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quinta-feira, 22 de outubro, 2026

Fundador da torcida gay do Corinthians diz que foi agredido na Av. Paulista

08/11/2013 08h20

“Ele disse para mim: ‘Aí mano. Vai ficar pequeno para você, quero ver se você vai entrar no estádio com a sua torcida

Uol

O fundador da torcida gay do Corinthians, Felipeh Campos, vem sofrendo represálias por defender a causa gay no futebol. O criador da Gaivotas Fiéis afirma ter sido agredido na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo, na última quarta-feira, por um torcedor corintiano.

Felipeh relatou ao UOL Esporte que estava na companhia de um amigo em uma banca de jornal quando um homem lhe deu um ‘esbarrão’ e começou a ofendê-lo com palavras como ‘bicha’ e ‘veado’.

“Ele disse para mim: ‘Aí mano. Vai ficar pequeno para você, quero ver se você vai entrar no estádio com a sua torcida. Aqui é Corinthians. Vou te pegar, vou te pegar'”, contou o integrante da Gaivotas Féis, que afirma ter respondido com uma provocação. “Virei para o meu amigo e disse: ‘esses são os primeiros a descerem para o vestiário'”.

O fundador da organizada gay disse que o torcedor só parou de proferir xingamentos quando ele ameaçou chamar os policiais que passavam na rua no momento para incriminá-lo por crime de homofobia.

“Foi uma situação que eu não sabia como resolver, tive que encarar o meu homem, colocar meu macho pra fora. Porque se ele viesse para cima, apanhar eu não ia”, conta.

Felipeh disse que preferiu não fazer um boletim de ocorrência. “Não me senti constrangido porque de tudo que ele me xingou, eu já sei. Sou assumidamente gay, não me acho bicha, nem veado. Mas é a forma como as pessoas costumam se referir, não é nada daquilo que eu não seja. É redundante”.

Felipeh Campos diz que o incidente na Av. Paulista foi a primeira agressão que ele sofreu pessoalmente. Ele já vinha recebendo ameaças e xingamentos por meio das redes sociais. Por isso, seu Twitter e seu Facebook vêm sendo monitorados pelo setor de crimes digitais da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHH).

Presidente da Gaivotas Fiéis, o apresentador, que já legalizou a parte jurídica da torcida, espera contar com 500 mil adesões quando o projeto for divulgado. Segundo ele, a iniciativa está sendo feita em parceria com a Associação LGBT. No próximo sábado, Campos deverá se reunir com membros da diretoria do Corinthians e das organizadas da equipe para “alinhar” seu plano.

O idealizador acredita que após o lançamento da Gaivotas Fiéis, outros clubes deverão seguir o mesmo passo. Para ele, essa manifestação é mais legítima que a Parada Gay.

“Inserir uma questão como essa, dentro de uma torcida organizada do Corinthians, vai ser um avanço muito grande. Não tem por que segmentar o público gay. Acredito mais em iniciativa como essa, inserir o público em um contexto bacana, dentro do esporte, dentro dos clubes, do que fazer uma parada gay”, admitiu o apresentador, que explica o motivo de ter escolhido o Corinthians.

“Sou corintiano roxo, ou rosa, sei lá. Amo meu time, sempre gostei. Vamos tirar um pouco do preconceito de que gay gosta de coisinhas de mulher. Ir ao estádio e xingar é a melhor terapia”, finalizou.

Fundador da torcida gay do Corinthians diz que foi agredido na Av. Paulista

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