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domingo, 18 de outubro, 2026

Um ano após morte, Chávez ainda sustenta apoio a governo venezuelano

05/03/2014 13h40

Presidente Maduro se viu obrigado a fazer concessões a empresariado e militares

G1

Há um ano, numa tarde de terça-feira, a Venezuela parou. Alguns comemoraram em silêncio e muitos choraram – e continuam chorando até hoje – a morte do presidente Hugo Chávez, de câncer.

O luto e a paralisia gerados pela morte do líder da “revolução bolivariana” colocaram à prova o chavismo no ano mais difícil de sua história e dificultaram a transição do poder para seu herdeiro político, Nicolás Maduro.

Eleito em abril num pleito apertado – e contestado pelo líder opositor Henrique Capriles -, Maduro assumiu um governo adequado ao estilo de Chávez, uma das razões pelas quais se tornou difícil administrá-lo.

Sem contar com o carisma que auxiliava o líder bolivariano a driblar conjunturas adversas, Maduro assumiu as rédeas de um país com uma economia em crise.

Filas intermináveis para comprar produtos escassos da cesta básica, uma inflação anual acumulada em 56% e altos índices de criminalidade aumentaram o descontentamento da população e colocaram à prova a capacidade de Maduro de levar adiante o projeto chavista, sem rupturas.

Chavez onipresente

A imagem onipresente e onipotente de Chávez se fortaleceu ainda mais após sua morte e passou a servir de pilar fundamental de sustentação do governo.

Qualquer ação do Executivo é feita “em nome do comandante”.

Outdoors, murais, exposições fotográficas, tudo leva o nome do ex-presidente.

“Não foi um ano com Maduro, continuou sendo um ano com Chávez. Maduro conta com apoio popular adquirido por sua condição de herdeiro político”, afirmou à BBC Brasil Oscar Schemel, diretor da consultoria Hinterlaces.

Evocar Chávez e a unidade em torno de seu legado é uma tática utilizada por Maduro – de acordo com analistas – para evitar acirrar disputas internas entre as diferentes correntes do chavismo. Maduro continua sendo visto como o “administrador” da revolução idealizada por Chávez.

Sua popularidade, que chegou a alcançar 61% em dezembro, caiu drasticamente no último mês, para 46%, devido ao aumento da escassez de produtos básicos e uma “magnificação dos problemas econômicos”, diz Oscar Schemel.

Os problemas econômicos acabaram se tornando a principal bandeira de estudantes e outros venezuelanos que simpatizam com a oposição antichavista e que tomaram as ruas para exigir a renúncia do presidente.