17/11/2015 18h
A história de um empresário de Ponta Porã que criou e formou os filhos com muito trabalho em sua tradicional pastelaria
JN Noticias
Quem não conhece o Kelly Lanches? Alguns até podem até dizer que não, mas é só falar em pastelaria do Cid, não tem erro, todos conhecem. A grande maioria dos moradores de Ponta Porã já passou por lá. O local é há 26 anos, parada quase que obrigatória para muitos saborearem um bom pastel. Logo pela manhã, em um café saboroso e reforçado para enfrentar o dia de trabalho no comércio local.
Mas história de Cid Canto começa muito antes da Pastelaria Kelly. Essa semana a esposa de Cid Canto, Otildes Albuquerque “Dona Negra”, recebeu a equipe do JN Notícias para contar um pouco da história do casal que formou três filhos graças ao trabalho na pastelaria.
Dona Negra conta que Cid Canto começou a trabalhar no Urca Bar aos oito anos de idade no início da década de 60. Para quem é mais novo, pode não se lembrar do Urca Bar, localizada em frente a Praça Presidente Dutra, os mais antigos sabem e lembram com saudade. Foi ali que tudo começou. Cid trabalhou ali por muito tempo e foi lá que a estudante do magistério da Escola Adê Marques, conheceu Cid aos 15 anos, quando iniciaram o namoro que acabou em casamento três anos depois. Como sempre se dedicando ao trabalho, Cid foi se empenhando até comprar o Urca Bar do antigo proprietário e passou a trabalhar com a esposa.
Com o tempo vieram os filhos e a mudança de local ocorreu depois que o casal comprou um novo prédio no quarteirão ao lado. Mas a mudança não foi imediata e o Urca Bar continuou sendo o mais famoso ponto de encontro em Ponta Porã, ainda em frente da Praça Presidente Dutra por um bom tempo.
Por volta do final da década de 70, a Pastelaria mudou de endereço e está no mesmo local há 36 anos. O nome do estabelecimento mudou e passou a se chamar Pastelaria Kelly, em homenagem ao mascote da família, uma cadela pequinês.
Segundo Dona Negra, o trabalho começava cedo e o movimento também, já que muita gente fazia sua refeição matinal na pastelaria antes de ir ao trabalho. “Começávamos o dia bem cedinho. Era só abrir e já tinha gente chegando. O pessoal tomava o café aqui para ir ao trabalho. O movimento era sempre intenso nas primeiras horas da manhã e continuava durante todo o dia”.
Dona Negra lembra com satisfação que através do trabalho na pastelaria, Cid formou dois filhos em medicina e o mais novo também segue o mesmo caminho, se forma em medicina no final deste ano. Os irmãos Canto, Clóvis e Marcelo se formaram no interior de São Paulo, Marcelo além de medicina é formado em curso de Farmácia. O filho mais novo, Astúrio é formado em fisioterapia e está concluindo o curso de medicina em 2015.
“É gratificante ver os filhos se formando graças ao nosso trabalho. Os meninos estão praticamente todos formados e eu o Cid temos a satisfação de dizer que conquistamos tudo com o nosso trabalho. Os filhos mais velhos se formaram em medicina em Bragança Paulista e nós tivemos a felicidade de mantê-los na faculdade até se formarem. Uma benção para nós que tínhamos como objetivo a formação de nossos filhos. O caçula já é formado em fisioterapia, mas também resolveu ingressar em medicina e já neste ano vai concluir o curso”, afirmou.
Com o Urca Bar e Kelly Lanches, já são mais de 50 anos atendendo a comunidade fronteiriça e por causa de uma doença grave de Cid, um ciclo de meio século deve acabar. Acometido pelo mal de Alzheimer, Cid Canto teve que parar de trabalhar e Dona Negra passa o tempo cuidando do marido e diz que pretende seguir com a atividade ainda por algum tempo, mas que deve parar. “Não pretendo continuar por muito tempo. Vou até onde Deus quiser.
Essa atividade na pastelaria era a vida do Cid e eu a exemplo dele gosto muito do que faço. Formamos nossos filhos, fizemos muitos amigos. As pessoas que frequentam e frequentaram nosso estabelecimento é como se fizessem parte da família, muitos fazem parte de nossas vidas. Infelizmente nada é eterno e é Deus quem manda o momento de parar. O Cid foi um pai exemplar, um dedicado e valoroso chefe de família, que com muito trabalho cumpriu sua missão com louvor.
Construiu uma história muito bonita em Ponta Porã e isso ficará guardado na memória de todos nós. O Cid pode estar muito debilitado pela doença. Mas sua marca, seu legado, vai ficar para sempre”, afirmou Dona Negra.
Texto: Ed Moreno






