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Roberto Carlos processa homônimo por usar o nome próprio para trabalhar

09/05/2016 17h40

O profissional, que é autônomo, disse que a ordem judicial o proíbe de usar “Roberto Carlos” no nome da empresa e também no endereço do site na internet.

“Eu nunca fui em nenhum show do Roberto Carlos”, disse ao UOL o corretor imobiliário Roberto Carlos Vieira, 55 anos, que está sendo processado pelo cantor por usar “Roberto Carlos” em sua imobiliária. “O que eu posso fazer se eu tenho esse nome desde que eu nasci? E o nome nem foi dado em homenagem ao cantor, e sim ao meu pai”, completou.

O cantor entrou, por meio da Editora Musical Amigos LTDA, com o processo número 112383.2.59.2014.8.26.0100 na 15ª Vara Cível de São Paulo para que o corretor retire seu nome da imobiliária do qual ele é proprietário. “Um Oficial de Justiça me entregou a ordem mandando eu retirar o nome. Fiquei pasmo e surpreso”, disse Vieira. Caso não cumpra a decisão, foi estabelecida uma multa diária de R$ 1000.

O profissional, que é autônomo, disse que a ordem judicial o proíbe de usar “Roberto Carlos” no nome da empresa e também no endereço do site na internet. “Tive uma série de transtornos, perdas financeiras, tive que tirar meu filho da faculdade e estou devendo na praça. Não estou falido, mas estou passando perrengues. Como profissional liberal, tudo o que eu tenho é o meu nome, do qual eu sou conhecido desde que nasci”, revelou.

Bullying na escola

“Nunca relacionei o meu nome ao do cantor”, desabafou. Na escola, inclusive, ele não gostava da associação ao nome do artista. “Eu sofria bullying. Meus amigos sempre gritavam para eu cantar alguma coisa quando a professora fazia a chamada”, lembra. O corretor, que se considera um “péssimo cantor”, disse que a origem do nome vem do pai, que se chamava Antônio Carlos. “Todos na minha família têm Carlos no sobrenome. Até a minha irmã, Roseana”.

Vieira afirma que não tem condições de bancar uma briga judicial com Roberto Carlos, mas contratou um advogado para se defender. “Eu fico imaginando o que ele vai ganhar com isso? Estou decepcionado”, desabafou. “Ele é milionário e eu sou apenas um pobre mortal. Essas coisas poderiam ter sido resolvidas com um diálogo, mas me surpreendi ao ser abordado por um Oficial de Justiça”.

O nome do corretor, aliás, não poderia ser uma homenagem ao cantor já que em 1961, Roberto Carlos tinha apenas dois anos de carreira e ainda não era conhecido nacionalmente. De acordo com o censo de 2010, o Brasil tem 437.288 “Robertos” no país. A pesquisa não informa os nomes compostos, porém em 1970, durante o auge do sucesso de Roberto Carlos, ocorreu o recorde nacional de registros de “Robertos”, com 108.253 nascimentos.

Não é a primeira vez

O cantor já havia processado no ano passado outro corretor de imóveis, desta vez na Paraíba. O alvo na ocasião foi Roberto Carlos Dantas, dono de uma imobiliária desde 2009. O paraibano recorreu e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu em dezembro do ano passado que a ação movida era improcedente e que o nome “Roberto Carlos” não estava sendo usado de forma indevida. O cantor ainda foi condenado a pagar as custas processuais.

Procurada pela reportagem do UOL, a assessoria de imprensa do cantor Roberto Carlos disse que não iria se pronunciar sobre o caso.

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