10.3 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

CCZ registra 269 casos de leishmaniose em Dourados

27/09/2016 08h30

Uma média de sete animais são diagnosticados por semana, fora os exames feitos em clinicas particulares; uma pessoa foi infectada pela doença

O Progresso

Uma doença com sintomas silenciosos e com tratamento ainda proibido no Brasil, a leishmaniose vem fazendo várias vitimas entre a população canina, em Dourados. De acordo com dados do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) até setembro deste ano foram realizados 1225 exames, sendo 269 positivos. São, em média, sete animais diagnosticados por semana, fora os exames feitos em clinicas particulares. A leishmaniose é uma doença de transmissão vetorial, ou seja, somente é transmitida de animal para animal ou de animal para humano, por meio da picada do flebotomíneo. Não existe a possibilidade de transmissão direta do animal para as pessoas.

Segundo o médico veterinário do CCZ, Eduardo Arteiro Marcondes, recomenda-se o monitoramento constante dos cães em casa, para identificar a doença o mais precocemente possível. “O cuidado com o animal em casa é de fato muito importante, deve-se evitar que ele adoeça, levando o cão regularmente ao médico veterinário, mantendo-o saudável e bem alimentado, manter o local onde ele fica sempre limpo, usar coleiras, repelentes e com as vacinas em dia. Porém não é só isso, devemos ficar atentos, pois o mosquito se prolifera em materiais orgânicos em decomposição, ou seja, lixo. O melhor procedimento é a prevenção, cuidar e limpar do ambiente interno e externo das casas para evitar a presença do vetor”, disse.

O médico veterinário João Vicente Chencarek Junior demonstra grande preocupação com a doença já que, além dos animais que todos os dias são diagnosticados com a doença, uma cliente teve leishmaniose. “Me preocupo muito com os animais, mas como profissional preciso seguir o que o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e Ministério da Saúde recomendam, que é a eutanásia nos animais positivos e doentes. Mas, minha preocupação também é com o humano; tive uma cliente que pegou leishmaniose e sofreu muito, pois trata-se de uma doença zoonótica com grande morbidade, ou seja, alto índice de morte em pessoas infectadas, sendo que o próprio tratamento é lento e muito debilitante ao ser humano”.

De acordo com João Vicente existem formas de evitar a doença, como o repelente, coleira e a vacinação, porém esta é oferecida somente na rede particular e tem segurança de imunização acima de 90%. “O óleo que serve como repelente pode ser usado no animal a partir dos 25 dias de vida, já a coleira é indicada depois dos dois meses e a vacina somente depois de quatro meses completos, sendo três doses dadas a cada 21 dias”, disse o médico ressaltando a importância de vacinar o animal nas datas certas para que a vacina tenha o efeito necessário.

O CFMV divulgou neste mês de setembro uma nota de esclarecimento junto ao ministério da agricultura e não liberou os médicos veterinários para realizarem tratamentos em cães com leishmaniose. Dessa forma o medico veterinário que o fizer está sujeito a processo ético no conselho de veterinária.

O médico veterinário João Vicente Chencarek Junior demonstra grande preocupação com a doença (Foto: Hédio Fazan)