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sábado, 17 de outubro, 2026

Palocci era a ‘ponte’ entre governo e empreiteiros, diz Delcídio

01/11/2016 06h20

Ex-petista confessou esquemas de corrupção no governo

Correio do Estado

Senador Delcídio do Amaral, ex-líder do governo da presidente cassada Dilma Rousseff (PT), afirmou em novo depoimento prestado à força-tarefa da Operação Lava Jato, no dia 11, que o ex-ministro Antonio Palocci era a “ponte” com os empresários e tinha como prioridade “alimentar” as campanhas.

“Antonio Palocci tinha uma tarefa bem determinada: fazer a ponte entre o governo e os empresários, alimentar as estruturas de poder (as campanhas). Era a prioridade de Antonio Palocci”, afirmou Delcídio.

O ex-ministro sabia ao certo quem eram as pessoas com quem deveria discutir cada assunto, sem ampliar demasiadamente as conversas dentro do governo, afirmou Delcídio. Tido como forte do PT no governo e nas campanhas de Lula e Dilma, Palocci é acusado de ser o principal contato da Odebrecht – que negocia delação premiada com a Lava Jato – com negócios da União.

Além de defender interesses da empreiteira em contratos na Petrobras, ele teria defendido ilegalmente a aprovação de medidas no Congresso quando foi deputado federal. Em novo depoimento prestado, Delcídio disse que Palocci tinha um apartamento em Brasília, um duplex na Asa Norte, onde ele frequentemente recebia pessoas para contato, e que era muito discreto e fechado.

Preso pela Lava Jato em novembro de 2015, quando era senador e líder do governo, tentando comprar o silêncio do ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, o ex-petista foi cassado, virou delator e confessou os esquemas de corrupção no governo e apontou, entre outros, o envolvimento de Palocci.

Sem partido atualmente, Delcídio afirmou que conheceu Palocci em 2001, quando ele assumiu a coordenação da campanha presidencial de Lula. “Com a eleição de Lula, no ano de 2002, quando Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, consolidou sua posição forte, não apenas do Partido, mas também com os empresários. A partir daí, Antonio Palocci passou a ser o principal interlocutor do presidente Lula.”

Palocci foi demitido em 2006, em meio ao escândalo do mensalão e a CPI dos Bingos. Mesmo assim, Delcídio diz que Palocci continuou a ser uma pessoa muito influente no governo e que em 2010, com a eleição de Dilma, Lula indicou o ex-ministro da Fazenda para ocupar a Casa Civil.

Demitido após a descoberta do escândalo da compra de uma apartamento de R$ 6 milhões, em São Paulo, com dinheiro de consultorias milionárias para empresas, Palocci teria mantido sua influência no governo Dilma e os contatos com Lula.

Foto: Geovanni Gomes. Arquivo TopMídia News