19/04/2014 17h10
Cães precisaram passar por adaptações, segundo novos proprietários
G1
À primeira vista, Tutuca parece uma cachorrinha qualquer. Carinhosa, adora um cafuné, brinca, corre, late. Mas não foi sempre assim: seis meses atrás, ela era um dos 178 beagles que foram furtados durante uma invasão de ativistas ao Instituto Royal, laboratório localizado em São Roque (SP), a 59 km de São Paulo, que era acusado de maus-tratos a cães durante experimentos de produtos farmacêuticos.
As pessoas que ficaram com os animais, e que preferem não se identificar porque podem responder na Justiça por invasão e furto, entre outros crimes, contam que esses beagles tiveram de passar por um longo processo de adaptação até se tornarem cães “de verdade”.
“Ela chegou bem judiada, sem alguns dentes, unhas sangrando, não comia e água só tomava na seringa. E ela ainda não latia, a gente até achou no começo que ela não tinha as cordas vocais. Ela estava muito traumatizada, só ficava escondida em um canto. Hoje ela é um cão. Antes ela era só um experimento, agora come, bebe, brinca e late”, conta a proprietária de Tutuca.
Na tentativa de driblar a falta de apetite da beagle, ela precisou usar a criatividade. “Eu batia a ração no liquidificador, misturava com água morna e dava na mão”, explicou a dona. Segundo ela, Tutuca tremia sempre que via um homem – ainda hoje, fica agitado e reage com muitos latidos para qualquer um.
Outro cão que foi retirado do Instituto Royal é o Batatinha. De acordo com a sua nova proprietária, que também não quer se identificar, por ser um filhote, o cão provavelmente não havia ainda sido submetido a testes. “Assim que eu o peguei, o levei para o veterinário, ele passou por uma série de testes, retiramos o chip do laboratório e, graças a Deus, nada foi diagnosticado. Eu costume dizer sempre para ele que a ‘mamãe’ salvou a sua vida”, conta.
Encerramento do Instituto Royal
Depois das invasões no laboratório, que resultaram no furto de 178 beagles, sete coelhos e mais de 200 camundongos, além da destruição de diversos arquivos de pesquisas que estavam sendo realizadas, o Instituto Royal anunciou o encerramento de suas atividades em São Roque (SP) no dia 6 de novembro. A informação foi divulgada em comunicado enviado pela assessoria de imprensa do laboratório.
No comunicado à imprensa, o laboratório relaciona o encerramento das atividades às “elevadas e irreparáveis perdas” que sofreu com a ação dos ativistas, o que significou “a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas”. A empresa também atribui a decisão à crise na segurança, que coloca “em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores”.
Segundo o laboratório informou na época, cerca de 85 funcionários, entre médicos veterinários, farmacêuticos, biólogos e biomédicos, foram desligados da empresa. “O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio”, concluiu o laboratório por meio de nota.
Com mato alto e portões trancados, o prédio que servia de sede do laboratório em São Roque foi encontrado totalmente abandonado.


