Lançado no último dia 30 de junho, a obra infantil “Você já tem uma marquinha?” conta a jornada de Maria que, ao mudar de escola faz um novo amigo chamado Pedro, um garoto que possui uma marca que se estende do lábio até o nariz e tem um jeito de falar diferente dos outros colegas. Pedro explica para Maria sobre a fissura labiopalatina que tinha ao nascer e conta sobre as cirurgias necessárias pelas quais passou e ainda necessita passar.
O livro foi escrito pela odontopediatra, Karina Zecchin, que traz um olhar humanizado de quem já atuou em milhares de atendimentos a pacientes com fissuras labiopalatinas. “Você já tem uma marquinha?” detalha toda a rotina que Pedro tem com os profissionais de saúde que cuidam do seu caso com muita atenção.
Para acessar, baixar ou compartilhar, gratuitamente, o livro, basta acessar a biblioteca virtual da Fundação Educar.
As fissuras de lábio e palato são a anomalia craniofacial mais comum e têm prevalência em 1 a cada 650 nascidos vivos.
Desafios das crianças em tratamento de fissuras labiopalatinas
Logo após o nascimento, os bebês com fendas labiopalatinas enfrentam uma série de desafios. O primeiro refere-se a alimentação do recém-nascido, isso porque uma vez que não conseguem ordenhar a mama de forma eficiente, muitos bebês com fissuras labiopalatina têm escape de leite pela boca, entre outros problemas, razões pelas quais essas crianças alimentam-se, com frequência, por meio de copo aberto, mamadeira de colher ou até sonda nasogástrica em casos mais graves.
No período escolar, em virtude do comprometimento estético e funcional que as fendas labiopalatinas causam, muitas vezes, as crianças com essa condição tornam-se vítimas de bullying, tendo uma infância em um ambiente escolar que, por vezes, é um local hostil e de opressão, e que, portanto, não favorece o aprendizado exercendo um forte impacto emocional e social sobre a criança.
As fissuras labiopalatinas, com o passar do tempo, podem prejudicar diversas funções no paciente, por isso, as cirurgias craniofaciais para o fechamento do palato são feitas ainda nos primeiros anos de vida.
Além do surgimento de fístulas, isso é, uma nova fenda no local, outros fatores como o próprio desenvolvimento craniofacial podem fazer com que sejam necessários mais de um procedimento cirúrgico.
O paciente com fissura labiopalatina recebe um amplo suporte de uma equipe multidisciplinar, pelo menos, até os seus 18 anos de vida, com terapias com psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, entre outros profissionais.[1]

