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sábado, 17 de outubro, 2026

Sem apoio, Sete deve deixar de jogar a Série D

02/11/2016 09h30

Nas palavras do presidente, outra promessa implícita é a montagem de uma equipe ‘pé no chão’ para a disputa do Campeonato Estadual do ano que vem

O Progresso

O ano de 2016 está perto do fim e foi para o futebol douradense o resgate da alegria em poder contar com um time que fizesse frente as demais equipes do Estado. O Sete de Setembro de Dourados terminou campeão Sul-Mato-Grossense, desbancando Operário e Comercial nas fases finais e conquistando vaga na Copa do Brasil do ano que vem, e na Série D de 2016 e 2017. Competição nacional que, neste ano, foi palco para a melhor campanha da história de um time de Mato Grosso do Sul através do Sete.

Quando poderia pensar a nova esquadra para participar em 2017 do Campeonato Estadual, Copa do Brasil e Série D, a presidência do clube ainda sofre com o apoio prometido que não veio e anuncia, através do presidente Tony Montalvão, que o clube da maior cidade do interior de MS pode deixar de participar da edição da Série D no ano que vem, adiando a busca pelo acesso à terceira divisão nacional.

“Realmente. Estou com a carta de renúncia da Série D pronta, pois no início da temporada 2016 muitas coisas foram prometidas ao Sete de Setembro e não foram cumpridas. Eu fiquei com dívida salarial com jogadores e comissão técnica e, para que isso não acumule na próxima temporada, não iremos disputar a Série D e iremos fazer um time modesto para o Estadual”, disse ontem o presidente em exercício.

A carta pode ser entregue até dezembro, e caso o time não entregue o documento e deixe de participar pode ficar 2 anos fora das competições organizadas pela CBF. “Para mim está sendo muito difícil entregar a vaga na Série D. Vou segurar até segunda da próxima semana”, disse.

Segundo Montalvão, grupo de políticos que fizeram reunião e anunciaram apoio ao Sete ainda no início do Estadual 2016 e o Governo do Estado, não repassaram valores para apoio financeiro do clube. “Ficamos aguardando. Tudo acabou saindo do nosso bolso”, disse Montalvão, que assegura ter ouvido estas promessas. Para aumentar a frustração, um plano de sócio-torcedor lançado recentemente não emplacou, segundo o presidente. “O cartão fidelidade não vendeu nenhuma unidade. Nem entre a torcida organizada”, disse, lamentando muito o perfil da situação que, segundo ele, qualquer gestor de futebol enfrenta em Mato Grosso do Sul.

Montalvão disse que ‘paga’ pelos erros de outros empresários do futebol que não cumpriram obrigações em outras oportunidades. “Único dinheiro que recebi em três campeonatos aqui no MS foi da Taurus, R$ 50 mil, e esta empresa não deverá continuar”, disse. O empresário ressaltou a lista de conquistas em suas gestões no futebol local. “Fiz três campeonatos [no MS]. Segunda divisão pelo Itaporã, fomos campeões. Primeira divisão pelo Sete, fomos campeões. Brasileiro da Série D com o Sete, melhor campanha do MS nos últimos anos. Se o apoio financeiro tivesse chegado, teríamos o acesso”, disse.

Para Montalvão, é necessário mais promoções e propagandas para fomentar a cultura do futebol profissional no Estado. “Existem, sim, meios para mudar, mas os políticos e empresários da cidade teriam que dar um pouco mais de credibilidade. Nem todos os empresários vem para sacanear”, desabafou.

Estadual

O presidente deu um recado implícito de que o possível time para a defesa do título do Estadual em 2017 seja modesto do ponto de vista da qualidade. “Para o Estadual vamos fazer um time pé no chão. Sem estrelas. Sem loucuras e sem inflacionar o mercado”, pontuou o mandatário.

Copa do Brasil

Uma das boas notícias em torno da temporada do Sete para o ano que vem é o fato de competir a Copa do Brasil e a possibilidade de ter um confronto com algum time da Série A. “A Copa do Brasil pode ter surpresa de um time grande para o Sete enfrentar. Se o Corinthians não ficar entre os 6, pode ter o São Paulo, o Vasco. O Internacional ou Cruzeiro, se não for campeão da Copa do Brasil”, disse.

Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) repassa, segundo Montalvão, em torno de R$ 250 mil para as equipes participantes. “É um possibilidade de visibilidade maior para um pretenso patrocinador”, vislumbrou. Dia 26 deste mês tem o sorteio dos confrontos. O presidente não informou se este dinheiro serviria para gastos em outras competições.

Respostas

Em reunião no mês de março, em Dourados, o prefeito participou com vereadores e fez vários elogios ao empresário Tony Montalvão. Publicamente, no entanto, o prefeito disse apenas que ‘nunca se negou a ajudar o esporte local’, segundo matéria divulgada no site Gazeta MS. Em consulta à Fundação de Esportes de Dourados ontem, a informação é de que a Prefeitura nunca fez promessas de incentivos ao Sete de Dourados.

A Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul não informou sobre apoio prometido ou concedido por ela. O Governo do Estado não foi encontrado para fala sobre repasses a clubes.

Diretoria do Sete de Setembro prometeu bons resultados com a equipe em 2016 e cumpriu na temporada