10/07/2017 08h40
Cássio Cunha Lima disse que governo é o ‘mais impopular da história’. Ele disse, também, que maioria dos deputados do PSDB na CCJ é a favor do prosseguimento da denúncia contra Temer
G1
O vice-presidente do Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), avaliou na sexta-feira (7) que o PSDB paga um preço político “altíssimo” ao permanecer na base de apoio do governo do presidente Michel Temer, o “mais impopular da história”.
Ex-líder do PSDB, o parlamentar convocou uma entrevista coletiva para esta sexta no Salão Azul do Senado, que dá acesso ao plenário da Casa. O tucano deu a declaração sobre o governo após ser questionado sobre o assunto.
“Se for ouvir o grito rouco das ruas, o partido já não estaria mais no governo. O partido tem pago um preço político altíssimo por ter muita responsabilidade com o país e manter até aqui o apoio a um governo que é o mais impopular da história”, disse Cássio Cunha Lima nesta sexta.
Em seguida, o vice-presidente do Senado afirmou que seis dos sete deputados do PSDB que compõem a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara são a favor da aceitação da denúncia do Ministério Público Federal contra Temer.
“O que o PSDB deve fazer é não abandonar os seus. Se é para fazer uma escolha entre abandonar a nossa bancada na Câmara ou abandonar os cargos confortáveis do governo, eu prefiro abandonar os cargos confortáveis do governo e ficar solidário a minha bancada na Câmara”, disse o senador.
Atualmente, o PSDB comanda os ministérios da Secretaria de Governo (Antônio Imbassahy), das Cidades (Bruno de Araújo), das Relações Exteriores (Aloysio Nunes) e dos Direitos Humanos (Luislinda Vallois).
Crise do governo
Em meio à maior crise política enfrentada pelo governo Temer, o PSDB anunciou no início do mês passado que havia decidido permanecer na base de apoio do Palácio do Planalto.
À época, as delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS, haviam atingido, principalmente, o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Na semana passada, com base nessas delações, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente ao Supremo Tribunal Federal e alguns líderes do PSDB passaram a defender a saída do partido da base de apoio do governo.
Nesta quinta (6), por exemplo, o presidente interino da legenda, senador Tasso Jereissatti (CE), disse que o PSDB “está evoluindo naturalmente para a saída do governo”. Além disso, ele afirmou que vê no presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), as condições para reunir os partidos e fazer uma eventual transição até 2018.


