21 C
Ponta Porã
quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Em campanha por voto ‘bairrista’, juiz fala da importância dos eleitores transitórios

07/03/2014 18h

Dr. Zaloar diz que no Brasil já deveria ser utilizada a pratica do voto facultativo

Douradosnews

O entrevistado desta semana é juiz eleitoral da 18º Zona Eleitoral de Dourados, Zaloar Murat Martins de Souza, ele que também é magistrado da Vara da Infância e Juventude.

Nascido em Cruz Alta-RS, mora no município há 25 anos e falou ao Dourados News sobre a campanha para que os eleitores regularizem ou tirem a primeira via do titulo. Atualmente, em torno de 145 mil pessoas votam na cidade.

Ainda durante a entrevista, o juiz diz que no Brasil já deveria ser utilizada a pratica do voto facultativo (não obrigatório), pois a população já está preparada para escolher seus representantes.

“Eu penso que nosso voto deveria ser facultativo, pois o brasileiro de uma forma em geral já amadureceu o suficiente para entender o que é certo e errado[…], Penso que o voto facultativo é uma forma muito valida e que já deveria estar se pensando em aplicar ao nosso país” afirmou o magistrado.

Confira a entrevista:

Dourados News: Qual é o atual quadro eleitoral de Dourados, está em um patamar proporcional ao número de habitante?

Zaloar Martins – É um percentual dentro dos padrões da normalidade. Hoje se tem um percentual de eleitor em relação à população de no máximo 70%, tanto é, que alguns municípios que vinham ultrapassando essa quantia o Tribunal Eleitoral fez um levantamento para ver o que estava acontecendo, porque é anormal quando o percentual ultrapassa essa estimativa. São números muito elevados que passam a chamar a atenção principalmente por ser muito a cima do número da população.

D.N – O senhor acredita que o fato de Dourados ser uma cidade universitária e ter os moradores em trânsito, isso atrapalha na contabilidade de eleitores?

Z.M – É essa campanha que nós das Zonas Eleitoras estamos desencadeando em parceria com a Aced [Associação Comercial e Empresarial de Dourados], visa chamar esses estudantes para que se inscrevam aqui em Dourados. Quanto à transitoriedade eu não vejo problema, já que alguns vêm ficam quatro ou cinco anos e vão embora, outros já estão entrando. Então o estudante não tem como alegar que mora em outra cidade e que está aqui só por um tempo, porque perante o código civil você pode ter duas residências, e outra, o temporário do estudante é por alguns anos, então não é problema algum em transferir o título para o local que está residindo .

D.N – Seria um “dano” para sociedade e para o sistema eleitoral, quando esse estudante que mora aqui e vota em outra cidade, deixa de comparecer no local no dia da eleição?

Z.M – Eu creio que sim, é um dever de cidadania o direito de voto e escolher seus representantes. Tanto é que há anos se combate o voto nulo e branco. Acho que o cidadão não tem essa desculpa que não tem escolha, que as opções são ruins, pois se o povo não votar não haverá democracia. E mesmo com muito problema a democracia ainda é um ótimo sistema que o regime ditatorial.

D.N – Esta campanha que está sendo realizada em Dourados, além de aumentar o número de eleitores tem mais algum objetivo?

Z.M – Bem o principal objetivo é sim amentar o eleitorado, eu vejo que a força política de um município está muito ligado ao seu potencial eleitoral. Quanto maior for um colégio eleitoral, mais força política e mais representatividade política terá. Se dentro de alguns anos pudermos pular de 150 mil para 200 mil, teremos mais chances de eleger mais deputados estaduais, federais. Dourados poderá sonhar com a eleição de um senador.

D.N – Em sua opinião, quantos anos levariam para que Dourados atingisse a marca de 200 mil eleitores?

D.N – Em sua opinião, quantos anos levariam para que Dourados atingisse a marca de 200 mil eleitores?

Z.N – Ah, é difícil um prognóstico, depende do crescimento do município, pois tudo isso se dá de forma muito lenta. Tanto é, que quando se lançou essa campanha o sonho era chegar a 10 mil novos eleitores, mas se conseguirmos apenas cinco mil está muito bom também.

D.N – As regras, principalmente de divulgação nas campanhas estão bastante rígidas. Alguma novidade para este pleito?

Z.N – Até o momento o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] não baixou nenhuma resolução, mas é possível que isso aconteça logo. E através deles que será disciplinado e regras para esse ano.

D.N – O que tem avançado, em sua opinião, após a restrição de propagandas eleitorais – antes bastante convencional – como bonés, camisetas, pinturas?

Z.M – Essa é uma área que a legislação enrijeceu mais, com o objetivo de coibir o chamado poder econômico, como antigamente tinha os “showsmícios” com a presença de grandes cantores, tudo isso saia uma fortuna. Então a legislação está buscando combater esse excesso e acho positivo esse desperdício de dinheiro

D.N – Qual sua opinião sobre o atual sistema eleitoral brasileiro é um grande avanço, principalmente com a criação da urna eletrônica?

Z.M – Certamente, com a entrada das urnas eletrônicas e seus aperfeiçoamentos que acontecem constantemente, isso dificulta a fraude ao voto, dificulta o uso do chamado “voto de cabresto”, antes tinham muitos esquemas com o voto de papel, como o voto formiguinha e isso transgredia muito o sistema eleitoral. Mesmo ainda tento contestações dizendo que possa haver fraude, é inegável que é um grande avanço.

D.N – O senhor acredita que o brasileiro estaria preparado para não ter mais o voto obrigatório como nos Estados Unidos?

Z.M – Eu penso que nosso voto deveria ser facultativo também. O brasileiro de uma forma em geral já amadureceu o suficiente para entender o que é certo e errado e a forma de se expressar politicamente. Penso que o voto facultativo é uma forma muito valida e que já deveria estar se pensando em aplicar ao nosso país. Quanto ao amadurecimento do eleitor, ele tem a plena consciência do que faz e da importância de seu voto. Infelizmente ainda há muita interferência financeira dos partidos e próprios políticos na busca desenfreada por esses votos e acabam tumultuando o sistema.

D.N – O senhor concorda com as vagas proporcionais, aquelas por legenda?

Z.M – Eu acho esse que este sistema não condiz com o potencial de cada um, mas enfim, são as regras, nós precisamos de mudanças. Tanto é que se prega muito a aprovação do chamado voto distrital que traria certa dependência do político ao seu povo, sendo mais próximo de quem o elegeu. Hoje um deputado de Três Lagoas vem aqui angaria votos, mas volta para sua terra e quanto é que esse eleitor terá acesso a esse político.

D.N – Então esse voto distrital é por região no Estado?

Z.M – Esse voto forma distrito dentro do Estado e pequenas regiões. Aqui em Dourados, por exemplo, que comporta 30 cidades, se formaria uma microrregião e lançaria seus candidatos, eles só captariam votos nessa região.

D.N – E a questão do financiamento público para campanhas o senhor concorda com isso?

Z.M – Olha não tenho uma opinião muito formada sobre isso. Eu até entendo que poderia ser um serviço melhor explorado, mas que de fato houvesse rigidez na fiscalização e controle financeiro, para que não houvesse além do financiamento o famoso caixa dois. Mas pra isso a justiça eleitoral teria que ter meio de controlar e uma fiscalização mais afunda, senão fica ainda pior. Eu penso que seria uma forma de moralizar o que já vem acontecendo, porém é preciso debater e estudar sobre isso.

D.N – E para finalizar o senhor acredita que a eleição deste ano será tranquila tanto quanto foram as últimas?

Z.M – Eu creio que será tranquila sim, porque o próprio já tem consciência do que pode e o que não pode fazer e isso se deve a legislação eleitoral que vem se aprimorando nos últimos anos e enrijecendo as regras e controlando as fraudes.

O juiz Zaloar Martins afirmou que o brasileiro ja sabe votar -Fotos: Ademir Almeida

Em campanha por voto 'bairrista', juiz fala da importância dos eleitores transitórios

Em campanha por voto 'bairrista', juiz fala da importância dos eleitores transitórios

Em campanha por voto 'bairrista', juiz fala da importância dos eleitores transitórios