12.8 C
Ponta Porã
sábado, 17 de outubro, 2026

Incontinência urinária é comum e pode atrapalhar sua vida social.

03/12/2015 16h10

Veja como tratar

Daquidali

No fim do mês de novembro, a atriz inglesa KATE WINSLET contou em uma entrevista ao programa de TV “The Graham Norton Show” que, depois de três gestações, ela desenvolveu incontinência urinária. “Com dois espirros, eu estou bem. Mas, no terceiro, é game over. É horrível, principalmente se você está usando uma saia”, revelou. A vencedora do Oscar teve coragem de falar abertamente sobre um problema BASTANTE COMUM para as mulheres, que afeta tanto suas vidas pessoais como profissionais.

Segundo a ginecologista FERNANDA PEPICELLI, especialista no tratamento da doença, apesar de a incontinência urinária ser frequente, ela NÃO É NORMAL. “Muitas mulheres sentem vergonha. Temos, na mentalidade cultural, de isso é normal com o avançar da idade, mas TEM TRATAMENTO. Elas deixam de ter relações sexuais por receio de deixar escapar na frente do parceiro ou mesmo deixam de sair de casa”, aponta.

OS TIPOS DA DOENÇA

De acordo com a ginecologista, incontinência urinária é toda perda de urina involuntária. Esses escapes podem acontecer de formas diferentes, e os especialistas usam estas peculiaridades para nomeá-las e tratá-las adequadamente.

INCONTINÊNCIA URINÁRIA POR ESFORÇO

Este é o caso de Kate Winslet. Quando a musculatura da uretra fica fraca, a ESFORÇO FÍSICO de uma tosse, um espirro, a execução de um exercício ginástico aumentam a pressão, provocando o escape. “É uma das mais comuns, principalmente em pacientes idosas e grávidas”.

Nas gestantes, a doença pode acontecer por conta das ALTERAÇÕES HORMONAIS TÍPICAS da condição. “A musculatura fica mais fraca, e o peso da barriga interfere. Passado o parto, geralmente, costuma melhorar. Se não, tem que fazer fisioterapia”.

Fernanda comenta que a primeira linha de tratamento é a FISIOTERAPIA VAGINAL. “Se não melhorar, faz-se uma cirurgia, via vaginal e minimamente invasiva. Ela não é dolorosa, mas a recomendação é que, depois dela, a paciente evite esforços físicos por três meses”.

No procedimento, é anexado ao corpo uma “telinha” de material sintético. “Como a MUSCULATURA FICA FRACA, a fisioterapia é fundamental até para não agravar”.

Segundo a fisioterapeuta DÉBORAH YAMAMOTO, especialista em tratamento da incontinência urinária e reabilitação do assoalho Pélvico em ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), depois de um mês de exercícios fortalecedores para o assoalho pélvico, é possível a ver os resultados. “Após três meses há uma reavaliação”.

A profissional conta que os exercícios terapêuticos fortalecem o assoalho pélvico e são realizados com a paciente sentada, deitada ou de pé. “Usamos eletroterapia, eletroestimulação e cones vaginais”.

INCONTINÊNCIA URINÁRIA POR URGÊNCIA

Nestes casos, a mulher sente uma VONTADE IMENSA de fazer xixi, entretanto, o escape ocorre antes que ela chegue ao banheiro. “Para urinar, a bexiga faz uma contração, e, aqui, ela acontece de forma involuntária. Então, temos uma medicação que vem para ajudar a não ter essa movimentação”, explica a ginecologista Fernanda, que aponta sintomas de boca seca como efeito colateral deste remédio.

Para quem sofre com a incontinência urinária por urgência, a fisioterapia também é indicada. Além do tratamento e acompanhamento médico, algumas mudanças nos hábitos de vida também se fazem necessárias. De acordo com a médica, um dos grandes vilões é o cigarro. “Elas precisam cortar o café, as bebida alcoólicas, os diuréticos em geral e alimentos ácidos, como a laranja e o limão”.

FOTO: WAVEBREAKMEDIA/ISTOCK