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sábado, 17 de outubro, 2026

Funcionário da Câmara é agredido por vereador

31/12/2016 09h30

Violência aconteceu na cidade de Amambai-MS

Por: Dora Nunes

O presidente da Câmara Municipal de Amambai-MS, vereador Anílson Rodrigues de Souza, o “Prego” e um funcionário efetivo do Poder Legislativo saíram feridos após trocarem agressões na sexta-feira, dia 30, no gabinete da presidência.

De acordo com o site Agazetanews, consta na ocorrência policial, que após o término de uma reunião com os funcionários da Casa de Leis, Prego, solicitou ao funcionário Almir Farias da Cunha, de 51 anos, que permanecesse no gabinete para uma conversa em particular.

O desentendimento teria ocorrido pelo fato de Almir apanhar seu celular para gravar tal conversa com o vereador.

Ocorreu uma discussão e o vereador e o funcionário acabaram entrando em luta corporal, quando Prego teria tentado tomar o celular de Almir.

O vereador então teria conseguido sair da sala e, segundo consta na ocorrência policial, com o objetivo de evitar novas agressões, acabou trancando o funcionário público no interior da sala até a chegada da Polícia Militar.

Consta ainda no BO nº 1842/2016, de que quando Almir foi até a Delegacia para registrar o B.O, um filho do vereador, mais conhecido como “Taxinha”, o teria agredido com socos e pontapés e ainda ameaçado Almir da Cunha dizendo que “todas as vezes que o encontrar irá bater nele e que coisas mais sérias poderão ocorrer”.

O caso foi registrado como lesão corporal reciproca, conforme artigo 125, § 5, inc. II do Código Penal e Lesão Corporal dolosa (Artigo 129 CP). Tanto o vereador como o funcionário, foram citados na ocorrência policial como autor e vítima e passaram por exame de corpo de delito. O filho do vereador como Autor.

O funcionário público fez um texto em seu facebook, relatando a sua versão do fato. Confira:

“Fui agredido hoje, 30 de dezembro de 2017, na Câmara de Vereadores de Amambai !

O que era para ser o último dia de funcionamento da Câmara de Vereadores de Amambai, no ano de 2016, tornou-se para mim, um dia de agressões que jamais vou esquecer.

Com o expediente já encerrado o vereador presidente Anilson Rodrigues de Souza, o Prego, que está deixando o cargo, convocou todos os servidores para uma reunião em sua sala. O objetivo era informar a distribuição das tarefas para a solenidade de posse dos novos vereadores, que vai ocorrer no próximo domingo, primeiro de janeiro de 2017.

Tendo encerrado o assunto perguntei se havia mais alguma coisa e ele responde que estava todo mundo liberado, menos eu porque ele queria falar comigo.

Assim que todos saíram da sala permanecemos somente eu e ele. Então ele começou a me questionar sobre um compartilhamento que eu havia feito no meu facebook, de uma matéria do jornal eletrônico agazetanews.com.br, daqui de Amambai, que noticiava a invasão de prédio público ao lado da Câmara, a antiga Casa do Artesão e a utilização indevida da luz elétrica, por meio de um rabicho (cabo improvisado) conectado ao banheiro masculino, em uma flagrante improbidade administrativa.

Eu me preocupei com o tom de voz dele e resolvi iniciar a gravação da conversa no meu celular. Então ele me perguntou:

-você está gravando?

-sim! Eu respondi!

Então ele saltou de sua cadeira em minha direção, tentando tomar o meu celular, o que eu não permiti. Entramos em luta corporal, mas eu me desvencilhei, abri a porta da sala e sai com o rosto sangrando. Chamei os colegas em voz alta, dizendo: “O Prego está me agredindo!”. Vários colegas vieram correndo ver o que estava acontecendo.

Em seguida, ele saiu da sala também. Então, eu voltei para procurar os meus óculos e o celular. Ele, aproveitando-se disso, me trancou na sala e me manteve em cárcere privado.

Peguei o telefone e liguei no número 190, da Policia Militar e fui atendido pelo soldado Alípio e comuniquei que estava sendo mantido em cárcere privado e que solicitava uma viatura para me resgatar.

Foi rápido! Em cinco minutos a porta foi aberta pelo presidente, sendo observado por dois militares da PM. Então, diante dos policiais ele me devolveu o meu celular.

Os militares colheram informações dele e depois as minhas e em seguida me liberou. Um colega de trabalho na Câmara de vereadores me deu uma carona até a Delegacia de Policia. Mas estava fechada. Resolvi esperar! Logo em seguida chegou também o presidente da Câmara. Mas não nos olhamos. E cinco minutos depois, dois homens chegaram em um veículo. Um deles, gordo, me agrediu, me derrubou e aplicou socos e chutes.

Após a pancadaria ele foi contido pelo vereador Prego, que dizia: “Para Ariel, já deu!”. Fiquei caído ao chão, desnorteado. O agressor se conteve, mas passou a fazer ameaças, dizendo: “Vou te quebrar, você não me conhece, sou barra pesada!”.

Eu vivo em Amambai do meu salário de funcionário público. Todo mundo sabe que eu sou um homem sozinho, vivo em Amambai modestamente, de forma bem simples. Vou ao serviço de bicicleta. Não devo nada pra político nenhum! Faz cerca de 1 ano e 8 meses que estou morando na cidade de Amambai e vim por meio de um concurso público bem disputado. Ninguém me trouxe pela mão para cá! Fui e sou independente todo esse tempo. Jamais bajulei presidente algum para ganhar cargos, jamais bati à porta do presidente Prego para lhe pedir uma agulha que fosse.

Ainda na Delegacia de Policia, apareceu o doutor Fabricio, o delegado, junto a outro policial que efetuaram os procedimentos. Como fui ameaçado pelo tal de Ariel o agente de policia me levou até o hospital, onde o médico fez o exame de corpo de delito. E então voltei à delegacia para entregar o laudo médico ao doutor Fabricio, oportunidade na qual eu informei que a Câmara de Vereadores tem um sistema de filmagens com diversas câmeras espalhadas pelo edifício e que gostaria que isso constasse no Boletim de Ocorrência. E que também, se a delegacia de policia de Amambai tiver um sistema de câmeras constatará por meio de imagens a agressão do tal Ariel.

Saí da Delegacia de Polícia em torno das 3 e meia da tarde, muito chocado, cara inchada, sentido dores e lamentando profundamente ter passado por isso! Embora Amambai seja uma cidade pequena, esquecida pelos sucessivos governadores e deputados não pode ser um cenário de truculência. Não pode ser uma cidadela, terra de coronel de fim de carreira, que ganha no grito, na agressão. Evidentemente que representarei contra o vereador Prego. Precisei fazer esse relato aos meus conhecidos, amigos, colegas de trabalho, vereadores e familiares, pois, ninguém sabe o que acontecerá comigo doravante. Me desculpem trazer essa situação em um momento de fim de ano.

Almir Farias da Cunha

Assistente Legislativo na

Câmara de Vereadores de Amambai

30.12.2016″

O fato ocorreu no interior da Câmara Municipal de Amambai, diz ocorrência policial. (Foto: Vilson Nascimento)

Funcionário Almir Farias da CunhaFoto: Facebook

Funcionário Almir Farias da CunhaFoto: Facebook