Nova etapa do projeto Lagos do São Francisco beneficiará mais de 2,6 mil produtores rurais no Nordeste

Divulgação

Foi lançada, no dia 12 de março, em Paulo Afonso (BA), a segunda fase do Projeto Lagos do São Francisco.

A iniciativa é executada pela Embrapa Semiárido com financiamento da AXIA Energia, em parceria com a Fapeg, prefeituras municipais, Emater de Alagoas e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse).

A iniciativa é executada pela Embrapa Semiárido com financiamento da AXIA Energia, em parceria com a Fapeg, prefeituras municipais, Emater de Alagoas e Companhia de Desenvolvimento Regional de Sergipe (Coderse).

Nova etapa do projeto Lagos do São Francisco beneficiará mais de 2,6 mil produtores rurais no Nordeste

Nesta fase, serão implementados planos de ação voltados a diferentes cadeias produtivas, como fruticultura, criação de galinha caipira, bovinocultura, caprinovinocultura, produção de hortaliças e beneficiamento de leite e frutas. O projeto também contempla ações ambientais, incluindo a recuperação de nascentes e matas ciliares, além de atividades de gestão e comunicação.

Durante o evento de lançamento, que reuniu autoridades, produtores rurais, técnicos e representantes de instituições parceiras, foram apresentados depoimentos de agricultores que participaram da primeira fase do projeto e detalhadas as atividades previstas para o novo ciclo.

Fortalecimento da produção e parcerias

Na abertura, a Chefe-geral interina da Embrapa Semiárido, Lúcia Kill, destacou a relevância das parcerias institucionais para o desenvolvimento sustentável. “É uma grande satisfação participar do lançamento desta nova etapa do projeto Lagos do São Francisco, que mostra como a cooperação entre instituições públicas, setor privado e organizações locais pode gerar resultados concretos para o desenvolvimento regional”, afirmou.

Segundo a gestora, os resultados anteriores comprovaram o potencial da integração entre pesquisa, assistência técnica e capacitação. “Investir em conhecimento, inovação e qualificação é uma das formas mais eficientes de promover o desenvolvimento das comunidades rurais”, destacou Lúcia.

A diretora da AXIA Energia, Márcia Massotti, ressaltou que o projeto integra a política de investimento social da empresa e busca contribuir para o desenvolvimento das comunidades situadas nas áreas de influência de suas operações.

“Esse é um território muito importante para a história da AXIA, que nasceu em Paulo Afonso há mais de 75 anos. Acreditamos muito no potencial da região e em iniciativas que promovam capacitação, geração de renda e fortalecimento da agricultura local”, afirmou.

Segundo a diretora, a continuidade do projeto reforça o compromisso da companhia com os territórios onde atua. “A primeira fase do Lagos do São Francisco demonstrou resultados importantes. Estudos indicam que, a cada real investido no projeto, foram gerados três reais em valor para a comunidade. Esperamos que esta nova etapa amplie ainda mais esses impactos positivos”, concluiu.

Metodologia baseada em aprendizado prático

De acordo com o pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto, Rebert Coelho, um dos diferenciais da iniciativa é a metodologia baseada na implantação dos Campos de Aprendizagem Tecnológica (CATs). Esses espaços funcionam como unidades demonstrativas instaladas em propriedades de produtores selecionados, atuando como ambientes de aprendizagem prática para a aplicação de tecnologias.

“Nos CATs, os produtores recebem insumos, como mudas, sementes e ferramentas, e têm a oportunidade de aprender e aplicar técnicas de manejo em diferentes culturas, sempre considerando a capacidade e a aptidão produtiva de quem está sendo atendido”, explicou Rebert.

Na primeira fase (2019-2024), foram implantados 508 CATs, atendendo diretamente 508 produtores e capacitando mais de 5.200 pessoas. Com a nova etapa, a expectativa é ampliar o alcance das ações no entorno dos lagos.

O coordenador também destacou o papel das prefeituras e equipes de assistência técnica: “Essa cooperação é fundamental para aproximar o projeto dos agricultores e garantir que as tecnologias cheguem de forma efetiva às propriedades”.

Potencial regional e impacto na vida dos produtores

O evento contou com diversas representações políticas e sociais. Para o prefeito de Paulo Afonso, Mário César Barreto Azevedo, o projeto tem sido um importante impulsionador do desenvolvimento agrícola da região, historicamente marcada por dificuldades.

“Nossa região tem um enorme potencial hídrico, agrícola e turístico. Durante muitos anos vimos o desenvolvimento acontecer em outras áreas do Vale do São Francisco, como Petrolina e Juazeiro. Projetos como esse ajudam a abrir novos caminhos para que também possamos crescer”, afirmou o prefeito.

Ele ressaltou ainda a necessidade de envolver as novas gerações na agricultura: “Precisamos fazer com que nossos jovens acreditem no potencial da terra e da agricultura irrigada. Esse projeto pode ajudar a construir esse futuro”.

Representando os agricultores beneficiados na Fase I do Projeto, o produtor Valmir Matos, de Canindé do São Francisco, no Alto Sertão sergipano, relatou o impacto real da iniciativa em sua vida. Segundo ele, o acesso à capacitação e à orientação técnica tem contribuído para melhorar a produção e ampliar as oportunidades para quem vive do campo.

Valmir também destacou a expectativa com a continuidade do projeto. “Espero que o Lagos do São Francisco siga avançando e possa beneficiar cada vez mais pessoas. O pequeno produtor enfrenta muitas dificuldades, e qualquer apoio faz diferença. Afinal, como diz um velho provérbio: se o campo não planta, a cidade não janta”.

Outro beneficiário do projeto, o produtor Valney Soares, que foi contemplado com um CAT voltado à produção de limão, também relatou os resultados obtidos. Segundo ele, o acompanhamento técnico foi fundamental para superar desafios iniciais de manejo e adaptação da cultura ao solo arenoso da propriedade.

“Além do limão, hoje também cultivo macaxeira e tomate. O mais gratificante é poder compartilhar o que aprendi com outros produtores; este é, sem dúvidas, um projeto que tem transformado a vida de todos aqui na região”.

Fonte: Embrapa