataques e execuções” vêm rios de críticas, denúncias e, às vezes, insultos ou instigação à violência.

Um dos casos mais famosos foram as imagens que mostravam como a Polícia deu sete tiros em um jovem de 19 anos, Fadi Alun, rodeado de dezenas de ultra-ortodoxos e que foi acusado de um apunhalamento, fato que seus conhecidos negam.

“As imagens que demonstram que estava desarmado e foi executado circularam como pólvora”, disse Samer. Na rede podem ser vistos até três vídeos de diferentes ângulos.

Outras imagens virais são as que mostram como sete policiais rodeiam uma palestina com uma faca em Afula (norte de Israel) e atiram contra ela e as da detenção da suposta autora de um apunhalamento na Cidade Antiga de Jerusalém, de 18 anos.

Pela internet também circulam fotos que mostram como forças israelenses empurram e jogam no chão mulheres palestinas, ou grupos de judeus na Esplanada das Mesquitas protegidos por forças de segurança.

Também não faltam imagens de manifestações de israelenses de extrema direita, nas quais gritam “Morte aos árabes!” e afirmam “Árabes terroristas!”

De um ataque com faca perto de Tel Aviv, se pode ver como o autor é detido por transeuntes e atacado, enquanto se ouve em hebraico “Matem-no”.

Também são virais mensagens e vídeos do Hamas, da Jihad Islâmica e de outros grupos ou indivíduos pedindo violência, um dos últimos com um xeque em uma mesquita de Gaza durante um sermão mantendo uma faca apontada para cima e pedindo “vingança”.

Muitos comentários na internet denotam ódio e alguns contêm mensagens antissemitas.

“Os judeus serão destruídos, está escrito em todo livro sagrado”, escreveu Ahlan Yousef em uma página do Facebook que mostrava fotos de agressões israelenses, enquanto outro afirmou: “Os israelenses são pessoas doentes”.

Também são muitas as caricaturas, de filmes com imagens de facas, por exemplo sobrepostas a fotos de grupos claramente judeus, ou o símbolo de “Curtir” do Facebook segurando uma faca.

“Nos vídeos de distúrbios se vê como os soldados batem em garotos desarmados que só têm pedras. É uma violência desmedida, com surras em adolescentes quando estão no chão imobilizados”, se queixou outro palestino, que pede anonimato.

As imagens espalham um sentimento de frustração e de raiva que, para muitos, poderia alimentar ataques dos denominados “lobos solitários”, em geral palestinos muito jovens que apunhalam na rua colonos, judeus religiosos e soldados.

“As redes sociais definitivamente estão tendo um papel. O povo vê coisas que antes não via, a imprensa já não é a única fonte”, disse a Efe Rania Zabaneh, analista de redes sociais.

“Sobretudo os jovens, veem a injustiça várias vezes e isto tem um efeito evidente em promover a raiva”, assegurou Rania.

Para Xavier Abu Eid, porta-voz da OLP, as imagens “evidenciam a injustiça com a qual se está trabalhando. Está havendo claras execuções de palestinos por Israel”.

Segundo ele, aqui já conheciam esta realidade, mas agora “ver como as provas são reveladas e não há resposta da comunidade internacional – que condena só a violência palestina – evidentemente aquece os ânimos”.

A consultora de comunicação Nour Odeh acredita que a informação divulgada “tem um papel muito importante. Pela primeira vez neste conflito o mundo está vendo, quase ao vivo, por exemplo, o quanto são fanáticos os colonos”.

“Os vídeos também têm um efeito muito poderoso sobre os palestinos. Estão aborrecendo muito a juventude, o que deriva em uma maior disposição a fazer ataques”, opinou Nour.

Ela afirma que a incitação nas redes sociais corre das duas partes, porque “também podem ser vistas centenas de páginas que zombam dos palestinos, instigam contra eles e defendem a necessidade de atirar neles em vez de detê-los”.