10.3 C
Ponta Porã
domingo, 18 de outubro, 2026

Enfermeiro de Ponta Porã apresentará projeto em Congresso Internacional

27/05/2014 15h10

Evento será no mês de junho, na Finlândia

Por: Dora Nunes

O enfermeiro Alberto Wider, em entrevista a rádio Cerro Corá 91.5 FM e site Pontaporainforma, falou sobre o seu projeto que foi escolhido para ser apresentado no exterior.

Alberto Wider presta serviços na Secretaria Municipal de Saúde de Ponta Porã e informou que seu projeto é uma parceria com a Escola Nacional de Saúde e Fundação Osvaldo Cruz, juntamente com a Secretaria de Saúde e toda a equipe de profissionais de Ponta Porã. De acordo com Alberto Wider, esse projeto teve início por meio da implantação da Fiocruz Pantanal em MS, com sede em Campo Grande. ” E partir daí, os estudos na região de fronteira tem sido vistos pelo Ministério da Saúde como questões prioritárias e dessa discussão toda surgiu então o curso de mestrado que leva a gente a fazer pesquisa científica”, ressaltou o enfermeiro.

A escolha do mestre Alberto Wider foi a de fazer análise e estudos da fronteira em relação a violência que ocorre, cujo estudo foi apresentado no Rio de Janeiro para uma banca de doutores da Fundação Osvaldo Cruz, sendo a pesquisa aprovada.

O título da referida pesquisa é ” Geografia dos homicídios na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai”, sendo que já foi publicada nos sites da Fiocruz e o passo seguinte é o da divulgação dessa pesquisa em revistas científicas. ” Nesse início do ano, a Fiocruz enviou alguns trabalhos sobre as fronteiras para um Congresso Internacional que vai acontecer na Finlândia e meu trabalho foi aprovado”, disse o enfermeiro Alberto Wider.

Alem da Finlândia, o trabalho será apresentado em São Petesburgo, na Rússia, no mês de junho.

Alberto Wider, para chegar a esse resultado, fez uso de dados epidemiológicos e estatísticos do sistema de informação a que tem acesso, como os dados públicos do Datasus (sistema de informação do Ministério da Saúde), baseando-se em sistema de informação hospitalar e de mortalidade, separando de toda a mortalidade que ocorre no Estado, os óbitos por homicídio. Depois, levantou-se um banco de dados onde foram aplicados testes estatísticos, chegando-se a conclusão que aponta uma direção, através de diversos indicadores, onde percebeu-se que alguns desses indicadores apontaram fatos importantes para a linha de fronteira, como, por exemplo, o fato de que a população masculina de 15 a 24 anos, tem, na linha de fronteira, 18% a mais de risco de homicídio, numa relação de dados quantitativos.

” A sociedade vê a violência todos os dias e é necessário os governantes abrir os olhos e começar a enfrentar essa problemáticas, pois a violência tem muitas faces. Em meu trabalho, abordei somente o homicídio, mas temos a violência sexual, a doméstica, no trânsito”, lembrou Alberto, dizendo ainda que a porta de entrada acaba sendo a saúde e esses dados científicos dá aos gestores uma visão realista da situação, podendo ocorrer a estruturação da rede de serviço de saúde para a população.

Com a pesquisa, o enfermeiro Alberto informou que as maiores taxas de homicídio na fronteira está na faixa fronteiriça de Coronel Sapucaia. O trabalho ficou em torno de 80 páginas com fundamento em muitas outras pesquisas que já foram realizadas no Brasil, assim sendo feita uma comparação entre os achados atuais com as pesquisas realizadas anteriormente, até chegar a uma conclusão.

” O foco agora é a apresentação dessa pesquisa no Congresso na Finlândia e depois a preparação de um artigo para publicação em revista científica para divulgação para a comunidade e quem sabe dar uma continuidade a esse trabalho mostrando outros possíveis segmentos da violência na fronteira”, finalizou o enfermeiro Alberto Wider.

Enfermeiro Alberto WiderFoto: Tião Prado