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segunda-feira, 19 de outubro, 2026

Casas de sexo liberado em Campo Grande têm até jaula

07/02/2014 13h10

Existem três casas de swing em Campo Grande

Campograndenews

Muita gente desconhece, nem imagina, mas existem três casas de swing em Campo Grande. Público tem e não é pouco. Só na DooLance, a mais antiga, que completa 10 anos em abril, são pelo menos 3 mil cadastrados. Na Nikkey, que existe desde 2009, são aproximadamente 1 mil. Na Liberty, a caçula, inaugurada em agosto de 2013, a lista tem cerca de 70 nomes. Os responsáveis aceitaram falar com o Lado B, mas pediram sigilo sobre os dados pessoais.

Nesses lugares há os mais variados recursos que podem ajudar os clientes a realizarem suas fantasias sexuais: de buracos na parede, que servem para apalpar desconhecidos no escuro, às “jaulas”, para os casais que gostam de serem observados enquanto transam, mas não permitem o toque.

Todos esses espaços são destinados àqueles que curtem o sexo liberal, a troca de casais (swing) e outras práticas como o ménage (a três), Gang Bang (uma mulher se relaciona com três ou mais homens ou um homem “fica” com três ou mais mulheres), Grupal, ou Dogging (em locais públicos). É o ponto de encontro para gente sem timidez, que está disposta e quer sair da rotina.

A DooLance tem mais cara de boate, com uma estrutura própria, pensada para esse fim. A entrada é escura, assim como todo o restante do prédio, pintado em preto. A única luz, na recepção, vem de um abajur esverdeado e de um painel, com letras amarelas, em neon, que explica o uso das “pulseiras das intenções”, entregues na entrada pelos promoters.

A vermelha significa: “Observando. Somos iniciantes. Estamos só olhando. Casal voyer”. A amarela quer dizer: “Imaginando. Podemos nos descobrir hoje… Estamos na dúvida, mas pode rolar algo”. A verde é um passo a mais: “Abertos a novas experiências. Queremos interagir. Estamos a fim que role algo. Casal x Casal”. A azul sinaliza que a mulher é bissexual.

O interior é divido em vários “setores”. Tem a pista de dança, com DJ e iluminação especial; a área mais social, que compreende parte da recepção, onde há alguns assentos; as salas reservadas, que permitem a observação de voyeurs; o quarto com a cama gigante, a “baca” (de bacanal); as “jaulas”; o labirinto, mais conhecido como o dark room, onde existem os buracos que dão para o corredor e, no final, uma suíte, uma opção aos casais que buscam mais privacidade. É o único local que a casa cobra, além da entrada.

A circulação em todas as outras áreas é de graça. E o sexo é permitido em qualquer parte. Em cada ambiente há rolos de papéis toalha e álcool em gel para higienização imediata, caso necessário. A luz, por todo lado, é praticamente ausente.

A penumbra predomina, mas os anúncios, na cor vermelha, são bem visíveis. Um deles, na área de “pegação”, diz o seguinte: “Por favor, aqui não é local de bate papo. Não atrapalhe o clima de sedução e sexo do ambiente.”

O proprietário mantém um marketing forte quando divulga que a casa trabalha “mudando conceitos, realizando fantasias, apimentando relações, elevando cumplicidade e autoestima”. E é isso mesmo, ele garante. A proposta não é só promover a troca de casais, mas aproximá-los com as novas experiências.

Há casos, contou, de casamentos praticamente perdidos que foram refeitos depois que os parceiros toparam a aventura. Por outro lado, há histórias de tragédias. A orientação é deixar tudo muito bem combinado.

No motel – Diferente da DooLance, a Nikkey, outra “casa” destinada a esse público, não é exatamente um clube fixo. É um grupo, mas quando há festa, a comunidade se encontra em um motel. O espaço é grande e, por isso, comporta bastante gente.

No local também há pista de dança, com direito, inclusive, a barra de pole dance para as mulheres mais desinibidas. Tem quartos reservados, a cama gigante, o sofazão que é, na verdade, o dark room, sauna e as quatro cabines aquarium: Duas que permitem e visão de fora para dentro e as outras de dentro para fora. É um recurso pensado aos observadores que sentem tesão na espiadinha.

A Liberty, do outro lado da cidade, é a mais singela. Funciona em uma casa, em duas peças. Uma comporta o bar, decorado com CDs e busto de manequins. A outra, ao lado, é a sala escura, com sofás, onde o sexo rola solto. No fundo do quintal, perto de uma piscina, há 2 quartos comuns, para uso sem qualquer custo, e duas suítes, cujo espaço é comercializado.

Os proprietários resolveram investir no ramo há pouco tempo, em agosto do ano passado. Eles compraram uma sauna destinada ao público gay, chegou a ser “mista, como disseram, mas o movimento não agradou. Acabou virando uma pequena boate, só que não durou muito tempo e fechou. O casal resolveu, então, abrir um grupo de swing na própria casa.

Hoje, a Liberty é, segundo eles, o primeiro clube que aceita solteiros e é, por isso, a preferida dos casais que curte o ménage ou sexo a três. As outras permitem a entrada dos desacompanhados, mas o acesso é controlado. Na Nikkey são apenas cinco por evento. Na Doolance, eles entram, mas precisam ser convidados por casais já cadastrados.

A justificativa é que os frequentadores sentem-se incomodados com os solteiros. Tem medo de encontrar conhecidos, um sobrinho, por exemplo. Já aconteceu. As regras são rígidas, mas isso se estende a todos, inclusive para os novos adeptos.

Restrições – Não é todo mundo que pode entrar nessas casas de swing. Na Nikkey, por exemplo, o casal que comanda o clube faz uma espécie de entrevista com os interessados para permitir a participação. Na DooLance, o casal precisa apresentar documentos para comprovar que mora junto.

O acesso é registrado por meio do sistema de biometria. A Liberty é a única que permite o acesso sem essa “triagem” – exceto com os solteiros – mas, geralmente, como os donos não divulgam o serviço abertamente, quem chega é convidado de um “veterano”.

Pole dance é outro atrativo aos casais. (Foto: Divulgação)