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domingo, 18 de outubro, 2026

Agora é a “La Niña”: clima incerto ameaça safras de soja e milho no Brasil

O agronegócio brasileiro enfrenta um período de grande incerteza devido a eventos climáticos extremos, que vão de inundações devastadoras no Rio Grande do Sul a severas ondas de calor pelo país. A mudança do fenômeno El Niño para La Niña sugere uma inversão nas condições climáticas que pode complicar ainda mais o cenário para os produtores, especialmente aqueles que dependem da safra de soja e milho.

Durante o período de influência do El Niño, produtores de soja do Centro-Oeste brasileiro planejavam suas safras esperando uma regularidade nas chuvas, que acabou não se concretizando. A realidade trouxe uma seca intensa que causou perdas significativas em regiões como Goiás e Mato Grosso. Por outro lado, no Sul, onde se esperavam chuvas abundantes, a estiagem também se fez presente, frustrando as expectativas em estados como Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O fenômeno climático La Niña, conhecido por resfriar as águas do Oceano Pacífico, está agora começando a influenciar o clima, trazendo consigo uma nova série de desafios. “Este cenário reforça a falta de previsibilidade e a necessidade de um planejamento mais robusto, que inclua seguros agrícolas como parte essencial da gestão de risco”, explica Ricardo Caraça, gerente técnico de agronegócios da seguradora FF Seguros.

Enquanto a safra de milho safrinha 2024 já sofre com as consequências das alterações climáticas, com a seca atingindo áreas no Mato Grosso do Sul, o cenário é de alerta para o que a La Niña poderá provocar nas próximas safras. Os impactos são tanto de curto quanto de longo prazo, afetando diretamente a produtividade e a rentabilidade das lavouras.

“O agronegócio brasileiro deve estar preparado para enfrentar essas oscilações climáticas com investimentos em tecnologia, práticas agrícolas sustentáveis e, crucialmente, seguro agrícola”, sugere Caraça. Estes instrumentos são fundamentais para construir uma resiliência maior contra os frequentes e imprevisíveis caprichos do clima.

Fonte: Pensar Agro

RETIFICAÇÃO

A FF Seguros em contato com a redação do site, pediu para que fosse divulgado o texto original verdadeiro como segue abaixo:

A FF Seguros destaca a importância do seguro agrícola para minimizar os prejuízos nas lavouras em cenários climáticos cada vez mais incertos e frequentes

As recentes tragédias climáticas, como as inundações no Rio Grande do Sul e as ondas de calor em outras regiões, representam uma evidência clara das incertezas que o país enfrenta. Com previsões indicando que períodos de temperaturas acima da média e irregularidade de chuvas se tornarão mais frequentes, é preciso viabilizar estratégias para proteger as lavouras contra intempéries e os efeitos das mudanças climáticas.

O El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico, já terminou. Agora, o clima será influenciado pela chegada da La Niña, que inverte o cenário, pois o fenômeno resfria a faixa Equatorial Central e Centro-Leste do Oceano Pacífico. Esse novo fenômeno traz preocupações para a safra de verão 2024/25 porque não se sabe qual será a intensidade da influência da La Niña no regime de chuvas nas regiões de cultivo de soja, já que as instabilidades são cada vez mais frequentes.

Perdas na safra de soja

A previsão para a safra de soja 2023/24 sob influência do El Niño sinalizava que as áreas cultivadas no Centro-Oeste poderiam sofrer com irregularidade de chuvas e que a região Sul do país seria beneficiada com chuvas acima da média. Porém, essa previsão que guiou o planejamento agrícola resultou em frustração para muitos produtores.

No Centro-Oeste, a seca foi mais grave do que o imaginado, gerando perdas significativas em áreas de soja de Goiás e Mato Grosso. Produtores das regiões mais ao sul do país também ficaram frustrados: eles esperavam bons volumes de chuvas, mas a safra de soja 2023/24 também foi prejudicada por secas no Paraná, São Paulo e especialmente no Mato Grosso do Sul.

“As chuvas cessaram e houve problemas inesperados. Ou seja, não há mais espaço para especulação em função do clima. O seguro agrícola é necessário para auxiliar o produtor a médio e longo prazo diante de margens tão apertadas nas últimas safras e para as próximas”, alerta Ricardo Caraça, gerente técnico de agronegócios da seguradora FF Seguros.

O milho safrinha 2024 também está sendo impactado

Novamente as reviravoltas do clima surpreenderam o agronegócio. O El Niño prometia beneficiar o milho safrinha com bons volumes de chuvas em toda a região mais ao sul. Porém, a realidade trouxe uma exceção: o Mato Grosso do Sul foi impactado por uma atípica seca. Lavouras de milho safrinha 2024 semeadas dentro da janela ideal de cultivo foram prejudicadas pela estiagem em todas as etapas do cultivo, comprometendo o rendimento.

O que aconteceu no Mato Grosso do Sul é surpreendente porque, com base no levantamento histórico do clima, tal seca poderia ser esperada durante o fenômeno La Niña, mas não seria prevista sob influência do fenômeno El Niño que estava ativo no período. A situação foi semelhante em várias áreas do Paraná, onde lavouras de grãos foram inesperadamente castigadas pela falta de chuva registrada nos meses de abril e maio. “Algumas áreas cultivadas, por exemplo, apresentam sintomas de seca semelhantes ou até piores do que o registrado durante a La Niña de 2021. Isso reforça a ideia de imprevisibilidade climática que estamos presenciando”, analisa Caraça.

Outra prova do cenário de incertezas sobre o clima é o caso do Rio Grande do Sul, que sofre com a tragédia das inundações. De acordo com o primeiro levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), estimam-se perdas para o agronegócio superiores a R$ 2 bilhões, mas o Estado demandará um bom tempo para compilar todos os resultados da tragédia e traçar estratégias de recuperação. “Áreas cultivadas poderão sofrer com os efeitos da lixiviação e redução de fertilidade do solo, mas ainda é muito cedo para sabermos a dimensão dos problemas”, opina Caraça.

A constatação de que um El Niño apresentou efeitos de La Niña desafia a agrometeorologia e preocupa produtores, com a imprevisibilidade sobre o que está por vir. “O cenário é difícil para os produtores projetarem a safra de soja 2024/25 porque há muitas incertezas sobre os efeitos práticos que a La Niña trará. É importante que os produtores invistam em boas práticas agrícolas para que as plantações enfrentem os desafios com resiliência”, alerta Caraça.

De acordo com Caraça, a mitigação de riscos deve ser uma prioridade ao longo das próximas safras. “Os desafios climáticos estão se intensificando e a FF Seguros está preparada para atender os produtores. O seguro agrícola é uma ferramenta de gestão de riscos fundamental para a proteção do agronegócio”, diz Caraça. Além de contar com a proteção de uma apólice, é recomendável que o produtor monitore o histórico de produtividade das áreas cultivadas e características do solo, considerando parâmetros de manejo focados em elevar a resiliência das plantas.