08/04/2017 07h30
Covardia e coragem nascem da mesma fonte: o medo.
Divulgação (TP)
A covardia não existe só nos atos explícitos. Justamente pela natureza de sua existência, ela se manifesta desde os pequenos atos do dia – no trabalho, na família e no trânsito, por exemplo. É como uma mancha no tecido da realidade, nublando os dias e modificando nossa percepção sobre a vida, dado ao fato de que um clima ruim (seja em casa ou no trabalho) sempre acaba afetando as pessoas coletivamente. Essa mancha tem a capacidade de iludir: num primeiro momento pensamos que ela afeta somente seus alvos – como na difamação, que fere principalmente a quem é o assunto. No entanto, numa análise melhor, vemos que a sujeira permanece naquele que pratica o ato covarde.
Se por um lado existe um sofrimento momentâneo da vítima, por outro existe a degradação progressiva daquele que se presta à covardia, o que atinge seus méritos, sua visão, suas capacidades intelectuais e emocionais. Estamos falando aqui daquele sujeito que faz disso uma prática recorrente, um modus operandi nas suas relações, principalmente no intuito de alcançar seus objetivos, postura essa que pode ser incentivada pela cultura de algumas organizações.
No meio corporativo ainda existe uma parcela significativa de indivíduos que acredita na postura de mercado agressiva, na conquista de objetivos “custe o que custar”, que acredita que lutar por resultados é ter, de fato, uma postura bélica, sem valores ou cumprimento às leis. Essa cultura mau-caráter favorece (e muito) a proliferação de cafajestes, perversos e psicopatas em cargos de liderança, um posicionamento sensível e de importância vital para a manutenção do bom proceder nas empresas. Além disso, também se observa uma disseminação do desânimo entre aqueles que tentam manter bons valores ou até uma perseguição a eles – que, sem forças e em minoria, se veem obrigados a desistir de fazer o que é certo. Em linhas gerais, esse é o ciclo que caracteriza o sucesso dos corruptos. Mas (felizmente) vivemos agora num momento de transição.
Várias corporações têm sentido na pele (e no bolso) o peso de se deixar corromper. Se antes esse mecanismo era considerado de praxe e até mesmo necessário para se executar um trabalho, hoje a corrupção ganha novos contornos e, portanto, a covardia também. É sinal de que a mudança virá nas posturas corporativas e nas escolhas de diretores, gestores, enfim, líderes.
Covardia e coragem nascem da mesma fonte: o medo. No entanto, o que vai determinar a figura que se desenha, é a escolha entre uma postura direita ou mesquinha. Talvez, futuramente, não mais desejemos personagens que demonstrem dureza como nossos líderes, perante situações desafiadoras que despertem medo/insegurança. Talvez, quem sabe, possamos buscar nossos próximos líderes entre aqueles que prezem pelo bem da sociedade, da empresa e da sua equipe, em vez de tão somente o bem a si mesmo. Insira a matéria aqui…
Fonte: Julianne Lam
Co Owner at Lumens Comunicação Estratégica


